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Archive for the ‘Conta tuuuudddooo!’ Category

Vem ni mim inverno!

Monday, April 6th, 2009

- O vento começa a pegar e eu começo a sentir que o bicho vai pegar em dois meses. Já me equipei com um super edredon e roupas ultra quentinhas em promoção pra segurar a onda.

- Eu realmente não entrei na onda dos Kiwis ainda. Os brasileiros me dizem que por aqui, se um projeto não é entregue por algum motivo ele não foi entregue e pronto. Eu não sou assim. Mesmo que não seja entregue tô lá marcando presença. Tem um projeto grande entrando por aí. Da indústria de filmes da Nova Zelândia. Tô empolgado!

- Minha bateria tá montanda e em breve vou estar tocando igual maluco por aqui!

- Por aqui não existem festas de 15 anos, como a gente tá acostumado. O lance é 21. Fui ao minha primeira festa de 21 anos por aqui no fim de semana. A parada é divertida, familiar e bem importante pra eles. Um formato bem diferente onde todo mundo para, sobe lá, faz o discurso e mostra o tanto que aquela pessoa é importante na vida de todo mundo e deseja o melhor pra ela. Nada de presentinho, bolinho, velinha, parabéns-pra-você e vamo embora pra casa. A coisa é bem bacana!

- Eu tô sentindo falta da minha mamãe. :(

Um pouco dos kiwis

Saturday, February 14th, 2009

Eu achava que o povo no Brasil bebia e era festeiro. Tá, isso não é mentira. Mas chegando na NZ vi que a gente pode ter várias versões da mesma história. O povo Kiwi talvez seja um dos povos mais beberrões do mundo e, talvez por isso ou não, uns dos mais festeiros.

Morando no centro há um mês posso dizer o quanto a vida às sextas e sábados à noite é agitada para os Kiwis. A Courtenay Place, centro das baladas de Wellington, fica empaturrada de gente andando pra lá é pra cá. É proibido beber enquanto na calçada mas é liberado dentro dos bares. Um pouco pra frente do final da Courtenay Place fica a Cuba Street, outro ponto quente nas noites por aqui. Minha casa fica entre as duas ruas mais ou menos e dar uma saidinha pra um jantar te proporciona vários eventos antropológicos interessantes.

É consenso geral que o povo Kiwi é frio. Sim, ele é. E também é consenso geral que é por ser frio é um povo mais complicado pra fazer amizade. Esse ponto eu discuto com fervor. Os grandes amigos da minha vida ficaram no Brasil e isso é fato, tirando Guilherme e Daphne que estão por aqui também. E eu não espero fazer tão bons amigos íntimos em um período curto pois esses mesmos amigos aí de cima estão na minha vida há alguns anos e, entre bons e maus momentos, se firmaram como regulares no meu hall de preferidos. Isso não muda pela cultura e sempre foi desse jeito no Brasil.

O Kiwi está muito mais preocupado com a própria vida do que o brasileiro. E por isso ele é frio. Ele não quer ficar sabendo da sua vida e por isso também não fica falando da dele demais.  Isso parece superficialidade mas, no fundo, é uma postura que me agrada. Ninguém te encara mau nas baladas enquanto você se diverte e dança mal, ninguém fica te julgando pelo que você faz ou deixa de fazer. Tá todo mundo preocupado em ficar tranquilo e curtir suas coisas. O fator urgência é menor pra tudo que eles fazem e isso me desespera às vezes. Mas isso são os que eles são.

Eu não passei grandes dificuldades com as amizades Kiwis, tão reclamadas por todos brasileiros. Entre flatmates, trabalho, bandas e agregados conheci excelentes pessoas que, com o tempo, têm estabelecido confiança mútua e bons momentos por aqui. Quando não entendo meu jeito mais pra frente pergunta se me entenderam errado com a maior calma do mundo. Eu explico, todo mundo fica feliz e vamos falar de qualquer outra coisa. Sem frescura e de boa. As saídas por hora são tranquilas e por hora agitadas mas o grande fato é que, no meio de Kiwis, é sempre divertido. Sentar com brasileiros de vez enquando é bom mas a trivialidade nunca se faz presente e é comum os papos falando bem e mau do Brasil e bem e mau da Nova Zelândia ao mesmo tempo. Eu sou burro e não consigo acompanhar um papo quadrilateral e contraditório assim. Pra evitar angústia, evito.

A maior dificuldade pra mim é ter que tratar como amigão aqueles que são meros conhecidos mas, porque falam a mesma língua que você e entendem suas piadas, acham que são conhecidos de infância. Acontece. Mas o que realmente me aproximou e me fez gostar de poucos brasileiros aqui foi empatia e não conforto cultural. Aproveito os curtos eventos pra cantar músicas brasileiras e continuar regando o meu pé brasileiro que faz parte de mim. Mas eu realmente sou chato e gosto da coisa de descobrir um mundo novo. As amizades brasileiras com certeza são ultra importantes e me ajudaram muito em momentos mais complicadas. Mas, pra mim, taxar o Kiwi de frio, distante e tosco quando o assunto é amizade é um crime porque, no fundo, eles são tão felizes e festeiros pra tudo quanto os brasileiros. :)

O que tem rolado

Sunday, February 8th, 2009

Por hora a vida felizmente se estabilizou e devagar tá assentado, o que é bom por um lado e ruim por outro. Meu quarto filnalmente tomou minha cara e devagar vai se achando uma coisa ou outra pra fazer.

Esse fim de semana foi prologando uma vez que sexta foi feriado e um dos mais divertidos eventos de Wellington passou: o Sevens. O Sevens é um campeonato de Rugby no verão no qual cada time possui apenas 7 jogadores invés de 15 e o tempo de jogo é mais curto. Times do mundo inteiro vêm jogar pelo compeonato. Mas o melhor de tudo não é o jogo e sim a festa que se instala.

Tradicionalmente o público se fantasia de qualquer coisa. As idéias vão das mais estapafúrdias como garrafas e bola de boliche até as mais tradicionais como pirata e super-herói. O fato é que a cidade fica repleta de gente fantasiada andando pra todo lado, bebendo e fazendo a alegria de turistas e dos moradores menos loucos. Ontem saí com o propósito de fotografar mas a querida bateria da minha máquina estava fraca e deu tudo errado.

Dia 21 tem o Carnaval com participação pesada de muita coisa brazuca e eu, felizmente, estarei em Cristchurch vendo o show do Iron Maiden com Guilherme e Daphne. Confesso estar feliz pela viagem e também pelo fato de estar longe da bagunça carnavalesca que eu não sou muito fã.

No mais é o sol se pondo às 21h da noite que tem destruído meu relógio biológico e as aventuras no totó com meus flatmates. :)

Impressões #1

Monday, January 19th, 2009

Há algum tempo venho ensaiando uma série de posts curtos sobre assuntos variados de vivência aqui. Entre eles figura a gravidez na adolescência, sobre como o povo não te “cumprimenta como a gente tá acostumado” entre outros. Mas o assunto desse post é outro.

Vindo pra Nova Zelândia eu ganhei a oportunidade de viver uma coisa impossível tecnicamente. Só aqui é possível viver os anos 80 com 20 e poucos anos de idade. A produção cultural sempre me remete ao bregas oitentistas. Muitas cores gritantes, figuras geométricas e tipografia primária. Essa semana finalizei um site pro trabalho  (Fringe Festival 2009) e vendo o layout do site e surfando pelos links é possível se ter uma boa noção de como as coisas funcionam.

Não é difícil ver Madonna inicio-de-carreira tocando nas baladas, assim como Abba e Cindy Lauper. Os adolescentes produzem músicas baseadas em Crowed House (produção nacional. :P ), Blondie e Hasselhoff. Isso é bom? Ótimo! Aumenta nosso vocabulário. Aqui não existe gente vidrada com som no carro na mesma proporção do Brasil mas toda balada tem um sistema de som na calçada, pra quem tá do lado de fora sentado nas mesmas. Passar pelos lugares é uma experiência retrô das melhores.

É maravilhoso ver como as pessoas aqui se vestem, mesmo sabendo que não é seu estilo. Mulheres com saia ou calça saint-tropez, um chapéu de mafioso e uma rosa na camisa não espanta ninguém. Os homens ficam com a calça apertada e coletes de couro. Isso é normal, bonito e divertido.

Apesar de tudo, pra quem não é dessa onda como eu, é possível achar de tudo um pouco. Eu não saio um dia pelas ruas de Wellington sem ouvir pelos menos quatro idiomas diferentes, além do inglês. Quase todo dia tem um tipo de música difernte em algum boteco. E o bucado de exposição acontencendo concomitantemente num tá no gibi. Uma mistura assim é um prato perfeito pra gente chata como eu que quer sugar o máximo que pode de diferente do mundo. :)

Assim que tiver um tempinho eu volto pra contar mais coisa. :D Perguntas são bem vindas e me ajudam a aprofundar o assunto!

Viagem pela Ilha Norte

Wednesday, January 7th, 2009

Semana e meia de folga, as coisas caminhando bem e resolvi dar uma banda pela Ilha Norte pra conhecer um bucado melhor do país. A idéia era a mesma: pegar o carro e sair batendo de cidade em cidade. A rota inicial tava definida e o plano era chegar até Cape Reinga, na extrema ponta norte. Mas, como vou contar mais pra frente, as coisas não foram assim.

Como sempre, se você não aguenta mais pra ver as fotos, clique aqui.

A viagem começou em Napier, cidadezinha pequena no leste da Ilha Norte. No  caminho dei um pulo em Taumatawhakatangihangakoauauotamateaturipukakapikimaungaho – ronukupokaiwhenuakitanatahu, o monte que possui o maior nome do mundo. Aliás, nessa viagem eu aprendi coisas fantásticas sobre a cultura Maori. Uma delas é que, como eles não possuiam língua escrita, as histórias eram contadas nos nomes das coisas. Esse nome fala sobre o guerreiro que perdeu um irmão numa batalha pela região e todas as manhãs ia lamentar sua perda tocando e cantando no topo do monte.

Napier é uma cidade bunitinha até falar chega e com muito a mostrar sobre Art-Decô. Em 1931 a cidade sofreu um terremoto pesado, assim como Wellington, e foi totalmente reconstruída. É possível encontrar vários marcos e placas falando sobre o terremoto e a reconstrução da cidade. Uma tarde na beira da praia é uma agradável pedida com bons amigos.

No dia seguinte saí em busca de Taupo e Rotorua. Taupo é uma típica cidadezinha praiana, apesar de estar na beira de um lago. O maior lago da Nova Zelândia possui várias atrações bacanas, atrações essas que acabaram por me confundir e minha tristeza ficou em não conseguir fazer tudo que queria por lá. Tudo é muito caro também, diga-se de passagem. Por lá vi o Craters of the Moon – planície com vários geisers soltando vapor o dia inteiro – e Huka Falls, uma corredeira pra lá de bonita que me deixando babando por alguns minutos. Mais empolgados que eu só os Indianos que grivatavam como loucos pelos mirantes espalhados ao longo da corredeira.

Se eu soubesse que ia encontrar o que encontrei em Rotorua teria deixado o Craters of the Moon pra trás e teria ido ver o Maori Rock Carvings, se o meu dinheiro deixasse. Roturua possui uma fantástica rede de geises em parques no meio da rua. A experiência de dirigir e ver uma rua embaçar inteira em dois minutos de uma forma que você não enxerga um palmo na frente do carro é fantástica. Alguma coisa acontece debaixo da terra e todo mundo resolve cuspir vapor de uma vez. O preço pra isso é ficar cheirando enxofre o dia inteiro. A cidade cheira à uma quarta-feira à noite, num quarto abafado, com três dos seus amigos mais flatulentos após um almoço servido de ovo e feijão. Todavia, foi lá que visitei o Te Puia, centro de cultura Maori na Nova Zelândia onde aprendi muito sobre os nativos. Lá também vi um geiser cuspindo água há quinze metros de altura e vi uma apresentação Maori que me deu arrepios em alguns momentos.

Depois disso fui pra Whakatane. O que tem em Whakatane? Um cinema. Fora isso, você tem que pegar um barco e ir pra White Island. Lá sim o bicho pega direito! A White Island é o único vulcão ativo da Nova Zelândia e você pode passear o quanto quiser por lá, desde que pague um barco e um guia autorizado pra te levar. Eu fui? Não. Fiquei dois dias em Whakatane e a minha chuva de estimação ficou por lá, lavando tudo o que podia. A chuva tava tão feia que os barcos foram cancelados. Eu desisti e fui rumo a Coromandel na manhã do terceiro dia, após outro cancelamento.

No caminho de Coromandel, ainda com chuva, dei uma pausa em Mt. Manganui e Tauranga. Duas cidadezinhas pequenas em volta do Monte Manganui, com praias super bacanas. Foi só uma parada rápida pra um almoço. O destino final tava mais ao norte.

Após redescobrir os meus devidos destinos com ajuda do GPS fui parar em Hahei Beach e Cathedral Cove. A melhor descrição é “Puta que pariu!”, com cara de bobo. O lugar é absolutamente fantástico. Sentei em Hahei Beach por quase uma hora e fiquei babando no que estava vendo. Saí de lá empolgado para Cathedral Cove. Fim de ano e a minha chegada lá não foi das mais feliz. A farofada estava presente, e por algum motivo besta que não sei qual não achei tanta graça. Vendo as fotos depois não entendi como não me maravilhei com aquele lugar. Algo tava errado, mas fui pra Coromandel City arrumar um lugar pra passar a noite.

Como fim de ano, não havia vaga em backpacker algum. Após oferecer ajuda para duas brasileiras que tiveram o vidro do carro quebrado e o celular roubado, resolvi puxar os planos um dia pra frente e chegar em Auckland antes. No meio do caminho, programando as coisas no GPS pra ir pra Aucklando vi o botão “Go Home” e percebi que era bobagem continuar viajando sozinho com saudade da mãe e dos amigos pra poder dividir aquilo tudo. Passei uma noite em Otorohanga, vi um Kiwi solto na natureza, e voltei pra Wellington no dia seguinte. :)

Aqui vão alguns panoramas que fiz pela viagem:

Napier Port
Lake Taupo
Hahei Beach
Coromandel Peninsula

So pra dar noticia

Wednesday, December 24th, 2008

- Postando do trampo novo, sem acentos, porque o teclado e ingles e no Mac. Extremamente feliz com o trabalho e com a empresa. Galera super bacana e aquele gostinho de que vou aprender um bucado e poder fazer um monte de coisa foda. Vamo que vamo!

- Natal vai ser bacana e com o gostinho de familia. Daphne e Guilherme vao receber Chico, Nara, Rodrigo e Monica para uma ceia de dar inveja. Eu ja sou hospede permanente e estarei la tambem com meu ultra-presente-surpresa para o amigo oculto que vai rolar tambem de surpresa. :)

- Falando em hospede permanente eu consegui um flat aqui no centro, a mais ou menos 18 passos do trabalho. Uma casa bacana que dividirei com 5 kiwis dos mais variados tamanhos e tipso. Nesses ultimos 5 meses Daphne e Guilherme foram anjos mas, por palavras do Guigui “desmamei” e tenho que achar meu cantinho e dar folga pra eles. Valeu queridoes. :)

- Os exames medicos que citei no ultimo post eram pra imigracao (nao! eu nao estou doente!) e agora ta tudo certinho. :)

- Pro ano novo eu planejei primeiro ir pra Samoa no dia primeiro de janeiro, chegar la em 31 de dezembro e ter o segundo reveillon. Me atrapalhei, deixei pra muito tarde e a passagem dobrou de preco. Virei meus olhos pra Sidney. A imigracao Australiana exige que o visto seja aplicado na embaixada com antecedencia, antes da saida do pais de origem. Processo de uma semana. Resolvi em cima da hora e com as festas do fim de ano chegando fiquei com medo de dar errado. Resultado: As duas semanas de folga do fim de ano vao me render uma volta gigantesca na ilha norte e passar o reveillon em Auckland. :) To de volta dia 4 com muita historia pra contar, espero.

- A Nova Zelandia tem o primeiro nascer do sol do mundo (isso em Gisborne, onde eu vou passar na minha viagem) e provavelmente nao o primeiro Natal (uma vez que o marco zero deste esta no oriente medio). Ano que vem vou tentar ser mais frequente por aqui! Espero a todos um ano fabuloso e que em 2009 a sua vida seja linda como o pais que me acolhe agora. :)

Viagem pela Ilha Sul

Friday, October 24th, 2008

Eu demorei três semanas pra postar sobre a minha viagem e eu não sei o porquê. Acho que tava digerindo, ou sei lá. Sem dúvida foi um dos melhores investimentos desde a minha chegada à Nova Zelândia. Valeu cada momento e até as raivas passadas. Mesmo. :) Não assuste com superlativos e elogios exagerados, por favor.

Se você é fominha e não aguenta mais esperar pra ver as fotos, clique aqui. Eu vou linkar de novo no fim do post.

Segunda, dia 29 de setembro, saí de Wellington sozinho e com mochila nas costas, com o plano de estar em Dunedin na segunda seguinte, dia 6 de outubro. Alguns pontos planejados na cabeça mas a grande maioria do percurso foi definido duas horas antes de sair da onde estava. O trajeto final pode ser conferido clicando aqui.

Segunda eu saí aqui de Wellington cedinho e peguei o Ferry que iria pra Picton. A idéia do dia era desaguar em Picton, pegar um trem e ir até Christchurch. A viagem do Ferry num dia de sol é sensacional. Peguei um pouco de vento, o que impossibilita as melhores vistas do deck superior, mas mesmo assim a brincadeira já foi bacanuda. O trem, que desce pela costa leste da ilha sul até Christchurch também faz a graça e nos dá belas paisagens da parte central da ilha. No fim da tarde cheguei em Christchurch cansado, mas animado com o começo da viagem.

Christchurch

Christchurch é a segunda maior cidade da Nova Zelândia com 414 mil habitantes, um pouco mais que Wellington. É uma cidade bem antiga com um grande contraste entre pontos históricos e prédios modernos. Meu planejamento era pegar o carro às 10h do dia seguinte pra seguir pra Wanaka. Dei uma volta pela cidade à noite e acordei cedo pra andar mais. Christchurch é uma cidadezinha muito confortável e gostosa, mas às 9h da manhã de terça-feira a cidade não parecia ter acordado e me agoniou ver uma estrutura gigante com tão pouco carro e gente nas ruas. Tem seus pontos positivos, mas a cidade é bem parada para os padrões que estou acostumado. Até mais parada que Wellington, que dá mais opções a qualquer hora do dia. Aliás, cidades fechadas depois da cinco da tarde é uma coisa normal na ilha sul.

Após a caminhada matinal fui pegar o carro. Um Toyota Corolla apelidado carinhosamente de Corinha pelo caminho. Aliás, viajar sozinho te faz parecer louco. Você dá nome pro carro e se diverte conversando e fazendo raiva no GPS. Saí de Christchurch com farol apontado pra Wanaka. Yupe!

Estrada e Wanaka

Minha terça foi carinhosamente batizado como um dos dias mais felizes da minha  vida. Vi paisagens e passei momentos comigo mesmo que me fizeram me sentir feliz, ridículo e maravilhoso ao mesmo tempo. Música alta, cantoria e cabeça trabalhando do jeito dela. Passei por inúmeras cidadezinhas super bacanas até que trombei com o Tekapo e o Pukaki. Dois lagos que pagariam a viagem por si só. Fiquei sentado olhando pras paisagens maravilhosas dos lagos até perder noção do tempo. Voltei pro carro e segui viagem. E tinha muita coisa pra vir ainda.

Wanaka é uma cidade essencialmente turística, com 4.500 habitantes. A cidade fica na beira do lago Wanaka que também é uma vista absurdamente maravilhosa. Na chegada do fim da tarde sentei na beira do lago e comi um típico Fish & Chips enrolado no jornal. Puta frio mas com uma sensação maravilhosa de comer aquela coisa gordurosa de frente pra aquela vista gordurosamente maravilhosa (nuh!).

À noite planejei que iria passar em Cardrona no dia seguinte e me aportar em Queenstown por dois dias. Sem dúvida a decisão mais equivocada de toda a viagem.

Cardrona e Queenstown

Cardrona não chegar a ser uma cidade e sim uma região de Wanaka. Possui uma  estação de ski famosa (que não pude subir porque carros 2×4 tinha que ter corrente nas rodas pelas condições da estrada) e um hotel bunitinho. Meu almoço foi no jardim do restaurante do hotel, numa mesa de madeira velha, com cheiro de lenha queimada e o solzinho suave pra dar uma esquentada.

No começo da tarde cheguei em Queenstown. Cidade apertada, cheia de carro e gente. Gente falando português, alías. Qualquer semelhança é mera coincidência.

Queenstown é a capital de aventura da Nova Zelândia. É a terra dos empregos temporários. Prato cheio pra quem quer tentar a vida fora do Brasil. Dica? A Nova Zelândia não te dá condição de fazer dinheiro. Tudo é caro e a imigração tem muito pouco trabalho, o que facilita a fiscalização. Se você tá pensando em tentar a vida aqui com emprego temporário e enganando a imigração, vide fronteira do México.

A minha experiência em Queenstown foi pífea. Pra começar na chegada na cidade cismei de conhecer uma ponte histórica que não achei. Fui retornar, me confundi com a marcha automática e fiz uma cagada considerável. Fui ajudado por uma galera e felizmente tudo deu certo no final, sem danos pro Corinha. Não sei porquê cargas d’água cismei que tinha que ficar em Queenstown mais tempo. Já tinha reservado o backpacker pra dois dias e não pude voltar atrás. Sugiro uma passagem pela cidade, subida na gôndola e rume para outra cidade. Se você não quer  pular de bungy ou descer corredeira existem outros lugares que vão te fazer mais felizes. Acabou que passei o segundo dia indo à Glernorchy, Arrowtown e Crownel, o que amenizou a raiva com os brazucas de Queenstown. Vi uns spots do Senhor dos Anéis e um monte de coisa bacana e voltei feliz pelo o dia de amanhã, que apontava Milford Sound! :)

A propósito, umas das maiores raivas de Queenstown foi o povo me chamando de Selton Melo pra todo canto. E uma boa sugestão é não pedir o pão de queijo no Café Brasil. É uma droga. E você é bem mau atendido.

Milford Sound

Saindo cedo de Queenstown e dirigindo cinco horas cheguei a Milford Sound. Meu  post no twitter do dia dizia que, Deus pode ser brasileiro mas ele com certeza mora em Milford Sound. Puta que pariu! Que lugar maravilhoso! Eu realmente não tenho como explicar. Uma paisagem maravilhosa que me deixou sem saber o que sentia ou pensava. Peguei um dia nublado que pelo visto tem um gosto diferente, mas o dias limpos devem ser tão maravilhosos quanto! Vi pinguin, golfinho e foca por lá. E pra minha sorte no barco conheci a Milena que me deu informaçõe especiais de Milford Sound e o Igor. Os dois trabalham em Milford Sound e esse fato esse faria da minha noite uma das coisas mais agradáveis que podia ter.

Igor é mineiro, sotaque difícil por essas bandas, o que me fez ficar à vontade. O casal foi duma simpatia e  receptividade extrema. Me apresentaram os bastidores de Milford Sound e ficamos batendo papo pelo fim da tarde. Até que me deram a idéia de ir até o Haddford Valley, dormir no Murray Gunn’s Camp. Acabou que eles foram comigo e ficamos à noite batendo papo, lambendo carvão mineral (isso só eu que fiz…) e tomando sopa. No dia seguinte saímos às 6h, eles pra trabalhar e eu pra Invercargil, feliz da vida com o dia anterior.

Invercargill e Bluff

Eu cheguei na ponta da Ilha Sul no Sábado. Invercargill é uma cidade pequenininha, antes de Bluff, última cidade antes da Ilha Stewart. Passei o sábado passeando pela cidade e fui até Bluff, pra chegar no ponto mais sul da minha vida. Ponto esse que seria substituido no dia seguinte, no Slope Point. Os ventos nas duas cidades fazem o vento de Wellington parecer brisa.

Southern Scenic Route e Dunedin

No domingo acordei de manhã dei meu último pulo em Bluff pra poder pegar o caminho para Dunedin. O GPS apontou o caminho mais fácil e rápido mas é lógico que eu ia fazer raiva nele. As placas indicavam o caminho pela Sourthern Scenic Route, estrada nem toda asfaltada, mais longa e complicada e isso também significava mais bonita e divertida. E também couro pro Corinha. :P

Pra minha sorte uma rádio da Ilha Sul passa os domingos tocando rock antigo. Led Zeppelin, Deep Purple, Pink Floyd, The Doors e compania limitada. Saí de Bluff às 10h e fui chegar em Dunedin só às 17h da tarde, por um caminho que se feito no jeito GPS dura 3 horas. O meu último dia foi ao som de Rock’n'Roll das antigas, paisagens fodásticas e comida gostosa. Nada podia ser melhor. :)

Dunedin fechou o dia com chave de ouro. Uma cidade com cara de grande mas também com o típico ar de interior que a Nova Zelândia tem. Bati papo com o suíço que tava no meu quarto e fomos dar uma volta pela cidade à noite. Voltamos e conhecemos duas belgas que estavam fazendo o caminho inverso ao meu pela ilha sul. Trocamos as experiências e as recomendações, demos boa noite e cada um foi pro seu canto. No dia seguinte fui dar uma volta na ponta de Dunedin que tem uns Albatrozes e convidei o suiço. Expandi meu vocabulário de Switzerdeutsch e ganhei chocolate suíço, feito e comprado na Suíça, com inscrições em alemão, italiano e françês. Nada de inglês. Nada de importação. Presente pelo passeio. EEBBAA!

Depois disso era Aeroporto de volta pra Wellington.

A volta pra Wellington

A viagem foi bacanuda mas a vontade de chegar em casa e dar uma descansada também era grande. Daphne e Guilherme estavam aqui curiosos (eu não sou do tipo que gosta de dar notícias quando dá a louca de viajar) e eu também estava com saudade deles. Chegar aqui no fim da segunda dividir as experiências e contar o caso pra eles e fazer raiva no Camilo mais tarde por causa dos 4 a 1 que o Grêmio tomou do Inter foi revigorante. :)

Antes do final é lógico que no aeroporto do Cristchurch na escala pra Wellington um casal tinha que gritar do outro lado do salão que eles viram o Selton Melo. Eu liguei o modo filho da puta, fiz que não sabia português e ganhei meu dia e fiz a alegria da minha amiga de vôo. :D

Agora falta a costa Oeste e a Ilha Norte. Em breve. :)

Como prometido, aqui vai o link de novo para as 97 fotos que tirei pelo caminho. :)

Bungy! WOW!

Sunday, October 12th, 2008

Felizão!Foi meu aniversário dia 27 de setembro. A gente saiu rumo à Turoa pra tentar esquiar mas o dia não tava bom e a gente acabou passenado por Ohakune tentando arrumar comida. No fim do dia, após espancar meus caros anfitriões na sinuca, fui presenteado com uma nota de 1 dólar (americano) com os dizeres “Vale um pulo de Bungy! Parabéns!”. Yay! Só alegria.

Eu não sou cagão pra nada, mas deu frio na barriga. Até você ficar na horizontal a única coisa que você pensa é “Fudeu, fudeu, fudeu”, mas é só virar de cabeça pra baixo que a cabeça esvazia e é só alegria. O indicador de adrenalina vai no talo e o grito sai sozinho. Após isso Daphne e Guilherme se juntaram a mim e a gente ainda vez o Flying Fox e se divertiu à valer.

Se você gosta de frio na barriga vai nessa. A parada é segura e a diversão é garantida.

Pra ver as fotos da brincadeira clique aqui. Guilherme fez um vídeo mas ele ficou gigante e vai demorar até subir pro YouTube. Assim que for, coloco aqui.

Sábado de manhã pedalando

Saturday, September 13th, 2008

Após uma semana emocionante de chuva, vento e impossibilidade meterológica de ser feliz hoje fez sol. Peguei a bicicleta às 7h, coloquei o iluminador de bunda na cintura (lê-se plástico fluosforecente/reluzente pra poder ser visto) o capacete e fui passear.

Pra começar a parada 17 km foi muito bacana. Empolguei e tirei várias fotos, que tão aqui embaixo:

Cuidado! Pinguins! Vista do Wellington #3 Poesia Canhão
Arte Maori Vista do Wellington #4 Homenagem Plane/Boat/Seagle
Porto #4 Vista do Mirante Porto #5

O caminho que eu fiz foi esse aqui abaixo:



Ver mapa maior

Tô mortin de cansaço, mas felizão. :)

Steve Smith

Monday, September 1st, 2008

Hoje tive a felicidade de participar do Steve Smith Kit World Clinic Tour, no Capital E  aqui em Wellington. Steve Smith é um dos meus batera referência e fui lá ver o cara de perto. O Workshop foi foda e eu fiquei empolgadão, bateristicamente falando!

Baterista é bicho bobo em todo lugar do mundo. O WoDá-darátipum dapadádapadárkshop de uma hora e meia não rendeu por ficarem presos em perguntas bobas como “o tamanho dos tambores” e “que pratos ele prefere”. Isso é informação que qualquer um busca na internet. Não quis fazer nenhuma pergunta porque não sobrou gancho nenhum que me desse um insight. Pelo que sei, no Brasil acontece o mesmo. Ninguém consegue chamar nada profundo dos caras fodas e se atêm a coisas bobas e descartáveis. Todavia, foi ducaralho. Voltei empolgado pra estudar bateria e re-ouvir minhas músiquinhas que o mundo não compreende.

Tudo bem. Trinta anos de prática é coisa pra caramba. Mas, com o perdão da palavra, PUTAQUEOPARIU. Lindo o que o cara faz. :)

Música música música! Tô freak agora. LALALALA!