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Archive for February, 2009

Um pouco dos kiwis

Saturday, February 14th, 2009

Eu achava que o povo no Brasil bebia e era festeiro. Tá, isso não é mentira. Mas chegando na NZ vi que a gente pode ter várias versões da mesma história. O povo Kiwi talvez seja um dos povos mais beberrões do mundo e, talvez por isso ou não, uns dos mais festeiros.

Morando no centro há um mês posso dizer o quanto a vida às sextas e sábados à noite é agitada para os Kiwis. A Courtenay Place, centro das baladas de Wellington, fica empaturrada de gente andando pra lá é pra cá. É proibido beber enquanto na calçada mas é liberado dentro dos bares. Um pouco pra frente do final da Courtenay Place fica a Cuba Street, outro ponto quente nas noites por aqui. Minha casa fica entre as duas ruas mais ou menos e dar uma saidinha pra um jantar te proporciona vários eventos antropológicos interessantes.

É consenso geral que o povo Kiwi é frio. Sim, ele é. E também é consenso geral que é por ser frio é um povo mais complicado pra fazer amizade. Esse ponto eu discuto com fervor. Os grandes amigos da minha vida ficaram no Brasil e isso é fato, tirando Guilherme e Daphne que estão por aqui também. E eu não espero fazer tão bons amigos íntimos em um período curto pois esses mesmos amigos aí de cima estão na minha vida há alguns anos e, entre bons e maus momentos, se firmaram como regulares no meu hall de preferidos. Isso não muda pela cultura e sempre foi desse jeito no Brasil.

O Kiwi está muito mais preocupado com a própria vida do que o brasileiro. E por isso ele é frio. Ele não quer ficar sabendo da sua vida e por isso também não fica falando da dele demais.  Isso parece superficialidade mas, no fundo, é uma postura que me agrada. Ninguém te encara mau nas baladas enquanto você se diverte e dança mal, ninguém fica te julgando pelo que você faz ou deixa de fazer. Tá todo mundo preocupado em ficar tranquilo e curtir suas coisas. O fator urgência é menor pra tudo que eles fazem e isso me desespera às vezes. Mas isso são os que eles são.

Eu não passei grandes dificuldades com as amizades Kiwis, tão reclamadas por todos brasileiros. Entre flatmates, trabalho, bandas e agregados conheci excelentes pessoas que, com o tempo, têm estabelecido confiança mútua e bons momentos por aqui. Quando não entendo meu jeito mais pra frente pergunta se me entenderam errado com a maior calma do mundo. Eu explico, todo mundo fica feliz e vamos falar de qualquer outra coisa. Sem frescura e de boa. As saídas por hora são tranquilas e por hora agitadas mas o grande fato é que, no meio de Kiwis, é sempre divertido. Sentar com brasileiros de vez enquando é bom mas a trivialidade nunca se faz presente e é comum os papos falando bem e mau do Brasil e bem e mau da Nova Zelândia ao mesmo tempo. Eu sou burro e não consigo acompanhar um papo quadrilateral e contraditório assim. Pra evitar angústia, evito.

A maior dificuldade pra mim é ter que tratar como amigão aqueles que são meros conhecidos mas, porque falam a mesma língua que você e entendem suas piadas, acham que são conhecidos de infância. Acontece. Mas o que realmente me aproximou e me fez gostar de poucos brasileiros aqui foi empatia e não conforto cultural. Aproveito os curtos eventos pra cantar músicas brasileiras e continuar regando o meu pé brasileiro que faz parte de mim. Mas eu realmente sou chato e gosto da coisa de descobrir um mundo novo. As amizades brasileiras com certeza são ultra importantes e me ajudaram muito em momentos mais complicadas. Mas, pra mim, taxar o Kiwi de frio, distante e tosco quando o assunto é amizade é um crime porque, no fundo, eles são tão felizes e festeiros pra tudo quanto os brasileiros. :)

O que tem rolado

Sunday, February 8th, 2009

Por hora a vida felizmente se estabilizou e devagar tá assentado, o que é bom por um lado e ruim por outro. Meu quarto filnalmente tomou minha cara e devagar vai se achando uma coisa ou outra pra fazer.

Esse fim de semana foi prologando uma vez que sexta foi feriado e um dos mais divertidos eventos de Wellington passou: o Sevens. O Sevens é um campeonato de Rugby no verão no qual cada time possui apenas 7 jogadores invés de 15 e o tempo de jogo é mais curto. Times do mundo inteiro vêm jogar pelo compeonato. Mas o melhor de tudo não é o jogo e sim a festa que se instala.

Tradicionalmente o público se fantasia de qualquer coisa. As idéias vão das mais estapafúrdias como garrafas e bola de boliche até as mais tradicionais como pirata e super-herói. O fato é que a cidade fica repleta de gente fantasiada andando pra todo lado, bebendo e fazendo a alegria de turistas e dos moradores menos loucos. Ontem saí com o propósito de fotografar mas a querida bateria da minha máquina estava fraca e deu tudo errado.

Dia 21 tem o Carnaval com participação pesada de muita coisa brazuca e eu, felizmente, estarei em Cristchurch vendo o show do Iron Maiden com Guilherme e Daphne. Confesso estar feliz pela viagem e também pelo fato de estar longe da bagunça carnavalesca que eu não sou muito fã.

No mais é o sol se pondo às 21h da noite que tem destruído meu relógio biológico e as aventuras no totó com meus flatmates. :)

Comendo

Sunday, February 1st, 2009

Na Nova Zelândia o prato principal é a janta. Até aí é normal, mas o fato de que no almoço a gente só come um lanche é estranho e sinto falta. Todavia a janta é sagradamente a hora onde todo mundo se encontra e vai contar coisas, bater papo e colocar as idéias em dia com os amigos. Jantar na frente da TV ou sozinho é difícil uma vez que se está morando com kiwis, e isso é ótimo.

Frodo Numa dessas jantas descobri que Elijah Wood, o Frodo de Senhor dos Anéis , morou no mesmo apartamento que moro agora. Não acreditei de primeira, pois meu flatmate é uma figura e ele poderia facilmente estar tirando uma com a minha cara. Mas em outros jantares por aqui, com a família dele que é dona do apartamento usei minha engenharia social em cada um deles isoladamente e parece que a história se confirma. Nada muda na minha vida, mas é o tipo de coisa estranha que a gente tem que contar pra todo mundo.

O Kiwi adora abacate. Coloca abacate em tudo e isso me incomoda porque, abacate na comida salgada, não é gostoso. Não comem feijão quase nunca, a não ser o feijão com massa de tomate enlatado pro café da manhã. Adoram churrasco e Vegemite. Vegemite é o capeta em pasta. Nunca vi nada tão ruim na minha vida.

Todavia não é muito difícil comer e, tirando as excentricidades nada é muito diferente do Brasil. Mesma comida americanizada. As opções de verdura e frutas são um pouco mais limitadas mas a coisa anda de forma bem parecida e pode se viver saudavelmente ou gordosamente assim como no Brasil. O importante é se adaptar um pouco à cultura local que não almoça como a gente e que fecha os restaurantes cedo. Feito isso a vida é feliz.

Por último, mas não menos importante, existem as disgraças da Nova Zelândia. Entre elas se figuram o TimTam, KitKat e os Cookies em geral. Entupidores de veia vigorosos. Ninguém conta pra minha mãe que eles são meus prediletos, por favor…