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Archive for the ‘Conta tuuuudddooo!’ Category

Afinal, como é viver na Nova Zelândia?

Monday, June 22nd, 2009

Já algum tempo venho ensaiando esse post por aqui. Agora com aproximadamente 11 meses de Nova Zelândia, vivendo e trabalhando com kiwis já por algum tempo acho que agora possuo uma visão da terra e do povo criada por mim mesmo e menos preconceitualizada pelo que ouvia dos brasileiros por aqui.

Galera no Waterfront em Wellington, por Victoria Evans

Esse post com certeza vai ser longo e reflexivo. Provavelmente chato e nojento em alguns momentos. Entre anotações que faço no dia-a-dia de coisas curiosas, lembranças de momentos diversos e papos com outros estrangeiros que não brasileiros resolvi que tenho que compartilhar uma visão que até então não vi por partes dos brazucas que comentam sobre como é morar na Nova Zelândia. Eu pretendo falar mais profundamente sobre os assuntos “pessoas” e “adaptação humana” no meu outro blog, o Wimps-Hurra, que é onde eu despejo as minhas loucuras filosofais. Tentarei me ater ao aspecto estrito da aventura estrangeira por aqui, mas com certeza alguma opinião mais pessoal vai vazar. O que considero um ponto forte do que vou escrever aqui é o fato de que eu não me atenho ao saudosismo, não possuo a mínima vergonha do erro ou medo do escárnio e acredito que a melhor forma de enfrentar os problemas é com 90% transpiração e 10% inspiração. Reclamar menos, fazer mais.

No fim das contas isso também é um pouco desabafo de tudo que me dá raiva por aqui. E na verdade o que mais me dá raiva aqui é exatamente o que me dava raiva no Brasil.

Princípio

Pra mim não existe tal conceito como certeza, verdade ou qualidade quando o assunto é cultura, tanto no aspecto social quanto no pessoal. Somente a constatação da diferença.

A análise cultural num ambiente tão diverso quanto a Nova Zelândia é extremamente complicada. É um país de história com origem nas tríbos pacíficas, colonizado por ingleses e onde hoje 23% da população não é nascida aqui. Isso é aproximadamente um quarto de um país que, nativamente, não tem suas raízes aonde mora. Dentro desses imigrantes a grande maioria é asiática o que gera um choque instantâneo para nós americanos e pros kiwis que somos todos ocidentais.

Sendo assim essa análise feita por mim diz respeito somente à minha verdade, às minhas constatações e são baseadas puramente na minha experiência. Qualquer discordância quanto a isso simplesmente a enriquecerá.

Os brasileiros

Eu não escondo de ninguém que o mais me enche o saco na Nova Zelândia é a teorização e a comparação constante entre o Brasil e a Nova Zelândia e a reclamação por parte dos brasileiros por motivos exdrúxulos. E, como disse, coisas como o comodismo, a falta de respeito, a tentativa de imposição cultural e a hipocrisia por parte desses é o que mais me irrita por aqui. Exatamente o que me fez querer tentar alguma coisa fora do Brasil. E talvez me irrite mais por ver que vez ou outra eu entro nesse bolo de coisas idiotas e as coloco em ação sem ver.

Existe um curso comum de conversa nos encontros brazucas que eu chamo de opinião quadrilátera. A mesma pessoa numa janela de cinco minutos fala mal do Brasil, fala bem da Nova Zelândia, fala bem do Brasil, fala mal da Nova Zelândia. Quatro sentimentos diferentes em uma só linha de argumentação.

Daphne e Guilherme passaram três meses no Brasil e, com isso, meu contato com a  comunidade brasileira deu uma cortada, uma vez que eles sempre me convidam pra um evento ou outro. Sinto falta dos dois mas o afastamento veio a calhar. Muitas coisas bacanas rolaram e pude ver que existe uma vida muito boa além do conforto. Ultimamente eu tenho me isolado da comunidade brasileira. Foi o mais saudável pra mim. A opinião da por lá nunca muda. A visão de tudo, não importa quanto tempo passe, é sempre a mesma. E, a minha só mudou, quando parei de ficar pensando fui ver de qualé.

Normalmente as pessoas se unem por afinidade. Comumente os brasileiros por aqui adquirem uma intimidate monstro após uma noite de papo. Porque? Por que vocês entendem as mesmas piadas, falam de Chaves e conhecem o Louro José. A  afinidade sai do seu espaço pessoal e se estabelece pela interseção cultural. Isso é importante pra quem chega e fica deslocado. Isso é importante pra quem precisa do conforto inicial. Mas chega uma hora que se você não acorda, se atrofia e se torna um opinador quadrilateral num grupo fechado e o enriquecimento cultural fica restrito, o que cai num círculo vicioso que te definha. Esse tipo me inspira a infelicidade eterna e nunca vai conseguir gozar plenamente do que cada lugar tem de bom pra oferecer uma vez que vive dentro de um espaço já conhecido.

A experiência do mercado de trabalho Kiwi por partes dos brasileiros por aqui é meio discutível. São poucos os que realmente traçaram um plano profissional interessante, pesquisaram mercado e tudo mais. Eu não fui um desses. O meu processo foi tentativa e erro. E quando me perguntam o que eu fiz eu não consigo acreditar em nada que eu digo. No fim das contas a gente dá de amigo, torce pelo sucesso alheio e fica em paz. Vez ou outra vejo que os conselhos que ouço por aqui são uma tentativa de passar pra frente uma idéia própria frustrada pra ver se ela dá certo com outro alguém pra que a pessoa se sinta bem consigo mesma. É eu já percebi que é isso que faço e me odeio por isso. E isso é perigoso pra quem ouve.

Depois de todo esse tempo e vários encontros eu diria que possuo talvez dois ou três brasileiros os quais eu realmente me importo e chamo de amigo. Além disso, Guilherme e Daphne felizmente já se tornaram pessoas queridas antes da Nova Zelândia estão em outro patamar pra mim, e por aqui são minha família. O fato de que não chamo os outros brasileiros de amigo de verdade não se dá por que são pessoas ruins ou algo do tipo. Simplesmente são pessoas as quais não tenho afinidade, mesmo que sejam pessoas bacanas. Com certeza eles se encaixam no conceito de irmandade. São pessoas queridas que curto estar por perto de alguma forma e nunca deixaria-os na mão numa ocasião necessária. Mas por tudo descrito acima prefiro um pouco de distância.

No fim das contas, se você é um brasileiro que ama o Brasil, que ama a cultura, que não consegue se imaginar longe da terra mas pretende sair porque não aguenta mais a corrupção, a falta de respeito ou coisas do tipo e, depois de um ano fora, não conseguiu se sentir feliz por favor pegue o avião e volte. Não só na Nova Zelândia. De qualquer lugar do mundo. Dificilmente você vai ser feliz se você sair da sua cidade, mesmo dentro do Brasil. Se você não acha que você tem a mínima capacidade de adaptação a melhor coisa que você faz é aceitar isso, se fechar na cápsula, e talvez trabalhando nesse conceito você se sinta menos infeliz de estar longe do seu travesseiro.

As amizades

O chavão preferido da galera por aqui é que “o Kiwi é frio”. Meu, cadê esse Kiwi frio que eu não conheci até hoje?

A galera confunde. Os grandes amigos da minha vida são de longa data. Três, quatro anos ou mais. E quando paro e penso como a nossa amizade era quando os conheci vejo que nada é diferente. Todas as pessoas novas que conheci por aqui tão por ali também, na mesma área da “frieza” inicial. Em algum momento a amizade cresceu, a confiança se estabeleceu e aí sim a coisa se criou.

O lance é que quando a gente chega rola o vazio. Falta aquele alguém que já te conhece sabe o que vocês gostam de conversar e fazer e pá-pum. Aquela coisa de achar o fator comum e encaixar as coisas é morosa e penosa ainda mais com pessoas cuja a base cultural não é a mesma. Quando você conhece as pessoas daqui, elas falam sobre os programas daqui, os livros da cultura inglesa, os músicos prediletos de todos os tempos da Nova Zelândia. E você boia. A coisa piora porque você quer desesperadamente preencher aquele vazio dos seus amigos de anos atrás que ficaram do outro lado do mundo. E aí, pra se sentir tranquilo, você acredita que a culpa é dos Kiwis, que você é super interessante é eles que são frios. Tudo porque você não é capaz de se encaixar num grupo e ter paciência pras afinidades acontecerem.

Um dia, num pub, batendo papo com o suíço que trabalha comigo ele, bebâdo, virou pra mim do nada e perguntou: “Diogo, o que você acha mais bacana nos Kiwis?”. Eu pensei e disse: “Não sei o que é. Mas é alguma qualidade que me deixa confortável pra fazer o que quero sem sentir que tem alguém preocupado com a minha vida”. Ele riu e disse: “Já reparou que eles não tem inveja?”. Puta. Ali o meu mundo brilhou. O Kiwi não tem inveja. Ele não esnoba. Ele não se intromete. Ele cuida da vida dele e da família dele. Ele faz o que ele gosta e não insiste se te convida e você não vai. E daí parece que ele não se interessa. Mas hoje, depois de meses de contato e convivência, tenho gente que me liga tarde da noite porque brigou com a namorada e precisa de alguém pra conversar no pub. Ou num sábado à tarde porque uma figura em outra cidade viu um filme e lembrou dum papo que a gente tava tendo a dois meses atrás. Os meus flatmates sempre querem saber como estou, se dispõe a ajudar de coração a todo momento com as dúvidas do inglês e do país, sempre sacam quando meu humor não tá dos melhores e se dispõe a conversar caso eu queira, entre outras coisas bacanas. E aí eu vejo que o caminho da confiança mútua tá aberto que a coisa só vai crescendo. Nínguém é intrusivo, mas sempre presente. Só depende da minha abertura pra isso. Daí o vazio começa a ficar cheio e você se sente bem.

E, pra fechar a conta, o Kiwi faz pro outro de graça com uma qualidade tremenda, e não pra aparecer. Fácil de ver isso é o tanto de trabalho volutário que entorna em todo canto e o tanto que é fácil bater longos papos com estranhos na rua. E daí eu reparei que todo mundo se abraça. Todo mundo brinca. Todo mundo se chama pra os eventos. E eu passei a abraçar todo mundo. A brincar com todo mundo. A ir aos eventos. E, de frio, só fica o vento de Wellington.

Os restaurantes

Esse é simples, curto e rápido: as chances de você conseguir algo que remotamente te lembre a comida brasileira aqui é aproximadamente nula. A única coisa que a impede de ser totalmente nula é que você pode cozinhar em casa. Se você não cozinha bem como eu é nula. As únicas semelhanças atendem pelo nome de MacDonald’s e Subway e afins. Fora isso, esqueça. E isso, na minha opinião, é uma das coisas que mais força o seu senso de adaptação. A comida tem pouco sal e muita gordura. O café da manhã sempre vai ser mais gordo que o almoço, e a janta sempre é baseada em só um prato. Picanha, feijoada ou frango assado com quiabo nem pensar. Mesmo.

Típico café da manhã Kiwi, com bacon, ovo, tomate, hasbrown (uma espécie de purê de batata frito) e torradas. Foto por “gwgs”

Depois de algum tempo eu já nem me importo muito mais. Só intolero a presença do abacate nos pratos salgados e do maldito-vindo-diretamente-do-quinto-círculo-do-inferno Vegemite.

Fora isso as cozinhas vão fechar por volta das 20h. Em alguns casos raros 21h, 22h. Depois disso só o Kebab dos turco, tira-gosto em raros lugares e bebida a rodo. E não adianta espernear na frente do restaurante, xingar as dezessete gerações do Capitão Cook ou exercer o seu instinto de assassino. Saia mais cedo de casa ou passe raiva e fome.

E não. O Kiwi, a fruta, não é a principal coisa do cardápio e só mais uma fruta pra eles. E é uma fruta chinesa.

O custo de vida

Sim. É mais caro. Tudo é mais caro. O quilo da maçã vermelha é quatro dólares, aproximadamente cinco reais. Feijão é um absurdo. Um jantar num restaurante marromeno dá uns trinta dólares por cabeça. O aluguel é caro. Se você fuma, se fudeu, porque cada maço é pra lá de dez dólares (bem feito, haha!). O transporte coletivo é uma facada. Luz é um pouco mais caro, mas não muito. Internet, pelo que vejo, é mais barata e melhor na maioria das vezes, mas com limite de transfêrencias. Telecomunicações em geral acaba dando uma empatada com o que sei do Brasil dependendo do caso.

Mas:

a) Eu entendo que tudo o que é importado, aqui, é mais caro, uma vez que a gente tá no canto do mundo e tudo vem de navio. A Nova Zelândia não produz quase nada, o que força a coisa. Coisas produzidas aqui como leite, uva, o kiwi e carne de ovelha não são tão caras assim. A maioria das vezes é absurdo quando comparado ao que estava acostumado em Belo Horizonte, mas no fundo faz algum sentido.

b) Eu ganho hoje aproximadamente cinco vezes o que ganhava no Brasil. E eu quase nunca pago cinco vezes mais caro por alguma coisa aqui. Se eu dividisse um apartamento com o mesmo perfil do que moro aqui no Brasil eu pagaria aproximadamente metade do que pago aqui, incluindo contas, eu acho. Talvez mais. O meu gasto pra alimentação é uma vez e meia o que eu gastava no Brasil. Eu pago (caro, 80 dólares por mês) academia, faço curso de língua, música, compro roupa quentinha que é uma coisa cara aqui também, vou pro cinema direto. Isso tudo era bem comedido e planejado no Brasil. Fora isso, passeio fim de semana e como super bem tanto fora quanto no apartamento. Um terço do meu salário vai pro governo. A cidade é limpinha, segura, com as estradas fodonas e com todos os serviços governamentais funcionando rendondinho. E ainda sobra grana pra pagar processo de residência, comprar bateria e viajar no fim do ano. E se bobear tentar fazer um snowboard de novo nesse inverno.

E essa é uma matemática que me interessa e eu isso não me deixa reclamar de preço de nada. Pelo contrário.

A cultura e a discriminação

Se você não sabe existe uma diferença entre a escola inglesa e a escola francesa.

Na escola francesa, que é a usada no Brasil, a multidisciplinaridade é a lei. Você aprende de tudo mas com nem tanta profundidade. Por isso você estuda todas as matérias até o terceiro ano do colegial.  Na escola inglesa você estuda todas as matérias até um certo ponto. Dali em diante você escolhe se vai cair pra Artes, Humanas, Exatas ou Médicas. E vai estudar mais as matérias condizentes com a sua escolha, o que vai refletir diretamente na sua escolha de faculdade. Você estuda poucas matérias, mas com maior profundidade.

Pelo que notei por aqui, comumente os latinos (incluindo espanhóis, portugueses e franceses) tem uma visão mais abrangente de mundo e de assuntos gerais, enquanto os europeus tendem a saber mais da sua área de atuação e serem um pouco mais alienados quanto ao resto. Surpresa! Exatamente o que era de se esperar, tendo em vista a constituição básica da vida acadêmica.

Eu, no início, me magoava quando as pessoas achavam que eu falava espanhol, não se interessavam pelos aspectos culturais que eu acho foda no Brasil, entre outros. E percebo que existe uma grande mágoa por parte dos outros brazucas por causa desse desinteresse deles também.

Depois vi que, não adiantava o quanto eu falasse, existia uma falta de base por ali. Há umas duas semanas atrás uma amiga chegou e falou duma forma super bacana que, logo quando cheguei, as vezes enchia o saco a minha empurração de “eu sou diferente e tenho um monte de coisa pra mostrar pra vocês!”. E ela citou que, assim que comecei a aclimatar mais quanto a Nova Zelândia isso foi cessando e aí sim eles foram realmente vendo “quem eu verdadeiramente era”.

Foi exatamente isso que ela usou. “Then we started seeing who you really are”. Eu falei com ela pra me dar um tempo pra pensar sobre isso e que ia bater papo com ela sobre isso outro dia. Pensei sobre o assunto e a minha primeira reação foi a negação. “Como assim? Quer dizer que então que eu só me torno uma pessoa verdadeira pra você quando eu passo a ser menos brasileiro?”Depois fui pensando e vi que não. Não é absolutamente nada disso.

Tudo que ela quis dizer é que eu sou algo além de brasileiro. Que grande parte do que sou se dá porque sou brasileiro mas que existe uma grande outra parte que não. E essa segunda parte é que as pessoas tavam interessadas e que foram conhecendo depois de um tempo. Num primeiro momento, com toda a confusão, eu me escondi atrás do escudo da brasilidade porque, pra mim, isso era legal e era o que eu considerava mais valioso. É legal e rico pra mim mas isso não significa quetodo o mundo vai achar a mesma coisa. Nas ocasiões certas o fato de eu ser brasileiro se fez interessante naturalmente.

Mas daí alguém vem dizendo “Mas Diogo! O Brasil é um pais grande! De cultura  riquíssima! Como assim eles não conhecem e se interessam por nada disso?”. Eu geralmente respondo dizendo “O quanto você conhece da China além do que você viu na TV? Sabe falar algum cantor famoso? Comida típica? (geralmente recebo uma risada e ‘sushi’ como resposta) Movimentos culturais interessantes?”. Não. Ninguém sabe muito. E, quando colocado em proporção, é um país mais significativo mundialmente que o Brasil na maioria dos contextos. Eu conheço pouco. Fui ver o quão grande era minha ignorância quando comecei a estudar Mandarin. E quietei o facho. Não dá pra culpar ninguém que nada sabe além do Brasil do que futebol e carnaval. E não dá pra culpar se eles não entendem e não amam quando a gente fala de alguma coisa sobre isso. O Brasil, pra mim, é toda a minha base cultural e a partir dela que estabeleci minha visão de mundo, apesar de não tê-lo feito somente baseada nela. A Nova Zelândia sempre foi só um outro país na minha vida. A recíproca também vale pra eles.

Hoje, quando me perguntam de onde eu sou, respondo que sou duma cidadezinha à Nordeste de Invercargil chamada “Nice Horizon”. Nenhuma mentira aqui se você olhar no mapa. Mas geralmente a galera dá risada e a gente parte pra outro papo, uma vez que ninguém nunca ouviu falar de nenhuma cidade com esse nome na Nova Zelândia e o meu sotaque não nega. Mas o negócio é que eles já tão acostumados com estrangeiro pra todo lado e isso realmente não faz muita diferença pro papo. Respondendo isso, a parede do “eu sou estrangeiro” não foi construída e tenho percebido que a aceitação inicial pra conversa tem sido mais amigável porque eles não se armam contra a falação sobre a cultura natal. Logicamente em algum ponto da conversa falo que sou brasileiro, mas dali em diante o fato já não é o que estabeleceu a conversa e é levado de outra forma.

O Kiwi está vendo suas cidades sendo invadidas pelos asiáticos e indianos, com restaurantes e replicações das celebrações de cada cultura. Vários possuem cardápios somente em chinês ou com as duas línguas. E essas culturas se juntam num canto, impõe seu modo de vida e interagem pouco com o resto da sociedade. Isso não gera o ódio, mas gera a segregação subliminar. Todo mundo, num papo corriqueiro, cita a etinia de quem tá falando, a não ser que ele seja europeu ou norte-americano. “Meu amigo, coreano, …” ou “O namorado dela, sul-africano, …” e assim vai. E esses fatos na maioria das vezes não são relevantes de forma alguma para o que está sendo contado. Eu me incomodo quando alguém me apresenta como “Esse é o Diogo, brasileiro”. Eu sou o Diogo. Ponto. Diga só “Esse é o Diogo.”e deixe que eu me encarrego de saber quando o fato de eu ser brasileiro se torna relevante pra ter uma conversa interessante com alguém. Eu não sei porque, mas isso acontece e me incomoda. Acho que é porque eu sei que é porque nada vai se estabelecer numa amizade só porque eu sou brasileiro. Nunca fiz um amigo na minha vida por causa de ser brasileiro. Então deixe isso ser uma das coisas que eu sou e não a minha condição de ser, por favor.

Eu nunca sofri discriminação, mas já vi e ouvi bastante de gente que já. O engraçado é que os casos que ouvi (não só com brasileiros) geralmente acontecem depois de um momento “mas da onde eu venho as coisas não são assim”ou “eu não vou fazer isso de tal forma porque não é assim no meu país”. Em geral quando algo do tipo “a minha cultura é a certa e a sua não” acontece. Isso acontece principalmente com as culturas asiáticas, mesmo os kiwis sendo extremamente flexíveis e tendo noção de como lidar com isso em certas ocasiões. Apesar de não haver a discriminação clara com os brasileiros o preconceito sim existe e se expressa nas piadinhas envolvendo sexo, drogas e violência que eu ouço uma vez ou outra. Eu não me ofendo porque mesmo feitas pra me sacanear não são dirigidas diretamente a mim. Mas me entristece de qualquer forma. Afinal de contas, Cidade de Deus, Carnaval e Copa do Mundo é tudo o que eles tem acesso por aqui. E isso, na minha opinião, é a pior parte das coisas boas que o Brasil tem.

Outro fato interessante por aqui é ver que você é preconceituoso sim. Os esteriótipos germânicos, africanos, asiáticos, entre outros, ficam claros na sua cabeça. E você divide as coisas e as trata em cima de cada conceito pré-formado. Só o tanto de vez que usei “os kiwis”, “os brasileiros”, “os asiáticos” e afins nesse texto me diz que a minha cabeça nunca vai ser livre dessa separação. O que não me permito fazer é condicionar um tratamento a isso numa situação cara a cara. Numa análise maior, como a desse post, considero cabível mas quando conheço gente dos diferentes lugares pra mim nada disso importa. Pode parecer contraditório mas a prática e a teoria não caminham juntas muitas vezes.

Pra finalizar

Essa baboseira toda é só pra re-afirmar o que disse lá em cima. Não existe jeito certo ou melhor de viver e acreditar nas coisas. A Nova Zelândia não é o melhor lugar do mundo, assim como o Brasil também não. Eu não sei qual lugar no mundo é, mas tenho certeza que se eu resolver viver a minha vida pensando , ponderando, reclamando ou comparando sobre isso eu não vou ter a oportunidade de realmente conhecê-los. E a única coisa que vou levar pra qualquer canto do mundo é a minha experiência concreta pela vida.

Milford Sound, minha paisagem favorita na Nova Zelândia, por Kenny Muir

Aqui sim tem coisas que não me agradam. O kiwi não é invejoso. Mas ele também não é ganancioso. Talvez por isso não seja invejoso. Ele presa pela vida de qualidade com a família e uma casa confortável. Uma viagem bacana, um show interessante e ver o time de rugby na TV. No ambiente de trabalho não existe aquela pressão que te deixa apertado e o cutucão pra buscar coisas novas e crescer. Acaba que a gente dá uma acomodada, o que é ruim. Eu vejo isso também nas bandas que participo por aqui. O crivo é muito largo e tudo tá bom pra eles. Eu, acostumado a ser puxado e a puxar meu colegas de banda, as vezes vou sozinho na empolgação e acaba que soa ruim porque eles não respondem. Isso me incomoda bastante porque eu gosto de ter gente que quer mais por perto.

Talvez esse seja o meu único grande problema na Nova Zelândia. A falta de pensamento grande, do eu quero mais, do isso pode ser mais fantástico. Fora isso, hoje o que eu mais sinta falta e a variedade musical que eu estava exposto no Brasil, ainda mais em Belo Horizonte. Fora isso, esse lugar é lindo.

Todas as outras coisas que já me incomodaram um dia foram respondidas. Eu sempre achava nojento o fato de a cor predominante nas roupas ser preta. Até que o frio começou a apertar nos últimos dias e percebi que minhas roupas escuras me deixam mais quentinhos que as roupas claras. Entre várias outras coisas eu comecei a ver que tudo tem o seu porquê de ser e a com a causa na mão fica difícil achar ruim de alguma coisa.

Eu não busco dinheiro, futuro garantido ou nada do tipo aqui. Na verdade eu não tenho um objetivo concreto traçado, somente planos. O meu único produto até o momento e que eu pretendo manter é a experiência. Sendo assim, pra fechar a conta, eu recorro a dois dos meus filósofos favoritos, que foram fazer muito sentido só depois que cheguei por aqui. Sartre diz que o mau do mundo é o outro. Enquanto a gente tentar culpar alguém ou achar a razão numa circustância externa para a nossa infelicidade a gente nunca vai ser capaz de olhar pra si mesmo. Enquanto a gente joga a responsa no outro e cuida da vida do outro a coisa não rola. E na minha cabeça eu completo isso com o que Nietzsche diz muito bem. Ninguém muda. Não é da natureza humana mudar. O conforto é muito bom mas pouco frutífuro. Só aquele que é capaz de perceber isso e ser forte o suficiente pra lidar com as suas próprias fraquezas cresce e evolui. Só no desconforto a gente se fortalece. Mudar de país e reconstruir seu alicerce nada mais é que um exercício de auto-conhecimento e solidão. Bobo é aquele que perde o seu tempo lutando contra a adversidade ao invés de trabalhar junto dela. :)

A long time ago…

Thursday, May 21st, 2009

Eu to devendo posts, eu sei. Mas eh que, por hora, a vida anda tranquila e sem muitas novidades. Trabalho ta bacana, casa ta bacana e os amigos tambem. Raramente ligo o computador em casa porque o friozinho me puxa pra o cobertor e passo as noites lendo. Quando nao isso, na casa de algum amigo batendo papo e conversando coisa boa.

Fora isso sao os terromotos. Eh uma experiencia interessante e tem rolado toda semana no fim do dia na quinta ou no comeco da sexta. Escalas entre 3 e 4 graus (voce pode checar como anda a ativadade cismica da Nova Zelandia aqui) que balancam a cadeira mas nao faz cair nada. Ja aprendi tudo sobre os procedimentos caso a coisa fique mais feia, o que pode acontecer.

No frio os melhores lugares sao cafes e os pubs animados da cidade, que sao fechados e tem aquecedor. Tenho descoberto bons lugares pra se ir e conhecer gente diferente. Quanto ao frio a parada eh se agasalhar e ignorar. Depois de uma primeira semana mais pesada ja me acostumei, me equipe e agora nao ligo mais.

Por hora estou finalizando minha aplicacao pra residencia e pretendo fazer um post contando o processo. Fora isso, so alegria! :)

Vem ni mim inverno!

Monday, April 6th, 2009

- O vento começa a pegar e eu começo a sentir que o bicho vai pegar em dois meses. Já me equipei com um super edredon e roupas ultra quentinhas em promoção pra segurar a onda.

- Eu realmente não entrei na onda dos Kiwis ainda. Os brasileiros me dizem que por aqui, se um projeto não é entregue por algum motivo ele não foi entregue e pronto. Eu não sou assim. Mesmo que não seja entregue tô lá marcando presença. Tem um projeto grande entrando por aí. Da indústria de filmes da Nova Zelândia. Tô empolgado!

- Minha bateria tá montanda e em breve vou estar tocando igual maluco por aqui!

- Por aqui não existem festas de 15 anos, como a gente tá acostumado. O lance é 21. Fui ao minha primeira festa de 21 anos por aqui no fim de semana. A parada é divertida, familiar e bem importante pra eles. Um formato bem diferente onde todo mundo para, sobe lá, faz o discurso e mostra o tanto que aquela pessoa é importante na vida de todo mundo e deseja o melhor pra ela. Nada de presentinho, bolinho, velinha, parabéns-pra-você e vamo embora pra casa. A coisa é bem bacana!

- Eu tô sentindo falta da minha mamãe. :(

Um pouco dos kiwis

Saturday, February 14th, 2009

Eu achava que o povo no Brasil bebia e era festeiro. Tá, isso não é mentira. Mas chegando na NZ vi que a gente pode ter várias versões da mesma história. O povo Kiwi talvez seja um dos povos mais beberrões do mundo e, talvez por isso ou não, uns dos mais festeiros.

Morando no centro há um mês posso dizer o quanto a vida às sextas e sábados à noite é agitada para os Kiwis. A Courtenay Place, centro das baladas de Wellington, fica empaturrada de gente andando pra lá é pra cá. É proibido beber enquanto na calçada mas é liberado dentro dos bares. Um pouco pra frente do final da Courtenay Place fica a Cuba Street, outro ponto quente nas noites por aqui. Minha casa fica entre as duas ruas mais ou menos e dar uma saidinha pra um jantar te proporciona vários eventos antropológicos interessantes.

É consenso geral que o povo Kiwi é frio. Sim, ele é. E também é consenso geral que é por ser frio é um povo mais complicado pra fazer amizade. Esse ponto eu discuto com fervor. Os grandes amigos da minha vida ficaram no Brasil e isso é fato, tirando Guilherme e Daphne que estão por aqui também. E eu não espero fazer tão bons amigos íntimos em um período curto pois esses mesmos amigos aí de cima estão na minha vida há alguns anos e, entre bons e maus momentos, se firmaram como regulares no meu hall de preferidos. Isso não muda pela cultura e sempre foi desse jeito no Brasil.

O Kiwi está muito mais preocupado com a própria vida do que o brasileiro. E por isso ele é frio. Ele não quer ficar sabendo da sua vida e por isso também não fica falando da dele demais.  Isso parece superficialidade mas, no fundo, é uma postura que me agrada. Ninguém te encara mau nas baladas enquanto você se diverte e dança mal, ninguém fica te julgando pelo que você faz ou deixa de fazer. Tá todo mundo preocupado em ficar tranquilo e curtir suas coisas. O fator urgência é menor pra tudo que eles fazem e isso me desespera às vezes. Mas isso são os que eles são.

Eu não passei grandes dificuldades com as amizades Kiwis, tão reclamadas por todos brasileiros. Entre flatmates, trabalho, bandas e agregados conheci excelentes pessoas que, com o tempo, têm estabelecido confiança mútua e bons momentos por aqui. Quando não entendo meu jeito mais pra frente pergunta se me entenderam errado com a maior calma do mundo. Eu explico, todo mundo fica feliz e vamos falar de qualquer outra coisa. Sem frescura e de boa. As saídas por hora são tranquilas e por hora agitadas mas o grande fato é que, no meio de Kiwis, é sempre divertido. Sentar com brasileiros de vez enquando é bom mas a trivialidade nunca se faz presente e é comum os papos falando bem e mau do Brasil e bem e mau da Nova Zelândia ao mesmo tempo. Eu sou burro e não consigo acompanhar um papo quadrilateral e contraditório assim. Pra evitar angústia, evito.

A maior dificuldade pra mim é ter que tratar como amigão aqueles que são meros conhecidos mas, porque falam a mesma língua que você e entendem suas piadas, acham que são conhecidos de infância. Acontece. Mas o que realmente me aproximou e me fez gostar de poucos brasileiros aqui foi empatia e não conforto cultural. Aproveito os curtos eventos pra cantar músicas brasileiras e continuar regando o meu pé brasileiro que faz parte de mim. Mas eu realmente sou chato e gosto da coisa de descobrir um mundo novo. As amizades brasileiras com certeza são ultra importantes e me ajudaram muito em momentos mais complicadas. Mas, pra mim, taxar o Kiwi de frio, distante e tosco quando o assunto é amizade é um crime porque, no fundo, eles são tão felizes e festeiros pra tudo quanto os brasileiros. :)

O que tem rolado

Sunday, February 8th, 2009

Por hora a vida felizmente se estabilizou e devagar tá assentado, o que é bom por um lado e ruim por outro. Meu quarto filnalmente tomou minha cara e devagar vai se achando uma coisa ou outra pra fazer.

Esse fim de semana foi prologando uma vez que sexta foi feriado e um dos mais divertidos eventos de Wellington passou: o Sevens. O Sevens é um campeonato de Rugby no verão no qual cada time possui apenas 7 jogadores invés de 15 e o tempo de jogo é mais curto. Times do mundo inteiro vêm jogar pelo compeonato. Mas o melhor de tudo não é o jogo e sim a festa que se instala.

Tradicionalmente o público se fantasia de qualquer coisa. As idéias vão das mais estapafúrdias como garrafas e bola de boliche até as mais tradicionais como pirata e super-herói. O fato é que a cidade fica repleta de gente fantasiada andando pra todo lado, bebendo e fazendo a alegria de turistas e dos moradores menos loucos. Ontem saí com o propósito de fotografar mas a querida bateria da minha máquina estava fraca e deu tudo errado.

Dia 21 tem o Carnaval com participação pesada de muita coisa brazuca e eu, felizmente, estarei em Cristchurch vendo o show do Iron Maiden com Guilherme e Daphne. Confesso estar feliz pela viagem e também pelo fato de estar longe da bagunça carnavalesca que eu não sou muito fã.

No mais é o sol se pondo às 21h da noite que tem destruído meu relógio biológico e as aventuras no totó com meus flatmates. :)

Impressões #1

Monday, January 19th, 2009

Há algum tempo venho ensaiando uma série de posts curtos sobre assuntos variados de vivência aqui. Entre eles figura a gravidez na adolescência, sobre como o povo não te “cumprimenta como a gente tá acostumado” entre outros. Mas o assunto desse post é outro.

Vindo pra Nova Zelândia eu ganhei a oportunidade de viver uma coisa impossível tecnicamente. Só aqui é possível viver os anos 80 com 20 e poucos anos de idade. A produção cultural sempre me remete ao bregas oitentistas. Muitas cores gritantes, figuras geométricas e tipografia primária. Essa semana finalizei um site pro trabalho  (Fringe Festival 2009) e vendo o layout do site e surfando pelos links é possível se ter uma boa noção de como as coisas funcionam.

Não é difícil ver Madonna inicio-de-carreira tocando nas baladas, assim como Abba e Cindy Lauper. Os adolescentes produzem músicas baseadas em Crowed House (produção nacional. :P ), Blondie e Hasselhoff. Isso é bom? Ótimo! Aumenta nosso vocabulário. Aqui não existe gente vidrada com som no carro na mesma proporção do Brasil mas toda balada tem um sistema de som na calçada, pra quem tá do lado de fora sentado nas mesmas. Passar pelos lugares é uma experiência retrô das melhores.

É maravilhoso ver como as pessoas aqui se vestem, mesmo sabendo que não é seu estilo. Mulheres com saia ou calça saint-tropez, um chapéu de mafioso e uma rosa na camisa não espanta ninguém. Os homens ficam com a calça apertada e coletes de couro. Isso é normal, bonito e divertido.

Apesar de tudo, pra quem não é dessa onda como eu, é possível achar de tudo um pouco. Eu não saio um dia pelas ruas de Wellington sem ouvir pelos menos quatro idiomas diferentes, além do inglês. Quase todo dia tem um tipo de música difernte em algum boteco. E o bucado de exposição acontencendo concomitantemente num tá no gibi. Uma mistura assim é um prato perfeito pra gente chata como eu que quer sugar o máximo que pode de diferente do mundo. :)

Assim que tiver um tempinho eu volto pra contar mais coisa. :D Perguntas são bem vindas e me ajudam a aprofundar o assunto!

Viagem pela Ilha Norte

Wednesday, January 7th, 2009

Semana e meia de folga, as coisas caminhando bem e resolvi dar uma banda pela Ilha Norte pra conhecer um bucado melhor do país. A idéia era a mesma: pegar o carro e sair batendo de cidade em cidade. A rota inicial tava definida e o plano era chegar até Cape Reinga, na extrema ponta norte. Mas, como vou contar mais pra frente, as coisas não foram assim.

Como sempre, se você não aguenta mais pra ver as fotos, clique aqui.

A viagem começou em Napier, cidadezinha pequena no leste da Ilha Norte. No  caminho dei um pulo em Taumatawhakatangihangakoauauotamateaturipukakapikimaungaho – ronukupokaiwhenuakitanatahu, o monte que possui o maior nome do mundo. Aliás, nessa viagem eu aprendi coisas fantásticas sobre a cultura Maori. Uma delas é que, como eles não possuiam língua escrita, as histórias eram contadas nos nomes das coisas. Esse nome fala sobre o guerreiro que perdeu um irmão numa batalha pela região e todas as manhãs ia lamentar sua perda tocando e cantando no topo do monte.

Napier é uma cidade bunitinha até falar chega e com muito a mostrar sobre Art-Decô. Em 1931 a cidade sofreu um terremoto pesado, assim como Wellington, e foi totalmente reconstruída. É possível encontrar vários marcos e placas falando sobre o terremoto e a reconstrução da cidade. Uma tarde na beira da praia é uma agradável pedida com bons amigos.

No dia seguinte saí em busca de Taupo e Rotorua. Taupo é uma típica cidadezinha praiana, apesar de estar na beira de um lago. O maior lago da Nova Zelândia possui várias atrações bacanas, atrações essas que acabaram por me confundir e minha tristeza ficou em não conseguir fazer tudo que queria por lá. Tudo é muito caro também, diga-se de passagem. Por lá vi o Craters of the Moon – planície com vários geisers soltando vapor o dia inteiro – e Huka Falls, uma corredeira pra lá de bonita que me deixando babando por alguns minutos. Mais empolgados que eu só os Indianos que grivatavam como loucos pelos mirantes espalhados ao longo da corredeira.

Se eu soubesse que ia encontrar o que encontrei em Rotorua teria deixado o Craters of the Moon pra trás e teria ido ver o Maori Rock Carvings, se o meu dinheiro deixasse. Roturua possui uma fantástica rede de geises em parques no meio da rua. A experiência de dirigir e ver uma rua embaçar inteira em dois minutos de uma forma que você não enxerga um palmo na frente do carro é fantástica. Alguma coisa acontece debaixo da terra e todo mundo resolve cuspir vapor de uma vez. O preço pra isso é ficar cheirando enxofre o dia inteiro. A cidade cheira à uma quarta-feira à noite, num quarto abafado, com três dos seus amigos mais flatulentos após um almoço servido de ovo e feijão. Todavia, foi lá que visitei o Te Puia, centro de cultura Maori na Nova Zelândia onde aprendi muito sobre os nativos. Lá também vi um geiser cuspindo água há quinze metros de altura e vi uma apresentação Maori que me deu arrepios em alguns momentos.

Depois disso fui pra Whakatane. O que tem em Whakatane? Um cinema. Fora isso, você tem que pegar um barco e ir pra White Island. Lá sim o bicho pega direito! A White Island é o único vulcão ativo da Nova Zelândia e você pode passear o quanto quiser por lá, desde que pague um barco e um guia autorizado pra te levar. Eu fui? Não. Fiquei dois dias em Whakatane e a minha chuva de estimação ficou por lá, lavando tudo o que podia. A chuva tava tão feia que os barcos foram cancelados. Eu desisti e fui rumo a Coromandel na manhã do terceiro dia, após outro cancelamento.

No caminho de Coromandel, ainda com chuva, dei uma pausa em Mt. Manganui e Tauranga. Duas cidadezinhas pequenas em volta do Monte Manganui, com praias super bacanas. Foi só uma parada rápida pra um almoço. O destino final tava mais ao norte.

Após redescobrir os meus devidos destinos com ajuda do GPS fui parar em Hahei Beach e Cathedral Cove. A melhor descrição é “Puta que pariu!”, com cara de bobo. O lugar é absolutamente fantástico. Sentei em Hahei Beach por quase uma hora e fiquei babando no que estava vendo. Saí de lá empolgado para Cathedral Cove. Fim de ano e a minha chegada lá não foi das mais feliz. A farofada estava presente, e por algum motivo besta que não sei qual não achei tanta graça. Vendo as fotos depois não entendi como não me maravilhei com aquele lugar. Algo tava errado, mas fui pra Coromandel City arrumar um lugar pra passar a noite.

Como fim de ano, não havia vaga em backpacker algum. Após oferecer ajuda para duas brasileiras que tiveram o vidro do carro quebrado e o celular roubado, resolvi puxar os planos um dia pra frente e chegar em Auckland antes. No meio do caminho, programando as coisas no GPS pra ir pra Aucklando vi o botão “Go Home” e percebi que era bobagem continuar viajando sozinho com saudade da mãe e dos amigos pra poder dividir aquilo tudo. Passei uma noite em Otorohanga, vi um Kiwi solto na natureza, e voltei pra Wellington no dia seguinte. :)

Aqui vão alguns panoramas que fiz pela viagem:

Napier Port
Lake Taupo
Hahei Beach
Coromandel Peninsula

So pra dar noticia

Wednesday, December 24th, 2008

- Postando do trampo novo, sem acentos, porque o teclado e ingles e no Mac. Extremamente feliz com o trabalho e com a empresa. Galera super bacana e aquele gostinho de que vou aprender um bucado e poder fazer um monte de coisa foda. Vamo que vamo!

- Natal vai ser bacana e com o gostinho de familia. Daphne e Guilherme vao receber Chico, Nara, Rodrigo e Monica para uma ceia de dar inveja. Eu ja sou hospede permanente e estarei la tambem com meu ultra-presente-surpresa para o amigo oculto que vai rolar tambem de surpresa. :)

- Falando em hospede permanente eu consegui um flat aqui no centro, a mais ou menos 18 passos do trabalho. Uma casa bacana que dividirei com 5 kiwis dos mais variados tamanhos e tipso. Nesses ultimos 5 meses Daphne e Guilherme foram anjos mas, por palavras do Guigui “desmamei” e tenho que achar meu cantinho e dar folga pra eles. Valeu queridoes. :)

- Os exames medicos que citei no ultimo post eram pra imigracao (nao! eu nao estou doente!) e agora ta tudo certinho. :)

- Pro ano novo eu planejei primeiro ir pra Samoa no dia primeiro de janeiro, chegar la em 31 de dezembro e ter o segundo reveillon. Me atrapalhei, deixei pra muito tarde e a passagem dobrou de preco. Virei meus olhos pra Sidney. A imigracao Australiana exige que o visto seja aplicado na embaixada com antecedencia, antes da saida do pais de origem. Processo de uma semana. Resolvi em cima da hora e com as festas do fim de ano chegando fiquei com medo de dar errado. Resultado: As duas semanas de folga do fim de ano vao me render uma volta gigantesca na ilha norte e passar o reveillon em Auckland. :) To de volta dia 4 com muita historia pra contar, espero.

- A Nova Zelandia tem o primeiro nascer do sol do mundo (isso em Gisborne, onde eu vou passar na minha viagem) e provavelmente nao o primeiro Natal (uma vez que o marco zero deste esta no oriente medio). Ano que vem vou tentar ser mais frequente por aqui! Espero a todos um ano fabuloso e que em 2009 a sua vida seja linda como o pais que me acolhe agora. :)

Viagem pela Ilha Sul

Friday, October 24th, 2008

Eu demorei três semanas pra postar sobre a minha viagem e eu não sei o porquê. Acho que tava digerindo, ou sei lá. Sem dúvida foi um dos melhores investimentos desde a minha chegada à Nova Zelândia. Valeu cada momento e até as raivas passadas. Mesmo. :) Não assuste com superlativos e elogios exagerados, por favor.

Se você é fominha e não aguenta mais esperar pra ver as fotos, clique aqui. Eu vou linkar de novo no fim do post.

Segunda, dia 29 de setembro, saí de Wellington sozinho e com mochila nas costas, com o plano de estar em Dunedin na segunda seguinte, dia 6 de outubro. Alguns pontos planejados na cabeça mas a grande maioria do percurso foi definido duas horas antes de sair da onde estava. O trajeto final pode ser conferido clicando aqui.

Segunda eu saí aqui de Wellington cedinho e peguei o Ferry que iria pra Picton. A idéia do dia era desaguar em Picton, pegar um trem e ir até Christchurch. A viagem do Ferry num dia de sol é sensacional. Peguei um pouco de vento, o que impossibilita as melhores vistas do deck superior, mas mesmo assim a brincadeira já foi bacanuda. O trem, que desce pela costa leste da ilha sul até Christchurch também faz a graça e nos dá belas paisagens da parte central da ilha. No fim da tarde cheguei em Christchurch cansado, mas animado com o começo da viagem.

Christchurch

Christchurch é a segunda maior cidade da Nova Zelândia com 414 mil habitantes, um pouco mais que Wellington. É uma cidade bem antiga com um grande contraste entre pontos históricos e prédios modernos. Meu planejamento era pegar o carro às 10h do dia seguinte pra seguir pra Wanaka. Dei uma volta pela cidade à noite e acordei cedo pra andar mais. Christchurch é uma cidadezinha muito confortável e gostosa, mas às 9h da manhã de terça-feira a cidade não parecia ter acordado e me agoniou ver uma estrutura gigante com tão pouco carro e gente nas ruas. Tem seus pontos positivos, mas a cidade é bem parada para os padrões que estou acostumado. Até mais parada que Wellington, que dá mais opções a qualquer hora do dia. Aliás, cidades fechadas depois da cinco da tarde é uma coisa normal na ilha sul.

Após a caminhada matinal fui pegar o carro. Um Toyota Corolla apelidado carinhosamente de Corinha pelo caminho. Aliás, viajar sozinho te faz parecer louco. Você dá nome pro carro e se diverte conversando e fazendo raiva no GPS. Saí de Christchurch com farol apontado pra Wanaka. Yupe!

Estrada e Wanaka

Minha terça foi carinhosamente batizado como um dos dias mais felizes da minha  vida. Vi paisagens e passei momentos comigo mesmo que me fizeram me sentir feliz, ridículo e maravilhoso ao mesmo tempo. Música alta, cantoria e cabeça trabalhando do jeito dela. Passei por inúmeras cidadezinhas super bacanas até que trombei com o Tekapo e o Pukaki. Dois lagos que pagariam a viagem por si só. Fiquei sentado olhando pras paisagens maravilhosas dos lagos até perder noção do tempo. Voltei pro carro e segui viagem. E tinha muita coisa pra vir ainda.

Wanaka é uma cidade essencialmente turística, com 4.500 habitantes. A cidade fica na beira do lago Wanaka que também é uma vista absurdamente maravilhosa. Na chegada do fim da tarde sentei na beira do lago e comi um típico Fish & Chips enrolado no jornal. Puta frio mas com uma sensação maravilhosa de comer aquela coisa gordurosa de frente pra aquela vista gordurosamente maravilhosa (nuh!).

À noite planejei que iria passar em Cardrona no dia seguinte e me aportar em Queenstown por dois dias. Sem dúvida a decisão mais equivocada de toda a viagem.

Cardrona e Queenstown

Cardrona não chegar a ser uma cidade e sim uma região de Wanaka. Possui uma  estação de ski famosa (que não pude subir porque carros 2×4 tinha que ter corrente nas rodas pelas condições da estrada) e um hotel bunitinho. Meu almoço foi no jardim do restaurante do hotel, numa mesa de madeira velha, com cheiro de lenha queimada e o solzinho suave pra dar uma esquentada.

No começo da tarde cheguei em Queenstown. Cidade apertada, cheia de carro e gente. Gente falando português, alías. Qualquer semelhança é mera coincidência.

Queenstown é a capital de aventura da Nova Zelândia. É a terra dos empregos temporários. Prato cheio pra quem quer tentar a vida fora do Brasil. Dica? A Nova Zelândia não te dá condição de fazer dinheiro. Tudo é caro e a imigração tem muito pouco trabalho, o que facilita a fiscalização. Se você tá pensando em tentar a vida aqui com emprego temporário e enganando a imigração, vide fronteira do México.

A minha experiência em Queenstown foi pífea. Pra começar na chegada na cidade cismei de conhecer uma ponte histórica que não achei. Fui retornar, me confundi com a marcha automática e fiz uma cagada considerável. Fui ajudado por uma galera e felizmente tudo deu certo no final, sem danos pro Corinha. Não sei porquê cargas d’água cismei que tinha que ficar em Queenstown mais tempo. Já tinha reservado o backpacker pra dois dias e não pude voltar atrás. Sugiro uma passagem pela cidade, subida na gôndola e rume para outra cidade. Se você não quer  pular de bungy ou descer corredeira existem outros lugares que vão te fazer mais felizes. Acabou que passei o segundo dia indo à Glernorchy, Arrowtown e Crownel, o que amenizou a raiva com os brazucas de Queenstown. Vi uns spots do Senhor dos Anéis e um monte de coisa bacana e voltei feliz pelo o dia de amanhã, que apontava Milford Sound! :)

A propósito, umas das maiores raivas de Queenstown foi o povo me chamando de Selton Melo pra todo canto. E uma boa sugestão é não pedir o pão de queijo no Café Brasil. É uma droga. E você é bem mau atendido.

Milford Sound

Saindo cedo de Queenstown e dirigindo cinco horas cheguei a Milford Sound. Meu  post no twitter do dia dizia que, Deus pode ser brasileiro mas ele com certeza mora em Milford Sound. Puta que pariu! Que lugar maravilhoso! Eu realmente não tenho como explicar. Uma paisagem maravilhosa que me deixou sem saber o que sentia ou pensava. Peguei um dia nublado que pelo visto tem um gosto diferente, mas o dias limpos devem ser tão maravilhosos quanto! Vi pinguin, golfinho e foca por lá. E pra minha sorte no barco conheci a Milena que me deu informaçõe especiais de Milford Sound e o Igor. Os dois trabalham em Milford Sound e esse fato esse faria da minha noite uma das coisas mais agradáveis que podia ter.

Igor é mineiro, sotaque difícil por essas bandas, o que me fez ficar à vontade. O casal foi duma simpatia e  receptividade extrema. Me apresentaram os bastidores de Milford Sound e ficamos batendo papo pelo fim da tarde. Até que me deram a idéia de ir até o Haddford Valley, dormir no Murray Gunn’s Camp. Acabou que eles foram comigo e ficamos à noite batendo papo, lambendo carvão mineral (isso só eu que fiz…) e tomando sopa. No dia seguinte saímos às 6h, eles pra trabalhar e eu pra Invercargil, feliz da vida com o dia anterior.

Invercargill e Bluff

Eu cheguei na ponta da Ilha Sul no Sábado. Invercargill é uma cidade pequenininha, antes de Bluff, última cidade antes da Ilha Stewart. Passei o sábado passeando pela cidade e fui até Bluff, pra chegar no ponto mais sul da minha vida. Ponto esse que seria substituido no dia seguinte, no Slope Point. Os ventos nas duas cidades fazem o vento de Wellington parecer brisa.

Southern Scenic Route e Dunedin

No domingo acordei de manhã dei meu último pulo em Bluff pra poder pegar o caminho para Dunedin. O GPS apontou o caminho mais fácil e rápido mas é lógico que eu ia fazer raiva nele. As placas indicavam o caminho pela Sourthern Scenic Route, estrada nem toda asfaltada, mais longa e complicada e isso também significava mais bonita e divertida. E também couro pro Corinha. :P

Pra minha sorte uma rádio da Ilha Sul passa os domingos tocando rock antigo. Led Zeppelin, Deep Purple, Pink Floyd, The Doors e compania limitada. Saí de Bluff às 10h e fui chegar em Dunedin só às 17h da tarde, por um caminho que se feito no jeito GPS dura 3 horas. O meu último dia foi ao som de Rock’n'Roll das antigas, paisagens fodásticas e comida gostosa. Nada podia ser melhor. :)

Dunedin fechou o dia com chave de ouro. Uma cidade com cara de grande mas também com o típico ar de interior que a Nova Zelândia tem. Bati papo com o suíço que tava no meu quarto e fomos dar uma volta pela cidade à noite. Voltamos e conhecemos duas belgas que estavam fazendo o caminho inverso ao meu pela ilha sul. Trocamos as experiências e as recomendações, demos boa noite e cada um foi pro seu canto. No dia seguinte fui dar uma volta na ponta de Dunedin que tem uns Albatrozes e convidei o suiço. Expandi meu vocabulário de Switzerdeutsch e ganhei chocolate suíço, feito e comprado na Suíça, com inscrições em alemão, italiano e françês. Nada de inglês. Nada de importação. Presente pelo passeio. EEBBAA!

Depois disso era Aeroporto de volta pra Wellington.

A volta pra Wellington

A viagem foi bacanuda mas a vontade de chegar em casa e dar uma descansada também era grande. Daphne e Guilherme estavam aqui curiosos (eu não sou do tipo que gosta de dar notícias quando dá a louca de viajar) e eu também estava com saudade deles. Chegar aqui no fim da segunda dividir as experiências e contar o caso pra eles e fazer raiva no Camilo mais tarde por causa dos 4 a 1 que o Grêmio tomou do Inter foi revigorante. :)

Antes do final é lógico que no aeroporto do Cristchurch na escala pra Wellington um casal tinha que gritar do outro lado do salão que eles viram o Selton Melo. Eu liguei o modo filho da puta, fiz que não sabia português e ganhei meu dia e fiz a alegria da minha amiga de vôo. :D

Agora falta a costa Oeste e a Ilha Norte. Em breve. :)

Como prometido, aqui vai o link de novo para as 97 fotos que tirei pelo caminho. :)

Bungy! WOW!

Sunday, October 12th, 2008

Felizão!Foi meu aniversário dia 27 de setembro. A gente saiu rumo à Turoa pra tentar esquiar mas o dia não tava bom e a gente acabou passenado por Ohakune tentando arrumar comida. No fim do dia, após espancar meus caros anfitriões na sinuca, fui presenteado com uma nota de 1 dólar (americano) com os dizeres “Vale um pulo de Bungy! Parabéns!”. Yay! Só alegria.

Eu não sou cagão pra nada, mas deu frio na barriga. Até você ficar na horizontal a única coisa que você pensa é “Fudeu, fudeu, fudeu”, mas é só virar de cabeça pra baixo que a cabeça esvazia e é só alegria. O indicador de adrenalina vai no talo e o grito sai sozinho. Após isso Daphne e Guilherme se juntaram a mim e a gente ainda vez o Flying Fox e se divertiu à valer.

Se você gosta de frio na barriga vai nessa. A parada é segura e a diversão é garantida.

Pra ver as fotos da brincadeira clique aqui. Guilherme fez um vídeo mas ele ficou gigante e vai demorar até subir pro YouTube. Assim que for, coloco aqui.