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Archive for 2009

Rapidinhas #2

Tuesday, March 24th, 2009

- O frio tá apertando. Diz que hoje fez 14°C, mas ontem tava bem mais frio. O problema de Wellington é o vento. O bom é que todo lugar tem aquecedor. Empacotadinho a vida vai boa!

- Abacate (do verbo “porque esse imbecil colocou abacate no meu sanduíche/sushi/janta/lasanha [???]) é fruta presente nos pratos neo-zeolandêses. Ontem meus flatmates passaram aperto me tentando falar uma comida típica da Nova Zelândia. Quando pedi uma sem abacate eles desistiram. Numa conversa com o programador vizinho da empresa citei que nunca tinha comido abacate a não ser em coisa doce. Ele, surpreso, disse que nunca comeu abacate a não ser em coisa salgada. E que não conseguia viver sem abacate em ao menos uma refeição ao dia. Tão tá né!

- Falando em flatmates essa, entre outras poucas coisas, foi uma das aquisições mais bacanas da Nova Zelândia. Falar inglês o dia inteiro com gente divertida e interessante é o que há. Fora a imersão cultural que existe. Os papos sempre em volta do dia-a-dia kiwi, o que me imerge mais na cultura local e me faz ficar lembrando menos de ficar sabendo o que tá rolando no Brasil. Me atualizo diariamente sobre como está a madrecita e os amigos e o resto pouco me importa. Tô bem feliz com a casa e o ambiente.

- Descobri o porque do sotaque americano ser nojento. Irlandeses. O sotaque deles, irlandeses, após 15 minutos fica super divertido. O americano não. Já soa chato pra mim. Mas a colonização massiva de irlandeses nos states que faz com que eles enrolem a língua pra falar tudo. Mas hoje eles não soam nada como irlandeses. Terça passada, dia 17 de Março foi St. Patricks day, dia festejado na Irlanda o que fez com que os bares irlandeses ficassem empaturrados. Uma boa oportunidade pra colar na sua colega inglesa de trabalho que tem uma flatmate irlandesa e conhecer um bucado de outros irlandeses adquirindo um monte de gente nova e treinando o seu entendedor de sotaques.

- Tudo indica que em breve vou conseguir montar minha bateria por aqui. Já tenho conversado com uma galerinha bacana e em breve pretendo ter notícias sobre gigs felizes por Wellington. :)

Breve notícia

Thursday, March 5th, 2009

Não sei se contei mas eu programei o site do Wellington Jazz Festival 2009.

Esse fim de semana eu vou pra lá todo dia! :) Tô felizão!

Um pouco dos kiwis

Saturday, February 14th, 2009

Eu achava que o povo no Brasil bebia e era festeiro. Tá, isso não é mentira. Mas chegando na NZ vi que a gente pode ter várias versões da mesma história. O povo Kiwi talvez seja um dos povos mais beberrões do mundo e, talvez por isso ou não, uns dos mais festeiros.

Morando no centro há um mês posso dizer o quanto a vida às sextas e sábados à noite é agitada para os Kiwis. A Courtenay Place, centro das baladas de Wellington, fica empaturrada de gente andando pra lá é pra cá. É proibido beber enquanto na calçada mas é liberado dentro dos bares. Um pouco pra frente do final da Courtenay Place fica a Cuba Street, outro ponto quente nas noites por aqui. Minha casa fica entre as duas ruas mais ou menos e dar uma saidinha pra um jantar te proporciona vários eventos antropológicos interessantes.

É consenso geral que o povo Kiwi é frio. Sim, ele é. E também é consenso geral que é por ser frio é um povo mais complicado pra fazer amizade. Esse ponto eu discuto com fervor. Os grandes amigos da minha vida ficaram no Brasil e isso é fato, tirando Guilherme e Daphne que estão por aqui também. E eu não espero fazer tão bons amigos íntimos em um período curto pois esses mesmos amigos aí de cima estão na minha vida há alguns anos e, entre bons e maus momentos, se firmaram como regulares no meu hall de preferidos. Isso não muda pela cultura e sempre foi desse jeito no Brasil.

O Kiwi está muito mais preocupado com a própria vida do que o brasileiro. E por isso ele é frio. Ele não quer ficar sabendo da sua vida e por isso também não fica falando da dele demais.  Isso parece superficialidade mas, no fundo, é uma postura que me agrada. Ninguém te encara mau nas baladas enquanto você se diverte e dança mal, ninguém fica te julgando pelo que você faz ou deixa de fazer. Tá todo mundo preocupado em ficar tranquilo e curtir suas coisas. O fator urgência é menor pra tudo que eles fazem e isso me desespera às vezes. Mas isso são os que eles são.

Eu não passei grandes dificuldades com as amizades Kiwis, tão reclamadas por todos brasileiros. Entre flatmates, trabalho, bandas e agregados conheci excelentes pessoas que, com o tempo, têm estabelecido confiança mútua e bons momentos por aqui. Quando não entendo meu jeito mais pra frente pergunta se me entenderam errado com a maior calma do mundo. Eu explico, todo mundo fica feliz e vamos falar de qualquer outra coisa. Sem frescura e de boa. As saídas por hora são tranquilas e por hora agitadas mas o grande fato é que, no meio de Kiwis, é sempre divertido. Sentar com brasileiros de vez enquando é bom mas a trivialidade nunca se faz presente e é comum os papos falando bem e mau do Brasil e bem e mau da Nova Zelândia ao mesmo tempo. Eu sou burro e não consigo acompanhar um papo quadrilateral e contraditório assim. Pra evitar angústia, evito.

A maior dificuldade pra mim é ter que tratar como amigão aqueles que são meros conhecidos mas, porque falam a mesma língua que você e entendem suas piadas, acham que são conhecidos de infância. Acontece. Mas o que realmente me aproximou e me fez gostar de poucos brasileiros aqui foi empatia e não conforto cultural. Aproveito os curtos eventos pra cantar músicas brasileiras e continuar regando o meu pé brasileiro que faz parte de mim. Mas eu realmente sou chato e gosto da coisa de descobrir um mundo novo. As amizades brasileiras com certeza são ultra importantes e me ajudaram muito em momentos mais complicadas. Mas, pra mim, taxar o Kiwi de frio, distante e tosco quando o assunto é amizade é um crime porque, no fundo, eles são tão felizes e festeiros pra tudo quanto os brasileiros. :)

O que tem rolado

Sunday, February 8th, 2009

Por hora a vida felizmente se estabilizou e devagar tá assentado, o que é bom por um lado e ruim por outro. Meu quarto filnalmente tomou minha cara e devagar vai se achando uma coisa ou outra pra fazer.

Esse fim de semana foi prologando uma vez que sexta foi feriado e um dos mais divertidos eventos de Wellington passou: o Sevens. O Sevens é um campeonato de Rugby no verão no qual cada time possui apenas 7 jogadores invés de 15 e o tempo de jogo é mais curto. Times do mundo inteiro vêm jogar pelo compeonato. Mas o melhor de tudo não é o jogo e sim a festa que se instala.

Tradicionalmente o público se fantasia de qualquer coisa. As idéias vão das mais estapafúrdias como garrafas e bola de boliche até as mais tradicionais como pirata e super-herói. O fato é que a cidade fica repleta de gente fantasiada andando pra todo lado, bebendo e fazendo a alegria de turistas e dos moradores menos loucos. Ontem saí com o propósito de fotografar mas a querida bateria da minha máquina estava fraca e deu tudo errado.

Dia 21 tem o Carnaval com participação pesada de muita coisa brazuca e eu, felizmente, estarei em Cristchurch vendo o show do Iron Maiden com Guilherme e Daphne. Confesso estar feliz pela viagem e também pelo fato de estar longe da bagunça carnavalesca que eu não sou muito fã.

No mais é o sol se pondo às 21h da noite que tem destruído meu relógio biológico e as aventuras no totó com meus flatmates. :)

Comendo

Sunday, February 1st, 2009

Na Nova Zelândia o prato principal é a janta. Até aí é normal, mas o fato de que no almoço a gente só come um lanche é estranho e sinto falta. Todavia a janta é sagradamente a hora onde todo mundo se encontra e vai contar coisas, bater papo e colocar as idéias em dia com os amigos. Jantar na frente da TV ou sozinho é difícil uma vez que se está morando com kiwis, e isso é ótimo.

Frodo Numa dessas jantas descobri que Elijah Wood, o Frodo de Senhor dos Anéis , morou no mesmo apartamento que moro agora. Não acreditei de primeira, pois meu flatmate é uma figura e ele poderia facilmente estar tirando uma com a minha cara. Mas em outros jantares por aqui, com a família dele que é dona do apartamento usei minha engenharia social em cada um deles isoladamente e parece que a história se confirma. Nada muda na minha vida, mas é o tipo de coisa estranha que a gente tem que contar pra todo mundo.

O Kiwi adora abacate. Coloca abacate em tudo e isso me incomoda porque, abacate na comida salgada, não é gostoso. Não comem feijão quase nunca, a não ser o feijão com massa de tomate enlatado pro café da manhã. Adoram churrasco e Vegemite. Vegemite é o capeta em pasta. Nunca vi nada tão ruim na minha vida.

Todavia não é muito difícil comer e, tirando as excentricidades nada é muito diferente do Brasil. Mesma comida americanizada. As opções de verdura e frutas são um pouco mais limitadas mas a coisa anda de forma bem parecida e pode se viver saudavelmente ou gordosamente assim como no Brasil. O importante é se adaptar um pouco à cultura local que não almoça como a gente e que fecha os restaurantes cedo. Feito isso a vida é feliz.

Por último, mas não menos importante, existem as disgraças da Nova Zelândia. Entre elas se figuram o TimTam, KitKat e os Cookies em geral. Entupidores de veia vigorosos. Ninguém conta pra minha mãe que eles são meus prediletos, por favor…

Impressões #1

Monday, January 19th, 2009

Há algum tempo venho ensaiando uma série de posts curtos sobre assuntos variados de vivência aqui. Entre eles figura a gravidez na adolescência, sobre como o povo não te “cumprimenta como a gente tá acostumado” entre outros. Mas o assunto desse post é outro.

Vindo pra Nova Zelândia eu ganhei a oportunidade de viver uma coisa impossível tecnicamente. Só aqui é possível viver os anos 80 com 20 e poucos anos de idade. A produção cultural sempre me remete ao bregas oitentistas. Muitas cores gritantes, figuras geométricas e tipografia primária. Essa semana finalizei um site pro trabalho  (Fringe Festival 2009) e vendo o layout do site e surfando pelos links é possível se ter uma boa noção de como as coisas funcionam.

Não é difícil ver Madonna inicio-de-carreira tocando nas baladas, assim como Abba e Cindy Lauper. Os adolescentes produzem músicas baseadas em Crowed House (produção nacional. :P ), Blondie e Hasselhoff. Isso é bom? Ótimo! Aumenta nosso vocabulário. Aqui não existe gente vidrada com som no carro na mesma proporção do Brasil mas toda balada tem um sistema de som na calçada, pra quem tá do lado de fora sentado nas mesmas. Passar pelos lugares é uma experiência retrô das melhores.

É maravilhoso ver como as pessoas aqui se vestem, mesmo sabendo que não é seu estilo. Mulheres com saia ou calça saint-tropez, um chapéu de mafioso e uma rosa na camisa não espanta ninguém. Os homens ficam com a calça apertada e coletes de couro. Isso é normal, bonito e divertido.

Apesar de tudo, pra quem não é dessa onda como eu, é possível achar de tudo um pouco. Eu não saio um dia pelas ruas de Wellington sem ouvir pelos menos quatro idiomas diferentes, além do inglês. Quase todo dia tem um tipo de música difernte em algum boteco. E o bucado de exposição acontencendo concomitantemente num tá no gibi. Uma mistura assim é um prato perfeito pra gente chata como eu que quer sugar o máximo que pode de diferente do mundo. :)

Assim que tiver um tempinho eu volto pra contar mais coisa. :D Perguntas são bem vindas e me ajudam a aprofundar o assunto!

Viagem pela Ilha Norte

Wednesday, January 7th, 2009

Semana e meia de folga, as coisas caminhando bem e resolvi dar uma banda pela Ilha Norte pra conhecer um bucado melhor do país. A idéia era a mesma: pegar o carro e sair batendo de cidade em cidade. A rota inicial tava definida e o plano era chegar até Cape Reinga, na extrema ponta norte. Mas, como vou contar mais pra frente, as coisas não foram assim.

Como sempre, se você não aguenta mais pra ver as fotos, clique aqui.

A viagem começou em Napier, cidadezinha pequena no leste da Ilha Norte. No  caminho dei um pulo em Taumatawhakatangihangakoauauotamateaturipukakapikimaungaho – ronukupokaiwhenuakitanatahu, o monte que possui o maior nome do mundo. Aliás, nessa viagem eu aprendi coisas fantásticas sobre a cultura Maori. Uma delas é que, como eles não possuiam língua escrita, as histórias eram contadas nos nomes das coisas. Esse nome fala sobre o guerreiro que perdeu um irmão numa batalha pela região e todas as manhãs ia lamentar sua perda tocando e cantando no topo do monte.

Napier é uma cidade bunitinha até falar chega e com muito a mostrar sobre Art-Decô. Em 1931 a cidade sofreu um terremoto pesado, assim como Wellington, e foi totalmente reconstruída. É possível encontrar vários marcos e placas falando sobre o terremoto e a reconstrução da cidade. Uma tarde na beira da praia é uma agradável pedida com bons amigos.

No dia seguinte saí em busca de Taupo e Rotorua. Taupo é uma típica cidadezinha praiana, apesar de estar na beira de um lago. O maior lago da Nova Zelândia possui várias atrações bacanas, atrações essas que acabaram por me confundir e minha tristeza ficou em não conseguir fazer tudo que queria por lá. Tudo é muito caro também, diga-se de passagem. Por lá vi o Craters of the Moon – planície com vários geisers soltando vapor o dia inteiro – e Huka Falls, uma corredeira pra lá de bonita que me deixando babando por alguns minutos. Mais empolgados que eu só os Indianos que grivatavam como loucos pelos mirantes espalhados ao longo da corredeira.

Se eu soubesse que ia encontrar o que encontrei em Rotorua teria deixado o Craters of the Moon pra trás e teria ido ver o Maori Rock Carvings, se o meu dinheiro deixasse. Roturua possui uma fantástica rede de geises em parques no meio da rua. A experiência de dirigir e ver uma rua embaçar inteira em dois minutos de uma forma que você não enxerga um palmo na frente do carro é fantástica. Alguma coisa acontece debaixo da terra e todo mundo resolve cuspir vapor de uma vez. O preço pra isso é ficar cheirando enxofre o dia inteiro. A cidade cheira à uma quarta-feira à noite, num quarto abafado, com três dos seus amigos mais flatulentos após um almoço servido de ovo e feijão. Todavia, foi lá que visitei o Te Puia, centro de cultura Maori na Nova Zelândia onde aprendi muito sobre os nativos. Lá também vi um geiser cuspindo água há quinze metros de altura e vi uma apresentação Maori que me deu arrepios em alguns momentos.

Depois disso fui pra Whakatane. O que tem em Whakatane? Um cinema. Fora isso, você tem que pegar um barco e ir pra White Island. Lá sim o bicho pega direito! A White Island é o único vulcão ativo da Nova Zelândia e você pode passear o quanto quiser por lá, desde que pague um barco e um guia autorizado pra te levar. Eu fui? Não. Fiquei dois dias em Whakatane e a minha chuva de estimação ficou por lá, lavando tudo o que podia. A chuva tava tão feia que os barcos foram cancelados. Eu desisti e fui rumo a Coromandel na manhã do terceiro dia, após outro cancelamento.

No caminho de Coromandel, ainda com chuva, dei uma pausa em Mt. Manganui e Tauranga. Duas cidadezinhas pequenas em volta do Monte Manganui, com praias super bacanas. Foi só uma parada rápida pra um almoço. O destino final tava mais ao norte.

Após redescobrir os meus devidos destinos com ajuda do GPS fui parar em Hahei Beach e Cathedral Cove. A melhor descrição é “Puta que pariu!”, com cara de bobo. O lugar é absolutamente fantástico. Sentei em Hahei Beach por quase uma hora e fiquei babando no que estava vendo. Saí de lá empolgado para Cathedral Cove. Fim de ano e a minha chegada lá não foi das mais feliz. A farofada estava presente, e por algum motivo besta que não sei qual não achei tanta graça. Vendo as fotos depois não entendi como não me maravilhei com aquele lugar. Algo tava errado, mas fui pra Coromandel City arrumar um lugar pra passar a noite.

Como fim de ano, não havia vaga em backpacker algum. Após oferecer ajuda para duas brasileiras que tiveram o vidro do carro quebrado e o celular roubado, resolvi puxar os planos um dia pra frente e chegar em Auckland antes. No meio do caminho, programando as coisas no GPS pra ir pra Aucklando vi o botão “Go Home” e percebi que era bobagem continuar viajando sozinho com saudade da mãe e dos amigos pra poder dividir aquilo tudo. Passei uma noite em Otorohanga, vi um Kiwi solto na natureza, e voltei pra Wellington no dia seguinte. :)

Aqui vão alguns panoramas que fiz pela viagem:

Napier Port
Lake Taupo
Hahei Beach
Coromandel Peninsula