Afinal, como é viver na Nova Zelândia?

Já algum tempo venho ensaiando esse post por aqui. Agora com aproximadamente 11 meses de Nova Zelândia, vivendo e trabalhando com kiwis já por algum tempo acho que agora possuo uma visão da terra e do povo criada por mim mesmo e menos preconceitualizada pelo que ouvia dos brasileiros por aqui.

Galera no Waterfront em Wellington, por Victoria Evans

Esse post com certeza vai ser longo e reflexivo. Provavelmente chato e nojento em alguns momentos. Entre anotações que faço no dia-a-dia de coisas curiosas, lembranças de momentos diversos e papos com outros estrangeiros que não brasileiros resolvi que tenho que compartilhar uma visão que até então não vi por partes dos brazucas que comentam sobre como é morar na Nova Zelândia. Eu pretendo falar mais profundamente sobre os assuntos “pessoas” e “adaptação humana” no meu outro blog, o Wimps-Hurra, que é onde eu despejo as minhas loucuras filosofais. Tentarei me ater ao aspecto estrito da aventura estrangeira por aqui, mas com certeza alguma opinião mais pessoal vai vazar. O que considero um ponto forte do que vou escrever aqui é o fato de que eu não me atenho ao saudosismo, não possuo a mínima vergonha do erro ou medo do escárnio e acredito que a melhor forma de enfrentar os problemas é com 90% transpiração e 10% inspiração. Reclamar menos, fazer mais.

No fim das contas isso também é um pouco desabafo de tudo que me dá raiva por aqui. E na verdade o que mais me dá raiva aqui é exatamente o que me dava raiva no Brasil.

Princípio

Pra mim não existe tal conceito como certeza, verdade ou qualidade quando o assunto é cultura, tanto no aspecto social quanto no pessoal. Somente a constatação da diferença.

A análise cultural num ambiente tão diverso quanto a Nova Zelândia é extremamente complicada. É um país de história com origem nas tríbos pacíficas, colonizado por ingleses e onde hoje 23% da população não é nascida aqui. Isso é aproximadamente um quarto de um país que, nativamente, não tem suas raízes aonde mora. Dentro desses imigrantes a grande maioria é asiática o que gera um choque instantâneo para nós americanos e pros kiwis que somos todos ocidentais.

Sendo assim essa análise feita por mim diz respeito somente à minha verdade, às minhas constatações e são baseadas puramente na minha experiência. Qualquer discordância quanto a isso simplesmente a enriquecerá.

Os brasileiros

Eu não escondo de ninguém que o mais me enche o saco na Nova Zelândia é a teorização e a comparação constante entre o Brasil e a Nova Zelândia e a reclamação por parte dos brasileiros por motivos exdrúxulos. E, como disse, coisas como o comodismo, a falta de respeito, a tentativa de imposição cultural e a hipocrisia por parte desses é o que mais me irrita por aqui. Exatamente o que me fez querer tentar alguma coisa fora do Brasil. E talvez me irrite mais por ver que vez ou outra eu entro nesse bolo de coisas idiotas e as coloco em ação sem ver.

Existe um curso comum de conversa nos encontros brazucas que eu chamo de opinião quadrilátera. A mesma pessoa numa janela de cinco minutos fala mal do Brasil, fala bem da Nova Zelândia, fala bem do Brasil, fala mal da Nova Zelândia. Quatro sentimentos diferentes em uma só linha de argumentação.

Daphne e Guilherme passaram três meses no Brasil e, com isso, meu contato com a  comunidade brasileira deu uma cortada, uma vez que eles sempre me convidam pra um evento ou outro. Sinto falta dos dois mas o afastamento veio a calhar. Muitas coisas bacanas rolaram e pude ver que existe uma vida muito boa além do conforto. Ultimamente eu tenho me isolado da comunidade brasileira. Foi o mais saudável pra mim. A opinião da por lá nunca muda. A visão de tudo, não importa quanto tempo passe, é sempre a mesma. E, a minha só mudou, quando parei de ficar pensando fui ver de qualé.

Normalmente as pessoas se unem por afinidade. Comumente os brasileiros por aqui adquirem uma intimidate monstro após uma noite de papo. Porque? Por que vocês entendem as mesmas piadas, falam de Chaves e conhecem o Louro José. A  afinidade sai do seu espaço pessoal e se estabelece pela interseção cultural. Isso é importante pra quem chega e fica deslocado. Isso é importante pra quem precisa do conforto inicial. Mas chega uma hora que se você não acorda, se atrofia e se torna um opinador quadrilateral num grupo fechado e o enriquecimento cultural fica restrito, o que cai num círculo vicioso que te definha. Esse tipo me inspira a infelicidade eterna e nunca vai conseguir gozar plenamente do que cada lugar tem de bom pra oferecer uma vez que vive dentro de um espaço já conhecido.

A experiência do mercado de trabalho Kiwi por partes dos brasileiros por aqui é meio discutível. São poucos os que realmente traçaram um plano profissional interessante, pesquisaram mercado e tudo mais. Eu não fui um desses. O meu processo foi tentativa e erro. E quando me perguntam o que eu fiz eu não consigo acreditar em nada que eu digo. No fim das contas a gente dá de amigo, torce pelo sucesso alheio e fica em paz. Vez ou outra vejo que os conselhos que ouço por aqui são uma tentativa de passar pra frente uma idéia própria frustrada pra ver se ela dá certo com outro alguém pra que a pessoa se sinta bem consigo mesma. É eu já percebi que é isso que faço e me odeio por isso. E isso é perigoso pra quem ouve.

Depois de todo esse tempo e vários encontros eu diria que possuo talvez dois ou três brasileiros os quais eu realmente me importo e chamo de amigo. Além disso, Guilherme e Daphne felizmente já se tornaram pessoas queridas antes da Nova Zelândia estão em outro patamar pra mim, e por aqui são minha família. O fato de que não chamo os outros brasileiros de amigo de verdade não se dá por que são pessoas ruins ou algo do tipo. Simplesmente são pessoas as quais não tenho afinidade, mesmo que sejam pessoas bacanas. Com certeza eles se encaixam no conceito de irmandade. São pessoas queridas que curto estar por perto de alguma forma e nunca deixaria-os na mão numa ocasião necessária. Mas por tudo descrito acima prefiro um pouco de distância.

No fim das contas, se você é um brasileiro que ama o Brasil, que ama a cultura, que não consegue se imaginar longe da terra mas pretende sair porque não aguenta mais a corrupção, a falta de respeito ou coisas do tipo e, depois de um ano fora, não conseguiu se sentir feliz por favor pegue o avião e volte. Não só na Nova Zelândia. De qualquer lugar do mundo. Dificilmente você vai ser feliz se você sair da sua cidade, mesmo dentro do Brasil. Se você não acha que você tem a mínima capacidade de adaptação a melhor coisa que você faz é aceitar isso, se fechar na cápsula, e talvez trabalhando nesse conceito você se sinta menos infeliz de estar longe do seu travesseiro.

As amizades

O chavão preferido da galera por aqui é que “o Kiwi é frio”. Meu, cadê esse Kiwi frio que eu não conheci até hoje?

A galera confunde. Os grandes amigos da minha vida são de longa data. Três, quatro anos ou mais. E quando paro e penso como a nossa amizade era quando os conheci vejo que nada é diferente. Todas as pessoas novas que conheci por aqui tão por ali também, na mesma área da “frieza” inicial. Em algum momento a amizade cresceu, a confiança se estabeleceu e aí sim a coisa se criou.

O lance é que quando a gente chega rola o vazio. Falta aquele alguém que já te conhece sabe o que vocês gostam de conversar e fazer e pá-pum. Aquela coisa de achar o fator comum e encaixar as coisas é morosa e penosa ainda mais com pessoas cuja a base cultural não é a mesma. Quando você conhece as pessoas daqui, elas falam sobre os programas daqui, os livros da cultura inglesa, os músicos prediletos de todos os tempos da Nova Zelândia. E você boia. A coisa piora porque você quer desesperadamente preencher aquele vazio dos seus amigos de anos atrás que ficaram do outro lado do mundo. E aí, pra se sentir tranquilo, você acredita que a culpa é dos Kiwis, que você é super interessante é eles que são frios. Tudo porque você não é capaz de se encaixar num grupo e ter paciência pras afinidades acontecerem.

Um dia, num pub, batendo papo com o suíço que trabalha comigo ele, bebâdo, virou pra mim do nada e perguntou: “Diogo, o que você acha mais bacana nos Kiwis?”. Eu pensei e disse: “Não sei o que é. Mas é alguma qualidade que me deixa confortável pra fazer o que quero sem sentir que tem alguém preocupado com a minha vida”. Ele riu e disse: “Já reparou que eles não tem inveja?”. Puta. Ali o meu mundo brilhou. O Kiwi não tem inveja. Ele não esnoba. Ele não se intromete. Ele cuida da vida dele e da família dele. Ele faz o que ele gosta e não insiste se te convida e você não vai. E daí parece que ele não se interessa. Mas hoje, depois de meses de contato e convivência, tenho gente que me liga tarde da noite porque brigou com a namorada e precisa de alguém pra conversar no pub. Ou num sábado à tarde porque uma figura em outra cidade viu um filme e lembrou dum papo que a gente tava tendo a dois meses atrás. Os meus flatmates sempre querem saber como estou, se dispõe a ajudar de coração a todo momento com as dúvidas do inglês e do país, sempre sacam quando meu humor não tá dos melhores e se dispõe a conversar caso eu queira, entre outras coisas bacanas. E aí eu vejo que o caminho da confiança mútua tá aberto que a coisa só vai crescendo. Nínguém é intrusivo, mas sempre presente. Só depende da minha abertura pra isso. Daí o vazio começa a ficar cheio e você se sente bem.

E, pra fechar a conta, o Kiwi faz pro outro de graça com uma qualidade tremenda, e não pra aparecer. Fácil de ver isso é o tanto de trabalho volutário que entorna em todo canto e o tanto que é fácil bater longos papos com estranhos na rua. E daí eu reparei que todo mundo se abraça. Todo mundo brinca. Todo mundo se chama pra os eventos. E eu passei a abraçar todo mundo. A brincar com todo mundo. A ir aos eventos. E, de frio, só fica o vento de Wellington.

Os restaurantes

Esse é simples, curto e rápido: as chances de você conseguir algo que remotamente te lembre a comida brasileira aqui é aproximadamente nula. A única coisa que a impede de ser totalmente nula é que você pode cozinhar em casa. Se você não cozinha bem como eu é nula. As únicas semelhanças atendem pelo nome de MacDonald’s e Subway e afins. Fora isso, esqueça. E isso, na minha opinião, é uma das coisas que mais força o seu senso de adaptação. A comida tem pouco sal e muita gordura. O café da manhã sempre vai ser mais gordo que o almoço, e a janta sempre é baseada em só um prato. Picanha, feijoada ou frango assado com quiabo nem pensar. Mesmo.

Típico café da manhã Kiwi, com bacon, ovo, tomate, hasbrown (uma espécie de purê de batata frito) e torradas. Foto por “gwgs”

Depois de algum tempo eu já nem me importo muito mais. Só intolero a presença do abacate nos pratos salgados e do maldito-vindo-diretamente-do-quinto-círculo-do-inferno Vegemite.

Fora isso as cozinhas vão fechar por volta das 20h. Em alguns casos raros 21h, 22h. Depois disso só o Kebab dos turco, tira-gosto em raros lugares e bebida a rodo. E não adianta espernear na frente do restaurante, xingar as dezessete gerações do Capitão Cook ou exercer o seu instinto de assassino. Saia mais cedo de casa ou passe raiva e fome.

E não. O Kiwi, a fruta, não é a principal coisa do cardápio e só mais uma fruta pra eles. E é uma fruta chinesa.

O custo de vida

Sim. É mais caro. Tudo é mais caro. O quilo da maçã vermelha é quatro dólares, aproximadamente cinco reais. Feijão é um absurdo. Um jantar num restaurante marromeno dá uns trinta dólares por cabeça. O aluguel é caro. Se você fuma, se fudeu, porque cada maço é pra lá de dez dólares (bem feito, haha!). O transporte coletivo é uma facada. Luz é um pouco mais caro, mas não muito. Internet, pelo que vejo, é mais barata e melhor na maioria das vezes, mas com limite de transfêrencias. Telecomunicações em geral acaba dando uma empatada com o que sei do Brasil dependendo do caso.

Mas:

a) Eu entendo que tudo o que é importado, aqui, é mais caro, uma vez que a gente tá no canto do mundo e tudo vem de navio. A Nova Zelândia não produz quase nada, o que força a coisa. Coisas produzidas aqui como leite, uva, o kiwi e carne de ovelha não são tão caras assim. A maioria das vezes é absurdo quando comparado ao que estava acostumado em Belo Horizonte, mas no fundo faz algum sentido.

b) Eu ganho hoje aproximadamente cinco vezes o que ganhava no Brasil. E eu quase nunca pago cinco vezes mais caro por alguma coisa aqui. Se eu dividisse um apartamento com o mesmo perfil do que moro aqui no Brasil eu pagaria aproximadamente metade do que pago aqui, incluindo contas, eu acho. Talvez mais. O meu gasto pra alimentação é uma vez e meia o que eu gastava no Brasil. Eu pago (caro, 80 dólares por mês) academia, faço curso de língua, música, compro roupa quentinha que é uma coisa cara aqui também, vou pro cinema direto. Isso tudo era bem comedido e planejado no Brasil. Fora isso, passeio fim de semana e como super bem tanto fora quanto no apartamento. Um terço do meu salário vai pro governo. A cidade é limpinha, segura, com as estradas fodonas e com todos os serviços governamentais funcionando rendondinho. E ainda sobra grana pra pagar processo de residência, comprar bateria e viajar no fim do ano. E se bobear tentar fazer um snowboard de novo nesse inverno.

E essa é uma matemática que me interessa e eu isso não me deixa reclamar de preço de nada. Pelo contrário.

A cultura e a discriminação

Se você não sabe existe uma diferença entre a escola inglesa e a escola francesa.

Na escola francesa, que é a usada no Brasil, a multidisciplinaridade é a lei. Você aprende de tudo mas com nem tanta profundidade. Por isso você estuda todas as matérias até o terceiro ano do colegial.  Na escola inglesa você estuda todas as matérias até um certo ponto. Dali em diante você escolhe se vai cair pra Artes, Humanas, Exatas ou Médicas. E vai estudar mais as matérias condizentes com a sua escolha, o que vai refletir diretamente na sua escolha de faculdade. Você estuda poucas matérias, mas com maior profundidade.

Pelo que notei por aqui, comumente os latinos (incluindo espanhóis, portugueses e franceses) tem uma visão mais abrangente de mundo e de assuntos gerais, enquanto os europeus tendem a saber mais da sua área de atuação e serem um pouco mais alienados quanto ao resto. Surpresa! Exatamente o que era de se esperar, tendo em vista a constituição básica da vida acadêmica.

Eu, no início, me magoava quando as pessoas achavam que eu falava espanhol, não se interessavam pelos aspectos culturais que eu acho foda no Brasil, entre outros. E percebo que existe uma grande mágoa por parte dos outros brazucas por causa desse desinteresse deles também.

Depois vi que, não adiantava o quanto eu falasse, existia uma falta de base por ali. Há umas duas semanas atrás uma amiga chegou e falou duma forma super bacana que, logo quando cheguei, as vezes enchia o saco a minha empurração de “eu sou diferente e tenho um monte de coisa pra mostrar pra vocês!”. E ela citou que, assim que comecei a aclimatar mais quanto a Nova Zelândia isso foi cessando e aí sim eles foram realmente vendo “quem eu verdadeiramente era”.

Foi exatamente isso que ela usou. “Then we started seeing who you really are”. Eu falei com ela pra me dar um tempo pra pensar sobre isso e que ia bater papo com ela sobre isso outro dia. Pensei sobre o assunto e a minha primeira reação foi a negação. “Como assim? Quer dizer que então que eu só me torno uma pessoa verdadeira pra você quando eu passo a ser menos brasileiro?”Depois fui pensando e vi que não. Não é absolutamente nada disso.

Tudo que ela quis dizer é que eu sou algo além de brasileiro. Que grande parte do que sou se dá porque sou brasileiro mas que existe uma grande outra parte que não. E essa segunda parte é que as pessoas tavam interessadas e que foram conhecendo depois de um tempo. Num primeiro momento, com toda a confusão, eu me escondi atrás do escudo da brasilidade porque, pra mim, isso era legal e era o que eu considerava mais valioso. É legal e rico pra mim mas isso não significa quetodo o mundo vai achar a mesma coisa. Nas ocasiões certas o fato de eu ser brasileiro se fez interessante naturalmente.

Mas daí alguém vem dizendo “Mas Diogo! O Brasil é um pais grande! De cultura  riquíssima! Como assim eles não conhecem e se interessam por nada disso?”. Eu geralmente respondo dizendo “O quanto você conhece da China além do que você viu na TV? Sabe falar algum cantor famoso? Comida típica? (geralmente recebo uma risada e ‘sushi’ como resposta) Movimentos culturais interessantes?”. Não. Ninguém sabe muito. E, quando colocado em proporção, é um país mais significativo mundialmente que o Brasil na maioria dos contextos. Eu conheço pouco. Fui ver o quão grande era minha ignorância quando comecei a estudar Mandarin. E quietei o facho. Não dá pra culpar ninguém que nada sabe além do Brasil do que futebol e carnaval. E não dá pra culpar se eles não entendem e não amam quando a gente fala de alguma coisa sobre isso. O Brasil, pra mim, é toda a minha base cultural e a partir dela que estabeleci minha visão de mundo, apesar de não tê-lo feito somente baseada nela. A Nova Zelândia sempre foi só um outro país na minha vida. A recíproca também vale pra eles.

Hoje, quando me perguntam de onde eu sou, respondo que sou duma cidadezinha à Nordeste de Invercargil chamada “Nice Horizon”. Nenhuma mentira aqui se você olhar no mapa. Mas geralmente a galera dá risada e a gente parte pra outro papo, uma vez que ninguém nunca ouviu falar de nenhuma cidade com esse nome na Nova Zelândia e o meu sotaque não nega. Mas o negócio é que eles já tão acostumados com estrangeiro pra todo lado e isso realmente não faz muita diferença pro papo. Respondendo isso, a parede do “eu sou estrangeiro” não foi construída e tenho percebido que a aceitação inicial pra conversa tem sido mais amigável porque eles não se armam contra a falação sobre a cultura natal. Logicamente em algum ponto da conversa falo que sou brasileiro, mas dali em diante o fato já não é o que estabeleceu a conversa e é levado de outra forma.

O Kiwi está vendo suas cidades sendo invadidas pelos asiáticos e indianos, com restaurantes e replicações das celebrações de cada cultura. Vários possuem cardápios somente em chinês ou com as duas línguas. E essas culturas se juntam num canto, impõe seu modo de vida e interagem pouco com o resto da sociedade. Isso não gera o ódio, mas gera a segregação subliminar. Todo mundo, num papo corriqueiro, cita a etinia de quem tá falando, a não ser que ele seja europeu ou norte-americano. “Meu amigo, coreano, …” ou “O namorado dela, sul-africano, …” e assim vai. E esses fatos na maioria das vezes não são relevantes de forma alguma para o que está sendo contado. Eu me incomodo quando alguém me apresenta como “Esse é o Diogo, brasileiro”. Eu sou o Diogo. Ponto. Diga só “Esse é o Diogo.”e deixe que eu me encarrego de saber quando o fato de eu ser brasileiro se torna relevante pra ter uma conversa interessante com alguém. Eu não sei porque, mas isso acontece e me incomoda. Acho que é porque eu sei que é porque nada vai se estabelecer numa amizade só porque eu sou brasileiro. Nunca fiz um amigo na minha vida por causa de ser brasileiro. Então deixe isso ser uma das coisas que eu sou e não a minha condição de ser, por favor.

Eu nunca sofri discriminação, mas já vi e ouvi bastante de gente que já. O engraçado é que os casos que ouvi (não só com brasileiros) geralmente acontecem depois de um momento “mas da onde eu venho as coisas não são assim”ou “eu não vou fazer isso de tal forma porque não é assim no meu país”. Em geral quando algo do tipo “a minha cultura é a certa e a sua não” acontece. Isso acontece principalmente com as culturas asiáticas, mesmo os kiwis sendo extremamente flexíveis e tendo noção de como lidar com isso em certas ocasiões. Apesar de não haver a discriminação clara com os brasileiros o preconceito sim existe e se expressa nas piadinhas envolvendo sexo, drogas e violência que eu ouço uma vez ou outra. Eu não me ofendo porque mesmo feitas pra me sacanear não são dirigidas diretamente a mim. Mas me entristece de qualquer forma. Afinal de contas, Cidade de Deus, Carnaval e Copa do Mundo é tudo o que eles tem acesso por aqui. E isso, na minha opinião, é a pior parte das coisas boas que o Brasil tem.

Outro fato interessante por aqui é ver que você é preconceituoso sim. Os esteriótipos germânicos, africanos, asiáticos, entre outros, ficam claros na sua cabeça. E você divide as coisas e as trata em cima de cada conceito pré-formado. Só o tanto de vez que usei “os kiwis”, “os brasileiros”, “os asiáticos” e afins nesse texto me diz que a minha cabeça nunca vai ser livre dessa separação. O que não me permito fazer é condicionar um tratamento a isso numa situação cara a cara. Numa análise maior, como a desse post, considero cabível mas quando conheço gente dos diferentes lugares pra mim nada disso importa. Pode parecer contraditório mas a prática e a teoria não caminham juntas muitas vezes.

Pra finalizar

Essa baboseira toda é só pra re-afirmar o que disse lá em cima. Não existe jeito certo ou melhor de viver e acreditar nas coisas. A Nova Zelândia não é o melhor lugar do mundo, assim como o Brasil também não. Eu não sei qual lugar no mundo é, mas tenho certeza que se eu resolver viver a minha vida pensando , ponderando, reclamando ou comparando sobre isso eu não vou ter a oportunidade de realmente conhecê-los. E a única coisa que vou levar pra qualquer canto do mundo é a minha experiência concreta pela vida.

Milford Sound, minha paisagem favorita na Nova Zelândia, por Kenny Muir

Aqui sim tem coisas que não me agradam. O kiwi não é invejoso. Mas ele também não é ganancioso. Talvez por isso não seja invejoso. Ele presa pela vida de qualidade com a família e uma casa confortável. Uma viagem bacana, um show interessante e ver o time de rugby na TV. No ambiente de trabalho não existe aquela pressão que te deixa apertado e o cutucão pra buscar coisas novas e crescer. Acaba que a gente dá uma acomodada, o que é ruim. Eu vejo isso também nas bandas que participo por aqui. O crivo é muito largo e tudo tá bom pra eles. Eu, acostumado a ser puxado e a puxar meu colegas de banda, as vezes vou sozinho na empolgação e acaba que soa ruim porque eles não respondem. Isso me incomoda bastante porque eu gosto de ter gente que quer mais por perto.

Talvez esse seja o meu único grande problema na Nova Zelândia. A falta de pensamento grande, do eu quero mais, do isso pode ser mais fantástico. Fora isso, hoje o que eu mais sinta falta e a variedade musical que eu estava exposto no Brasil, ainda mais em Belo Horizonte. Fora isso, esse lugar é lindo.

Todas as outras coisas que já me incomodaram um dia foram respondidas. Eu sempre achava nojento o fato de a cor predominante nas roupas ser preta. Até que o frio começou a apertar nos últimos dias e percebi que minhas roupas escuras me deixam mais quentinhos que as roupas claras. Entre várias outras coisas eu comecei a ver que tudo tem o seu porquê de ser e a com a causa na mão fica difícil achar ruim de alguma coisa.

Eu não busco dinheiro, futuro garantido ou nada do tipo aqui. Na verdade eu não tenho um objetivo concreto traçado, somente planos. O meu único produto até o momento e que eu pretendo manter é a experiência. Sendo assim, pra fechar a conta, eu recorro a dois dos meus filósofos favoritos, que foram fazer muito sentido só depois que cheguei por aqui. Sartre diz que o mau do mundo é o outro. Enquanto a gente tentar culpar alguém ou achar a razão numa circustância externa para a nossa infelicidade a gente nunca vai ser capaz de olhar pra si mesmo. Enquanto a gente joga a responsa no outro e cuida da vida do outro a coisa não rola. E na minha cabeça eu completo isso com o que Nietzsche diz muito bem. Ninguém muda. Não é da natureza humana mudar. O conforto é muito bom mas pouco frutífuro. Só aquele que é capaz de perceber isso e ser forte o suficiente pra lidar com as suas próprias fraquezas cresce e evolui. Só no desconforto a gente se fortalece. Mudar de país e reconstruir seu alicerce nada mais é que um exercício de auto-conhecimento e solidão. Bobo é aquele que perde o seu tempo lutando contra a adversidade ao invés de trabalhar junto dela. :)

78 comments

  1. Amanda Gandolfi

    Olá. Adorei tudo que você escreve. Ultimamente tenho me interessado bastante pela nz.. Uma amiga minha se mudou para aí com a família, e eu queria muito fazer intercâmbio. As informações que você passa contribuem bastante pra quem quer ir para aí.. Eu gostaria de saber se você sabe de algum site, ou tem alguma informação de como funcionam os vistos, e de como eu poderia conseguir estudar aí, se eu não fosse por uma empresa? Obrigada.

  2. Eduardo Dias

    Só uma pequena correção quanto a internet em NZ. Para heavy users (pessoas que usam a internet com muita frequencia e gamers, etc) a internet em NZ é pelo menos 3 vezes mais cara que no brasil devido a cota de download e upload limitada. É um problema ainda a ser superado na minha opinião.

  3. satiro

    Grande, gostei de sua fala..
    Eu ja passei por NZ e gostei muito. To voltando passar mais um tempo.. Voce me animou muito… fala a verdade de maneira simples e simpatica.
    Parabens… vamos que vamos.
    Quem sabe nos encontramos por ai.
    Satiro

  4. Major Mara Balbinot

    Olá Diogo!
    ..adorei seu post!

    .. eu estou muito anciosa, eu e meu namorado vamos passar as férias aí na Nova Zelândia em Julho/2011, temos um amigo que mora aí, e estamos preparando as malas…

    Grande abraço..

  5. Thomaz Soutello

    Cara, sensacional.

    Descreveu praticamente o que ta acontecendo no meu intercambio. Abriu uma visao maior do que eu posso aproveitar por aqui.

    Realmente sempre culpei os kiwis por nunca falarem comigo na escola porque eu me sinto especial so porque sou brasileiro.

    Mas eh isso ai, quem vai sair no lucro sou eu se eu tomar iniciativa. Nada melhor que conhecer outra cultura sem preconceito e nao ficar preso na cultura nativa enquanto esta visitando outro pais. Valeu por compartilhar, bro!

    See you around! =)

    Abraco!

  6. myllena

    Olá! Estou pensando em morar aí nos próximos dias. Mas gostaria de pedir sua opinião sobre algumas coisas. Você se importa em me passar seu endereço de e-mail? Ajudaria bastante!
    Muito obrigada! =)

  7. Luis Garcia Pereira

    Boa Noite Diogo, sou portugues e ha muito que pretendo ir viver para outro país, a australia ou a nova zelandia são a minha eleição. Alem de jogar rugby, tambem faço surf. Aqui em portugal sou vendedor da DC Shoes. Como é que surgiu a oportunidade de ir para ai? é dificil arranjar maneira de ser residente ai, arranjar um emprego etc…?
    Um grande abraço e obrigado pelas explicações no blog, esta fantastico!

  8. Guilherme Rocha

    Ola Diogo.

    Poucas pessoas sabem colocar as palavras do jeito que você colocou aqui. Parabéns. Nunca é demais parabenizar. Eu estou pesquisando a cidade, custo de vida e informações para ir para NZ, pretendo ir ao final este ano, o que realmente presenciei aqui foi grande aula de como lidar com toda essa mudança. Acredito que a bagagem cultural que possuimos pode ser maximizada quanto ao fato que você mencionou de meio que ”se afastar” dos brasileiros. Eu Tenho muita vontade de morar na NZ, apesar de aprincipio ir para estudar, e concerteza irei acompnahar o blog para maiores informações. Muito bem citado sobre o preconceito, que em geral não paramos para olhar para nos mesmos e julgamos o que é mais facil: culpar os outros. Sou mochileiro, viajo sempre que posoo, e alguns momentos de solidão e adaptação fazem parte do que sou, por isso me identifico com toda esta ”mudança”.
    Desejo sucesso para você, e caso queira entrar em contato, toda ajuda sera bem vinda.

    Abraço velho

  9. Júlia

    nossa, adorei seus posts, porem fiquei um pouco assustada em relaçao as comidas. estou indo fazer intercambio ai ano que vem para terminar o colegio. estou muito ansiosa, mas com muito medo de nao me adaptar…

  10. César

    Cara…..baita post….moro no Rio Grande do Sul, e estou indo para NZ em no máximo 3 semanas, ando pesquisando muito sobre a cultura local, e tentando planejar minha viagem da melhor forma possível, tu me ajudou muito. Valeu tchê. Abraço

  11. Simone

    Adorei o que voce escreveu,estou com duvidas hoje com uma crise espalhada pelo mundo,sei que ja deve ter escrito diversas vezes,kk,mas não tem como fugiu muito,como esta a vida ai,quanto hoje e preciso para se manter ,já que migração não caieta que se trabalhe para que vai estudar,sabe estou em duvida pois tenho um pais mega aberto como a Irlanda, que vc tem ate mais do que eu preciso podendo ficar 1 ano no pais sem nenhum problema e podendo se trabahar em 6 meses 20 horas e os outros 6 meses se pode so trabalhar ou viajar ou ate mesmo fazer um outro curso,mas com esta facilidade se tem muitos brasileiros(com isso mais gente + concorrencia e a moeda que não podemos esquecer tb o custo de vida e considerado perante a europa o mais baixo so que com a crise se concorre com os nativos com isso diminui a oferta para imigrantes.è tenho a Nova Zelandia um lugar que sempre sonhei em fazer,mas tendo o agravante do trabalho como se manter por um tempo tão grande,kkk,desculpa mas realmente eu preciso da visão de alguem que esteja ai vivendo o dia a dia.Não tenho ambição em ganhar dinheiro meu foco e estudar e voltar para o brasil onde tenho grandes chances na minha area hoje se aprimorar o meu nível de inglês,O que hoje vc ver disso tudo ai,pq ate mesmo o pais tb passa por problemas devido ao terremoto e tb não devemos esquecer dos problemas mundias que todos estão sentindo?O que você me indicaria em fazer.Muito obrigada

  12. Ina

    Olá Diogo,

    Já no final qdo vc cita Sartre e Nietzsche, eu pensei: “alguém criou um blog e, em especial, tem uma boa visão de mundo”. Sou psicóloga e terminei meu mestrado na universidade federal do Ceará agora em abil/2011. Chego na NZ dia 18/09/11, vou aprimorar meu inglês, fazer alguns cursos e contatos para doutorado. Moro sozinha desde 17 anos, pois meus pais puderam bancar meus estudos aqui em Fortaleza e isso foi uma grande ajuda e experiência de como-se-virar-sozinha. Foi muito bom compartilhar um pouco da sua experiência, pois eu sempre acreditei que existem pessoas que evoluem e outras não, que continuarão na sua zona de conforto. Espero que possamos nos conhecer aí na NZ. Abraço, Ina.

  13. Tarcisio Penas

    Olá Diogo,
    Parabens pelo teu post.
    revejo o que escreveste em relaçao aos meus compatriotas, que cada vez que estao no estrangeiro so sabem valorizar e comparar o que deixaram para tras, concordo contigo,
    quem nao se adapta, volte e mude o seu pais, caso contrario respeite os locais e faça por se integrar na sociedade e cultura que coabita.
    Parabens pelo teu sucesso de integraçao
    e boa sorte.
    Quem sabe nao te peço concelhos no futuro sobre a Kiwiland
    Grande abraço

  14. obadis souza

    ola diego t ben? cara ei estou pensando en sair do brazil de novo porque eu vivi muintos anos nos estados unidos e agora nao concigo me acostumar aqui entao estou tentando ir p fora mas nao esta facil como e processo de ida ate onde eu sei nao precisa visto mas iai como e na real. me da um alo ok obeesouza@live.com

  15. geovane mendes

    ola diogo,gostei bastante do seu post ,tirou muitas duvidas, ja pesquisei muito a respeito da nova zelandia ,morei nos USA por cinco anos ,minha eposa viveu la por 14 anos tivevos 2 fillhos lindos la.estou no brasil ja a dois anos , nossa readaptacao aqui foi e continua sendo muito dificil ,sou do estado de Rondonia e sempre trabalhei com gado de leite e plantil ,mais no USA aprendi trabalhar na area construcao ,especializando em steel frame . No momento estou em BH trabalhando com steel frame . mais no brasil o salario e muito inferior a de um pais de primeiro mundo , e o custo de vida e mais alto do q no pais de primeiro mundo .Entendo muito de fazenda ,pastagem,maquinario de fazenda, e general farm work ,qual e a possibilidade de conseguir emprego nessa area .agradeco. carolgeo07@hotmail.com

  16. Ana Claudia

    Neste exato momento que escrevo,estou com os pensamentos tão (mexidos),que não encontro palavras para expressa-los.
    Só sei que encontrei seu blog por acaso,fazendo pesquisas sobre turismo na Nova Zelândia.
    Tudo o que escreveu no seu post,é bem parecido com o que eu penso e vivencio aqui no Japão.
    Não sei se é ousadia minha,mais é muito bom encontrar pessoas com idéias e pensamentos parecidos,pois no meu caso,ser e ter Pensamentos tão diferentes,me torna um tanto isolada,e isto é bem contraditório,pois o meu trabalho é diretamente ligado a comunidade brasileira.(Talvez até seja por isso…).Abraços carinhosos e muitas realizações!

  17. Jorge de Lima

    Ótima reflexão, não existe lugar perfeito ou mesmo uma pessoa perfeita, mas uma coisa existe e é bem palpável, essa tal de mudança de comportamento, reclamar menos fazer mais, esse deveria ser um lema nas terras tupiniquins. Parabéns.

  18. Andre Galvao de Oliveira

    Ola Diogo! Estou pesquisando sobre NZ e como muitos ja disseram ai em cima, obrigado e PARABÉNS pela inciativa. O melhor é que voce foi frando e totalmente transparente quanto as opinioes e sua imparcialidade facilita termos uma visao melhor sobre tudo ai. Estou com tudo no jeito pra ir algum tempo em Wellington! Minha pretenção é viver experiencias e evoluir no ingles. Por hora so consegui, permissao pra estudar, nao sei se conseguirei ficar mais que tres meses, estou terminando um curso de engenharia na federal de MT e trabalhei minha vida inteira como músico, guitarrista, violonista e violeiro. E no seu post, voce mencionou sobre bandas e fiquei curioso em saber se voce toca ai? Gostaria de poder ter a oportunidade ter mais contato e se possivel esclarecer algumas duvidas sobre NZ. De qualquer forma, obrigado pelas informações já proferidas em seus post! Abraços. andre.hatores@hotmail.com

  19. Fany Schleich

    Alô Diego,

    Gostei muito da sua glosa.
    Eu morei na NZ, de marco 87 à agosto de 92.
    Foi um tempo maravilhoso, que deixou muita saudade.
    O país é lindo e as pessoas super educadas.
    Meus filhos frequentaram o pré e a escola primária. Excelente.
    Depois, voltamos para a Alemanha, onde moramos.
    Eu sou de opiniao, de que brasileiro que adora o Brasil, (sujeira, promiscuidade e falta de respeito), só gosta de futebol e mulher pelada, deve ficar no Brasil e nao empestiar o país dos outros.
    Pois desejo a você, uma estadia tao aprazível, quanto foi a nossa.
    Abracos,
    Fany

  20. Vivian Paioli

    Olá. Há muito tempo vivo uma grande curiosidade em saber como é viver na NZ. Há poucos relatos, na verdade, e o que soube daí foi mais por amigos que fiz que eram naturais da NZ. Mais recentemente essa vontade de saber como é por querer viver na NZ aumentou em muito. Mais do que as outras opiniões que li por aí, a sua me pareceu mais verdadeira e menos apologista – o que ajuda em muito. Mas ainda assim, gostaria muito de poder conversar com algum brasileiro que fez essa travessia, que quebrou essa barreira. Turismo, intercâmbio, sempre é fácil quando a questão é passear ou investir em um aprendizado de língua, mas, no meu caso, a questão é bem mais embaixo. Bom, fica o agradecimento pela leitura de opiniões sinceras e o desejo de conhecer brasileiros que dividem consigo a experiência.

  21. Zac

    Ola Diogo, em primeiro lugar, parabens pelas palavras super bem pensadas e escritas.
    Nem sei como cheguei aqui no seu blog (pode ser o falta de pressao do trabalho me deixou com um pouco de tempo livre..rsrs) sou um Neo Zelandese nativa, nasci e moro aqui. Eu passei um bom tempo no Brasil e me casei com uma linda mulher Brasileira. Atraves a seu blog eu, finalmente, tenho como explicar como sao as coisa por aqui. Depois varios anos procurando as palavras e contexto certo, eu achei seus. Por examplo, Ela ainda nao entende muito sobre o cultura desse pais (por examplo – mas, vc nao liga? porque nao.. ? vc nao liga com nada! E o meu reclamacao favorito – sem conhecer e olhando so pelas roupas duma mulher, vem a julgamento parace divino “ela e’ uma puta – nao concorda nao? nao.. ? e’ porque vc deve gostar.. e isso sim” – acho que vou imprimir essa e mostrar pra ela. Parace que e’ dificil acreditar que o que os outras pessoas fazem da vida nao interesa mais ninguem aqui, esta na conta deles. Por example, o choque do fato que tem pessoas tomando cargas altas, ou sao pessoas de bem, de respeito, quem abremente fumar maconha e’ um outra desafio que tem que ser explicado por um Brasileiro acustomado ouvir um outra mensagem.
    Tambem achei seu palavras em respeito a gente geralmente sao certas e justos – e’ o famoso ‘live and let live’ culture que pode ser ambos um qualidade e, as vezes, uma praga… Abraco.

  22. Carlos Henrique

    Diogo, li esse post enorme numa “tacada” só e eu tenho que dizer: Você escreve MUITO bem. Eu adorei o texto e a essa hora da madrugada como é aqui e agora, devo dizer que ele foi providencial.
    Você não só esclareceu algumas dúvidas sobre viver na NZ, como estimulou em mim vários questionamentos a respeito de estereótipos, de se identificar por “quem você é” e não por “de onde você é”, além de tirar do senso comum vários outros tópicos.
    É triste ver que alguns resumem o Brasil a Carnaval, futebol e sexo, ou “sujeira”, “promiscuidade’ e desrespeito como definiram o país no comentário acima… Mas tem gente que não evolui nem lendo um texto incrível como esse, ou morando num país de primeiro mundo, não é?
    Enfim, obrigado pelos momentos de reflexão … Já está nos meus favoritos e, com certeza, voltarei ao blog para mais leituras. Há tempos nada me estimulava tanto.

    Abraços

    Carlos

Post a comment

You may use the following HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>