Category: Como é aí?

Mudando + Participando = WIN!

Coisa fodistica #1) Eu raspei a cabeca por uma boa causa.

Serio. Mais detalhes, aqui: http://shaveforacure.co.nz/view_event_profile/4421 :P

Biiiito!A Nova Zelandia eh cheia das coisas legal pra fazer as pessoas participarem de  eventos de arrecadacao pra entidades diversas. Eh assim com o Shave for a cure, eh assim com o Movember tambem. Enquanto no Shave for a Cure as pessoas raspam a cabeca pra ajudar pessoas com leucemia e doencas relacionadas ao sangue, o Movember arrecada dinheiro para suporte as pessoas que tem cancer de prostata. Eu ja participei de um Movember (vide foto de quem quer dirigir um caminhao / cobrar passagi / bater laje), mas nao tive muito sucesso. Dessa vez, com o Shave for a Cure, passei da minha meta de arrecadao e to felizao. :)

Obrigado a todo mundo que participou e doou um pouquinho! Mesmo!  (Se voce esta se sentindo super, ainda pode doar no link do meu profile. ;))

Coisa fodistica #2) Eu mudei. :)

Mas nao to aqui pra falar da casa nova. Eu to aqui pra falar dessa coisa de morar com flatmate.

The Aiporrrrrt!Can’t beat Wellington on a, errm, rainy day…

Morei 2 anos e uns bucado num flat fantastico perto do centro, dividindo o espaco com 4 pessoas (5 durante um tempo). Devo dizer que, pra um imigrante recem chegado, talvez tenha sido a experiencia mais importante pra minha adaptacao.

Reza a lenda que achar um flat bacana onde seja facil a convivencia eh dificil. De fato, isso faz sentido. Eu dei uma sorte gigante em achar um lugar muito bacana onde as pessoas viraram grandes amigos.

Logico, sim, algumas problematicas surgem. Com o tempo voce aprende a lidar com aquele que bebe um pouco mais, ou com o outro que traz namoradas barulhentas pra casa. Mas durante os dois anos la, meus flatmates foram completamente companheiros com lingua, cultura e tudo mais. Foi la que entendi como rugby e criquete funcionam. Foi la que entendi que o jeito de lavar vasilha deles, apesar de meio estranho, eh super pratico. Fui la que aprendi que da pra passar dias sem comer arroz com feijao e que jantar as 7 da noite pode ser um negocio bacana.

Fora as diferencas culturais, construi lacos bacanas. Discuti planos de vida, toquei no casamento de 2 deles e colhi algumas historias legais pra contar. Morando com gente diferente (e com muita gente) da uma cara diferente a sua casa. Sabe aquela parada que “voce vira a casa e a casa vira voce”? Talvez voce nao saiba, porque eu acabei de inventar. Mas faz sentido. O ingles tem a expressao “you became part of the furniture” (Voce vira parte da mobilia). Expressao que faz algum sentido nesse contexto.

Mas, querendo ou nao, morar com gente diferente cansa. A cadeira fora do lugar, o DVD estimado que foi pego emprestado jogado casualmente no sofa e o barulho da casa quando voce quer ficar quieto incomoda e a gente tem que buscar conforto. E se passaram dois anos. Tava na hora duma mudanca. A vida prossegue.

Se voce tem medo de dividir flat com gente estranha (enfase nos dois sentidos: estranha do tipo “que voce nao conhece” ou estranha do tipo “Jesus, que pessoa cabulosa”), eu recomendo. A casa eh sua e voce aprende a fazer dela algo seu. A chance de fazer uns amigos pelo caminho eh sensacional e vale toda a pena. :)

Vez ou outra bate a saudade. Mas vamos que vamos. Careca, com frio (na cabeca), mas vamo que vamo. :)

Retornando…

Então.

Daí que naquela cuspida toda de idéias naquele post gigante eu nunca imaginei que teria um retorno tão intenso e bacana. Eu curti e acabei tendo contato com gente nova por aqui, o que é interessante. Abri essa brecha pra agradecer de montão a todo mundo e pra responder algumas perguntas que pintaram por lá.

A todos aqueles que ficaram morrendo de visitar saibam que ficarei mais que feliz em vê-los por aqui. Principalmente os bons amigos e pessoas importantes na minha vida, as quais conheço, confio e carimbo o selo de qualidade. :P

Como muita gente pontuou bem o lance não é apontar o pior ou melhor. Pra mim o que vale é a constatação do diferente. O mais interessante é que vi em alguns comentários aqui e em alguns e-mails que recebi que a parada se extende pra outros lugares do mundo, e fico feliz em ver que tem um montão de gente que compartilha isso comigo. O que vale é o que está em você. Eu acho o processo de “bloqueio” sim natural no começo. Mas eu considero o ponto da chacoalhada e do questionamento temporário das suas raízes também válida. Ontem num artigo de música que estava lendo li uma frase que me tocou em vários âmbitos. ‘People who don’t change will find themselves like folk musicians, playing in museums and local as a mother-flicker.’ (Pessoas que não mudam vão acabar como músicos de folk, tocando em museus e “filhadaputamente” locais).

Muita gente me pergunta sobre vir pra estudar inglês. Uma parada interessante acontece, todavia. As escolas que fazem marketing mais popular nisso e são mais baratas são infestadas de brasileiros, o que dificulta muito o aprendizado do inglês. Outra coisa é a forte presença de japoneses e sul-coreanos. Eu fiz uma semana de aula com eles e fiquei absurdado como é diferente o jeito de aprender que eles tem. A coisa funciona meio que na lavagem cerebral. E eu e a colombiana na minha sala ficamos meio perdidos porque é um processo altamente estranho. Como eles são a maioria acaba que a coisa é moldada pra eles. Então cuidado. Me parece que os cursos fodões tipo o da Universidade de Victoria tem um processo mais bacana e respeitável, pelo que a Daphne me contou. E demandam mais dedicação e tempo. Se você está vindo por um curto periódo de tempo com o objetivo de estudar inglês a minha dica é bloquear o português e se afastar o máximo possível de todo e qualquer brasileiro que você encontrar. Procure um trabalho voluntário ou alguma coisa que te interesse tipo música ou filmes e vá participar de encontros com nativos. Sério.

As áreas de necessidade de profissionais podem ser achadas facilmente no site da imigração neo-zeolandesa. O governo não facilita a vinda de nenhum imigrante a não ser o refugiados de guerra na Indonésia e Afríca. A lista de shortage skills é uma referência pra quem tá vindo e precisa ter alguma idéia do que eles precisam por aqui. A única diferença burocrática pra trabalhos na área de shortage é que o visto de trabalho sai na hora que os documentos são apresentados e você não precisa esperar 3 semanas pra ter resposta. Na verdade, isso foi o que aconteceu comigo em Janeiro mas pelo que ouvi de alguns brazucas mais recentemente eles tiveram que esperar as 3 semanas de qualquer jeito.

Quando eu falo que o governo não facilita a vinda de imigrantes a não ser refugiados eu quero dizer que não existe nenhum programa, estrutura ou coisa do tipo pra que o imigrante chegue aqui e se torne um “imigrante qualificado”. O que acontece é que eles tem tudo o suporte que você precisa uma vez que consegue um emprego. Mas o governo não é pró-ativo pra o processo. Eles te dão toda a informação que você precisa e o processo cabe somente a você. Esse dilema é visível quando você procura emprego com visto de turista. As empresas falam que não podem te contratar porque você não tem o visto necessário. Você fala que pra pegar o visto você precisa que eles te contratem. Mas, por motivos justos, eles vão priorizar quem tem já tem o direito legal de fazer isso. Isso é um caso raro, mas acontece. E aí você vê que a filosofia do governo não é a mesma de algumas empresas e que não existe uma “força nacional de empregamento de mão de obra estrangeira” ou coisa do tipo.

Eu não sei de fato como tá o lance de desemprego por aqui, uma vez que estou empregado e não tenho consultado as fontes de emprego. A grande maioria das vagas vai estar listada no Seek, Trade Me Jobs ou no CVB. Eu já ouvi que a Nova Zelândia foi fortemente afetada com a crise mas também já ouvi que nem tanto. Ouvi de grandes empresas demitindo e de outras contratando. Eu realmente não tenho base pra falar disso. A sensação geral é de uma certa esfriada mas pelo menos na minha empresa estamos com trabalho até o pescoço.

Os salários na área de TI variam entre NZ$70k e NZ$90k por ano. As outras áreas variam. A impostação em cima disso pode ser calculada no site do IRD. Maiores informações sobre salário médio e receita em geral podem ser encontrados no site da Statistics New Zealand.

Aliás, se você não sacou até agora, dá pra se informar extramente bem pela internet. Isso é uma das coisas que eu adoro por aqui. Eles têm informação online pra tudo. É só deixar a preguiça de lado, dar um Googlada e sorrir. :)

Quanto ao custo de vida eu acho que NZ$500 semanais é o suficiente pra se ter moradia, transporte e alimentação de uma forma confortável. Tudo depende de onde você mora também. Os aluguéis estão na faixa de NZ$350 a NZ$500 doláres semanais, fora as contas. Se você for dividir apartamento dá de tudo na Babilônia. Dá pra dividir um apartamento com estudante e pegar NZ$150, NZ$170 por semana com luz e internet incluso. Se você quiser morar com gente normal o aluguel vai pra NZ$180 a R$250, fora as contas. Geralmente se paga de NZ$60 a NZ$90 doláres pelas contas quando se divide apartamento e isso depende de com quantas pessoas você mora e pelo o que você está pagando (comida, luz, internet, sky, etc…). Pra casais as coisas tendem a ser mais baratas. Se você só comer fora espere um gasto de NZ$20 a NZ$30 dólares diários.

Eu moro no centro e quase nunca gasto com transporte. As tarifas de ônibus variam de NZ$1 (em horários e trechos especiais) a NZ$7. Existem cartões mensais que barateiam a parada. Metrô é uma coisa mais cara e só vem até a beirada do hiper centro, servindo mais como via de ligação para as cidades satélites. Mais informações podem ser conseguidas no site da Metlink and TranzMetro, para Wellington. Outras cidades têm serviços on-line similares.

Como eu disse, viver por aqui não é barato. As cidades menores vão ser mais baratas mas também com menos oportunidades de trabalho. Os centros, como Auckland, Wellington, Christchurch e Hamilton talvez sejam os que têm maior custo de vida.

Meu conselho pra quem tá vindo é vir com a cabeça aberta e com uma certa grana no bolso. Fiquei feliz com todo mundo que sentiu o post como um empurrão e não se envergonhem em me perguntar nada. A minha realidade aqui pode ser diferente da de muitos (solteiro, “jovem”, desregulado :P) mas imagino que muita gente fica apreensiva antes de vir pra cá e logo depois quando chega. Valeu mesmo pelos comentários. É complicado arrumar um tempinho pra atualizar aqui mas foi gratificante. :)

Ah! Me desculpem. Não é nada pessoal. Mas o comentário da mamãe foi o mais fofo. :)

Comunicado cinematografico

Uma das coisas mais divertidas por aqui e receber e-mails como os abaixo. Vira e mexe sem tem noticia de alguma agitacao cinematografica em algum lugar da Nova Zelandia. Esse aqui avisa aos moradores de Wellington para nao se alarmarem com o helicopetero voando baixo na regiao de Wellington.


Helicopter and spotlights to be used in major television commercial shoot

Wellingtonians shouldn’t be alarmed by a major shoot taking place in Wellington’s CBD next Monday and Tuesday night (June 29 and 30).

Manager of Film Wellington, Delia Shanly, says the project, by a US company, will involve a helicopter flying through the CBD and shining lights onto streets and buildings.

“We want to ensure that Wellingtonians who see the low-flying helicopter and lights aren’t alarmed and mistake the filming for some kind of emergency or manhunt. The production company will try to keep the level of disruption to a minimum but we would like to let all residents know that filming is taking place.”

Delia says the helicopters will finish their flights over the city by 11.00pm. Afterwards, production will continue with additional lights being projected from vehicles and from buildings around the city.

Please note:  Raindates are Wednesday and Thursday (1st & 2nd July).


Vou fazer um post sobre Senhor dos Aneis e tudo mais em breve. :)

A proposito, tambem vou fazer um post sobre os comentarios no ultimo post. Nao imaginei que um post tao longo e prolixo fosse ser tao bem aceito. No final das contas foi uma cospidela de varias coisas pela minha cabecinha. Obrigado a todos pelo bom feedback!

Afinal, como é viver na Nova Zelândia?

Já algum tempo venho ensaiando esse post por aqui. Agora com aproximadamente 11 meses de Nova Zelândia, vivendo e trabalhando com kiwis já por algum tempo acho que agora possuo uma visão da terra e do povo criada por mim mesmo e menos preconceitualizada pelo que ouvia dos brasileiros por aqui.

Galera no Waterfront em Wellington, por Victoria Evans

Esse post com certeza vai ser longo e reflexivo. Provavelmente chato e nojento em alguns momentos. Entre anotações que faço no dia-a-dia de coisas curiosas, lembranças de momentos diversos e papos com outros estrangeiros que não brasileiros resolvi que tenho que compartilhar uma visão que até então não vi por partes dos brazucas que comentam sobre como é morar na Nova Zelândia. Eu pretendo falar mais profundamente sobre os assuntos “pessoas” e “adaptação humana” no meu outro blog, o Wimps-Hurra, que é onde eu despejo as minhas loucuras filosofais. Tentarei me ater ao aspecto estrito da aventura estrangeira por aqui, mas com certeza alguma opinião mais pessoal vai vazar. O que considero um ponto forte do que vou escrever aqui é o fato de que eu não me atenho ao saudosismo, não possuo a mínima vergonha do erro ou medo do escárnio e acredito que a melhor forma de enfrentar os problemas é com 90% transpiração e 10% inspiração. Reclamar menos, fazer mais.

No fim das contas isso também é um pouco desabafo de tudo que me dá raiva por aqui. E na verdade o que mais me dá raiva aqui é exatamente o que me dava raiva no Brasil.

Princípio

Pra mim não existe tal conceito como certeza, verdade ou qualidade quando o assunto é cultura, tanto no aspecto social quanto no pessoal. Somente a constatação da diferença.

A análise cultural num ambiente tão diverso quanto a Nova Zelândia é extremamente complicada. É um país de história com origem nas tríbos pacíficas, colonizado por ingleses e onde hoje 23% da população não é nascida aqui. Isso é aproximadamente um quarto de um país que, nativamente, não tem suas raízes aonde mora. Dentro desses imigrantes a grande maioria é asiática o que gera um choque instantâneo para nós americanos e pros kiwis que somos todos ocidentais.

Sendo assim essa análise feita por mim diz respeito somente à minha verdade, às minhas constatações e são baseadas puramente na minha experiência. Qualquer discordância quanto a isso simplesmente a enriquecerá.

Os brasileiros

Eu não escondo de ninguém que o mais me enche o saco na Nova Zelândia é a teorização e a comparação constante entre o Brasil e a Nova Zelândia e a reclamação por parte dos brasileiros por motivos exdrúxulos. E, como disse, coisas como o comodismo, a falta de respeito, a tentativa de imposição cultural e a hipocrisia por parte desses é o que mais me irrita por aqui. Exatamente o que me fez querer tentar alguma coisa fora do Brasil. E talvez me irrite mais por ver que vez ou outra eu entro nesse bolo de coisas idiotas e as coloco em ação sem ver.

Existe um curso comum de conversa nos encontros brazucas que eu chamo de opinião quadrilátera. A mesma pessoa numa janela de cinco minutos fala mal do Brasil, fala bem da Nova Zelândia, fala bem do Brasil, fala mal da Nova Zelândia. Quatro sentimentos diferentes em uma só linha de argumentação.

Daphne e Guilherme passaram três meses no Brasil e, com isso, meu contato com a  comunidade brasileira deu uma cortada, uma vez que eles sempre me convidam pra um evento ou outro. Sinto falta dos dois mas o afastamento veio a calhar. Muitas coisas bacanas rolaram e pude ver que existe uma vida muito boa além do conforto. Ultimamente eu tenho me isolado da comunidade brasileira. Foi o mais saudável pra mim. A opinião da por lá nunca muda. A visão de tudo, não importa quanto tempo passe, é sempre a mesma. E, a minha só mudou, quando parei de ficar pensando fui ver de qualé.

Normalmente as pessoas se unem por afinidade. Comumente os brasileiros por aqui adquirem uma intimidate monstro após uma noite de papo. Porque? Por que vocês entendem as mesmas piadas, falam de Chaves e conhecem o Louro José. A  afinidade sai do seu espaço pessoal e se estabelece pela interseção cultural. Isso é importante pra quem chega e fica deslocado. Isso é importante pra quem precisa do conforto inicial. Mas chega uma hora que se você não acorda, se atrofia e se torna um opinador quadrilateral num grupo fechado e o enriquecimento cultural fica restrito, o que cai num círculo vicioso que te definha. Esse tipo me inspira a infelicidade eterna e nunca vai conseguir gozar plenamente do que cada lugar tem de bom pra oferecer uma vez que vive dentro de um espaço já conhecido.

A experiência do mercado de trabalho Kiwi por partes dos brasileiros por aqui é meio discutível. São poucos os que realmente traçaram um plano profissional interessante, pesquisaram mercado e tudo mais. Eu não fui um desses. O meu processo foi tentativa e erro. E quando me perguntam o que eu fiz eu não consigo acreditar em nada que eu digo. No fim das contas a gente dá de amigo, torce pelo sucesso alheio e fica em paz. Vez ou outra vejo que os conselhos que ouço por aqui são uma tentativa de passar pra frente uma idéia própria frustrada pra ver se ela dá certo com outro alguém pra que a pessoa se sinta bem consigo mesma. É eu já percebi que é isso que faço e me odeio por isso. E isso é perigoso pra quem ouve.

Depois de todo esse tempo e vários encontros eu diria que possuo talvez dois ou três brasileiros os quais eu realmente me importo e chamo de amigo. Além disso, Guilherme e Daphne felizmente já se tornaram pessoas queridas antes da Nova Zelândia estão em outro patamar pra mim, e por aqui são minha família. O fato de que não chamo os outros brasileiros de amigo de verdade não se dá por que são pessoas ruins ou algo do tipo. Simplesmente são pessoas as quais não tenho afinidade, mesmo que sejam pessoas bacanas. Com certeza eles se encaixam no conceito de irmandade. São pessoas queridas que curto estar por perto de alguma forma e nunca deixaria-os na mão numa ocasião necessária. Mas por tudo descrito acima prefiro um pouco de distância.

No fim das contas, se você é um brasileiro que ama o Brasil, que ama a cultura, que não consegue se imaginar longe da terra mas pretende sair porque não aguenta mais a corrupção, a falta de respeito ou coisas do tipo e, depois de um ano fora, não conseguiu se sentir feliz por favor pegue o avião e volte. Não só na Nova Zelândia. De qualquer lugar do mundo. Dificilmente você vai ser feliz se você sair da sua cidade, mesmo dentro do Brasil. Se você não acha que você tem a mínima capacidade de adaptação a melhor coisa que você faz é aceitar isso, se fechar na cápsula, e talvez trabalhando nesse conceito você se sinta menos infeliz de estar longe do seu travesseiro.

As amizades

O chavão preferido da galera por aqui é que “o Kiwi é frio”. Meu, cadê esse Kiwi frio que eu não conheci até hoje?

A galera confunde. Os grandes amigos da minha vida são de longa data. Três, quatro anos ou mais. E quando paro e penso como a nossa amizade era quando os conheci vejo que nada é diferente. Todas as pessoas novas que conheci por aqui tão por ali também, na mesma área da “frieza” inicial. Em algum momento a amizade cresceu, a confiança se estabeleceu e aí sim a coisa se criou.

O lance é que quando a gente chega rola o vazio. Falta aquele alguém que já te conhece sabe o que vocês gostam de conversar e fazer e pá-pum. Aquela coisa de achar o fator comum e encaixar as coisas é morosa e penosa ainda mais com pessoas cuja a base cultural não é a mesma. Quando você conhece as pessoas daqui, elas falam sobre os programas daqui, os livros da cultura inglesa, os músicos prediletos de todos os tempos da Nova Zelândia. E você boia. A coisa piora porque você quer desesperadamente preencher aquele vazio dos seus amigos de anos atrás que ficaram do outro lado do mundo. E aí, pra se sentir tranquilo, você acredita que a culpa é dos Kiwis, que você é super interessante é eles que são frios. Tudo porque você não é capaz de se encaixar num grupo e ter paciência pras afinidades acontecerem.

Um dia, num pub, batendo papo com o suíço que trabalha comigo ele, bebâdo, virou pra mim do nada e perguntou: “Diogo, o que você acha mais bacana nos Kiwis?”. Eu pensei e disse: “Não sei o que é. Mas é alguma qualidade que me deixa confortável pra fazer o que quero sem sentir que tem alguém preocupado com a minha vida”. Ele riu e disse: “Já reparou que eles não tem inveja?”. Puta. Ali o meu mundo brilhou. O Kiwi não tem inveja. Ele não esnoba. Ele não se intromete. Ele cuida da vida dele e da família dele. Ele faz o que ele gosta e não insiste se te convida e você não vai. E daí parece que ele não se interessa. Mas hoje, depois de meses de contato e convivência, tenho gente que me liga tarde da noite porque brigou com a namorada e precisa de alguém pra conversar no pub. Ou num sábado à tarde porque uma figura em outra cidade viu um filme e lembrou dum papo que a gente tava tendo a dois meses atrás. Os meus flatmates sempre querem saber como estou, se dispõe a ajudar de coração a todo momento com as dúvidas do inglês e do país, sempre sacam quando meu humor não tá dos melhores e se dispõe a conversar caso eu queira, entre outras coisas bacanas. E aí eu vejo que o caminho da confiança mútua tá aberto que a coisa só vai crescendo. Nínguém é intrusivo, mas sempre presente. Só depende da minha abertura pra isso. Daí o vazio começa a ficar cheio e você se sente bem.

E, pra fechar a conta, o Kiwi faz pro outro de graça com uma qualidade tremenda, e não pra aparecer. Fácil de ver isso é o tanto de trabalho volutário que entorna em todo canto e o tanto que é fácil bater longos papos com estranhos na rua. E daí eu reparei que todo mundo se abraça. Todo mundo brinca. Todo mundo se chama pra os eventos. E eu passei a abraçar todo mundo. A brincar com todo mundo. A ir aos eventos. E, de frio, só fica o vento de Wellington.

Os restaurantes

Esse é simples, curto e rápido: as chances de você conseguir algo que remotamente te lembre a comida brasileira aqui é aproximadamente nula. A única coisa que a impede de ser totalmente nula é que você pode cozinhar em casa. Se você não cozinha bem como eu é nula. As únicas semelhanças atendem pelo nome de MacDonald’s e Subway e afins. Fora isso, esqueça. E isso, na minha opinião, é uma das coisas que mais força o seu senso de adaptação. A comida tem pouco sal e muita gordura. O café da manhã sempre vai ser mais gordo que o almoço, e a janta sempre é baseada em só um prato. Picanha, feijoada ou frango assado com quiabo nem pensar. Mesmo.

Típico café da manhã Kiwi, com bacon, ovo, tomate, hasbrown (uma espécie de purê de batata frito) e torradas. Foto por “gwgs”

Depois de algum tempo eu já nem me importo muito mais. Só intolero a presença do abacate nos pratos salgados e do maldito-vindo-diretamente-do-quinto-círculo-do-inferno Vegemite.

Fora isso as cozinhas vão fechar por volta das 20h. Em alguns casos raros 21h, 22h. Depois disso só o Kebab dos turco, tira-gosto em raros lugares e bebida a rodo. E não adianta espernear na frente do restaurante, xingar as dezessete gerações do Capitão Cook ou exercer o seu instinto de assassino. Saia mais cedo de casa ou passe raiva e fome.

E não. O Kiwi, a fruta, não é a principal coisa do cardápio e só mais uma fruta pra eles. E é uma fruta chinesa.

O custo de vida

Sim. É mais caro. Tudo é mais caro. O quilo da maçã vermelha é quatro dólares, aproximadamente cinco reais. Feijão é um absurdo. Um jantar num restaurante marromeno dá uns trinta dólares por cabeça. O aluguel é caro. Se você fuma, se fudeu, porque cada maço é pra lá de dez dólares (bem feito, haha!). O transporte coletivo é uma facada. Luz é um pouco mais caro, mas não muito. Internet, pelo que vejo, é mais barata e melhor na maioria das vezes, mas com limite de transfêrencias. Telecomunicações em geral acaba dando uma empatada com o que sei do Brasil dependendo do caso.

Mas:

a) Eu entendo que tudo o que é importado, aqui, é mais caro, uma vez que a gente tá no canto do mundo e tudo vem de navio. A Nova Zelândia não produz quase nada, o que força a coisa. Coisas produzidas aqui como leite, uva, o kiwi e carne de ovelha não são tão caras assim. A maioria das vezes é absurdo quando comparado ao que estava acostumado em Belo Horizonte, mas no fundo faz algum sentido.

b) Eu ganho hoje aproximadamente cinco vezes o que ganhava no Brasil. E eu quase nunca pago cinco vezes mais caro por alguma coisa aqui. Se eu dividisse um apartamento com o mesmo perfil do que moro aqui no Brasil eu pagaria aproximadamente metade do que pago aqui, incluindo contas, eu acho. Talvez mais. O meu gasto pra alimentação é uma vez e meia o que eu gastava no Brasil. Eu pago (caro, 80 dólares por mês) academia, faço curso de língua, música, compro roupa quentinha que é uma coisa cara aqui também, vou pro cinema direto. Isso tudo era bem comedido e planejado no Brasil. Fora isso, passeio fim de semana e como super bem tanto fora quanto no apartamento. Um terço do meu salário vai pro governo. A cidade é limpinha, segura, com as estradas fodonas e com todos os serviços governamentais funcionando rendondinho. E ainda sobra grana pra pagar processo de residência, comprar bateria e viajar no fim do ano. E se bobear tentar fazer um snowboard de novo nesse inverno.

E essa é uma matemática que me interessa e eu isso não me deixa reclamar de preço de nada. Pelo contrário.

A cultura e a discriminação

Se você não sabe existe uma diferença entre a escola inglesa e a escola francesa.

Na escola francesa, que é a usada no Brasil, a multidisciplinaridade é a lei. Você aprende de tudo mas com nem tanta profundidade. Por isso você estuda todas as matérias até o terceiro ano do colegial.  Na escola inglesa você estuda todas as matérias até um certo ponto. Dali em diante você escolhe se vai cair pra Artes, Humanas, Exatas ou Médicas. E vai estudar mais as matérias condizentes com a sua escolha, o que vai refletir diretamente na sua escolha de faculdade. Você estuda poucas matérias, mas com maior profundidade.

Pelo que notei por aqui, comumente os latinos (incluindo espanhóis, portugueses e franceses) tem uma visão mais abrangente de mundo e de assuntos gerais, enquanto os europeus tendem a saber mais da sua área de atuação e serem um pouco mais alienados quanto ao resto. Surpresa! Exatamente o que era de se esperar, tendo em vista a constituição básica da vida acadêmica.

Eu, no início, me magoava quando as pessoas achavam que eu falava espanhol, não se interessavam pelos aspectos culturais que eu acho foda no Brasil, entre outros. E percebo que existe uma grande mágoa por parte dos outros brazucas por causa desse desinteresse deles também.

Depois vi que, não adiantava o quanto eu falasse, existia uma falta de base por ali. Há umas duas semanas atrás uma amiga chegou e falou duma forma super bacana que, logo quando cheguei, as vezes enchia o saco a minha empurração de “eu sou diferente e tenho um monte de coisa pra mostrar pra vocês!”. E ela citou que, assim que comecei a aclimatar mais quanto a Nova Zelândia isso foi cessando e aí sim eles foram realmente vendo “quem eu verdadeiramente era”.

Foi exatamente isso que ela usou. “Then we started seeing who you really are”. Eu falei com ela pra me dar um tempo pra pensar sobre isso e que ia bater papo com ela sobre isso outro dia. Pensei sobre o assunto e a minha primeira reação foi a negação. “Como assim? Quer dizer que então que eu só me torno uma pessoa verdadeira pra você quando eu passo a ser menos brasileiro?”Depois fui pensando e vi que não. Não é absolutamente nada disso.

Tudo que ela quis dizer é que eu sou algo além de brasileiro. Que grande parte do que sou se dá porque sou brasileiro mas que existe uma grande outra parte que não. E essa segunda parte é que as pessoas tavam interessadas e que foram conhecendo depois de um tempo. Num primeiro momento, com toda a confusão, eu me escondi atrás do escudo da brasilidade porque, pra mim, isso era legal e era o que eu considerava mais valioso. É legal e rico pra mim mas isso não significa quetodo o mundo vai achar a mesma coisa. Nas ocasiões certas o fato de eu ser brasileiro se fez interessante naturalmente.

Mas daí alguém vem dizendo “Mas Diogo! O Brasil é um pais grande! De cultura  riquíssima! Como assim eles não conhecem e se interessam por nada disso?”. Eu geralmente respondo dizendo “O quanto você conhece da China além do que você viu na TV? Sabe falar algum cantor famoso? Comida típica? (geralmente recebo uma risada e ‘sushi’ como resposta) Movimentos culturais interessantes?”. Não. Ninguém sabe muito. E, quando colocado em proporção, é um país mais significativo mundialmente que o Brasil na maioria dos contextos. Eu conheço pouco. Fui ver o quão grande era minha ignorância quando comecei a estudar Mandarin. E quietei o facho. Não dá pra culpar ninguém que nada sabe além do Brasil do que futebol e carnaval. E não dá pra culpar se eles não entendem e não amam quando a gente fala de alguma coisa sobre isso. O Brasil, pra mim, é toda a minha base cultural e a partir dela que estabeleci minha visão de mundo, apesar de não tê-lo feito somente baseada nela. A Nova Zelândia sempre foi só um outro país na minha vida. A recíproca também vale pra eles.

Hoje, quando me perguntam de onde eu sou, respondo que sou duma cidadezinha à Nordeste de Invercargil chamada “Nice Horizon”. Nenhuma mentira aqui se você olhar no mapa. Mas geralmente a galera dá risada e a gente parte pra outro papo, uma vez que ninguém nunca ouviu falar de nenhuma cidade com esse nome na Nova Zelândia e o meu sotaque não nega. Mas o negócio é que eles já tão acostumados com estrangeiro pra todo lado e isso realmente não faz muita diferença pro papo. Respondendo isso, a parede do “eu sou estrangeiro” não foi construída e tenho percebido que a aceitação inicial pra conversa tem sido mais amigável porque eles não se armam contra a falação sobre a cultura natal. Logicamente em algum ponto da conversa falo que sou brasileiro, mas dali em diante o fato já não é o que estabeleceu a conversa e é levado de outra forma.

O Kiwi está vendo suas cidades sendo invadidas pelos asiáticos e indianos, com restaurantes e replicações das celebrações de cada cultura. Vários possuem cardápios somente em chinês ou com as duas línguas. E essas culturas se juntam num canto, impõe seu modo de vida e interagem pouco com o resto da sociedade. Isso não gera o ódio, mas gera a segregação subliminar. Todo mundo, num papo corriqueiro, cita a etinia de quem tá falando, a não ser que ele seja europeu ou norte-americano. “Meu amigo, coreano, …” ou “O namorado dela, sul-africano, …” e assim vai. E esses fatos na maioria das vezes não são relevantes de forma alguma para o que está sendo contado. Eu me incomodo quando alguém me apresenta como “Esse é o Diogo, brasileiro”. Eu sou o Diogo. Ponto. Diga só “Esse é o Diogo.”e deixe que eu me encarrego de saber quando o fato de eu ser brasileiro se torna relevante pra ter uma conversa interessante com alguém. Eu não sei porque, mas isso acontece e me incomoda. Acho que é porque eu sei que é porque nada vai se estabelecer numa amizade só porque eu sou brasileiro. Nunca fiz um amigo na minha vida por causa de ser brasileiro. Então deixe isso ser uma das coisas que eu sou e não a minha condição de ser, por favor.

Eu nunca sofri discriminação, mas já vi e ouvi bastante de gente que já. O engraçado é que os casos que ouvi (não só com brasileiros) geralmente acontecem depois de um momento “mas da onde eu venho as coisas não são assim”ou “eu não vou fazer isso de tal forma porque não é assim no meu país”. Em geral quando algo do tipo “a minha cultura é a certa e a sua não” acontece. Isso acontece principalmente com as culturas asiáticas, mesmo os kiwis sendo extremamente flexíveis e tendo noção de como lidar com isso em certas ocasiões. Apesar de não haver a discriminação clara com os brasileiros o preconceito sim existe e se expressa nas piadinhas envolvendo sexo, drogas e violência que eu ouço uma vez ou outra. Eu não me ofendo porque mesmo feitas pra me sacanear não são dirigidas diretamente a mim. Mas me entristece de qualquer forma. Afinal de contas, Cidade de Deus, Carnaval e Copa do Mundo é tudo o que eles tem acesso por aqui. E isso, na minha opinião, é a pior parte das coisas boas que o Brasil tem.

Outro fato interessante por aqui é ver que você é preconceituoso sim. Os esteriótipos germânicos, africanos, asiáticos, entre outros, ficam claros na sua cabeça. E você divide as coisas e as trata em cima de cada conceito pré-formado. Só o tanto de vez que usei “os kiwis”, “os brasileiros”, “os asiáticos” e afins nesse texto me diz que a minha cabeça nunca vai ser livre dessa separação. O que não me permito fazer é condicionar um tratamento a isso numa situação cara a cara. Numa análise maior, como a desse post, considero cabível mas quando conheço gente dos diferentes lugares pra mim nada disso importa. Pode parecer contraditório mas a prática e a teoria não caminham juntas muitas vezes.

Pra finalizar

Essa baboseira toda é só pra re-afirmar o que disse lá em cima. Não existe jeito certo ou melhor de viver e acreditar nas coisas. A Nova Zelândia não é o melhor lugar do mundo, assim como o Brasil também não. Eu não sei qual lugar no mundo é, mas tenho certeza que se eu resolver viver a minha vida pensando , ponderando, reclamando ou comparando sobre isso eu não vou ter a oportunidade de realmente conhecê-los. E a única coisa que vou levar pra qualquer canto do mundo é a minha experiência concreta pela vida.

Milford Sound, minha paisagem favorita na Nova Zelândia, por Kenny Muir

Aqui sim tem coisas que não me agradam. O kiwi não é invejoso. Mas ele também não é ganancioso. Talvez por isso não seja invejoso. Ele presa pela vida de qualidade com a família e uma casa confortável. Uma viagem bacana, um show interessante e ver o time de rugby na TV. No ambiente de trabalho não existe aquela pressão que te deixa apertado e o cutucão pra buscar coisas novas e crescer. Acaba que a gente dá uma acomodada, o que é ruim. Eu vejo isso também nas bandas que participo por aqui. O crivo é muito largo e tudo tá bom pra eles. Eu, acostumado a ser puxado e a puxar meu colegas de banda, as vezes vou sozinho na empolgação e acaba que soa ruim porque eles não respondem. Isso me incomoda bastante porque eu gosto de ter gente que quer mais por perto.

Talvez esse seja o meu único grande problema na Nova Zelândia. A falta de pensamento grande, do eu quero mais, do isso pode ser mais fantástico. Fora isso, hoje o que eu mais sinta falta e a variedade musical que eu estava exposto no Brasil, ainda mais em Belo Horizonte. Fora isso, esse lugar é lindo.

Todas as outras coisas que já me incomodaram um dia foram respondidas. Eu sempre achava nojento o fato de a cor predominante nas roupas ser preta. Até que o frio começou a apertar nos últimos dias e percebi que minhas roupas escuras me deixam mais quentinhos que as roupas claras. Entre várias outras coisas eu comecei a ver que tudo tem o seu porquê de ser e a com a causa na mão fica difícil achar ruim de alguma coisa.

Eu não busco dinheiro, futuro garantido ou nada do tipo aqui. Na verdade eu não tenho um objetivo concreto traçado, somente planos. O meu único produto até o momento e que eu pretendo manter é a experiência. Sendo assim, pra fechar a conta, eu recorro a dois dos meus filósofos favoritos, que foram fazer muito sentido só depois que cheguei por aqui. Sartre diz que o mau do mundo é o outro. Enquanto a gente tentar culpar alguém ou achar a razão numa circustância externa para a nossa infelicidade a gente nunca vai ser capaz de olhar pra si mesmo. Enquanto a gente joga a responsa no outro e cuida da vida do outro a coisa não rola. E na minha cabeça eu completo isso com o que Nietzsche diz muito bem. Ninguém muda. Não é da natureza humana mudar. O conforto é muito bom mas pouco frutífuro. Só aquele que é capaz de perceber isso e ser forte o suficiente pra lidar com as suas próprias fraquezas cresce e evolui. Só no desconforto a gente se fortalece. Mudar de país e reconstruir seu alicerce nada mais é que um exercício de auto-conhecimento e solidão. Bobo é aquele que perde o seu tempo lutando contra a adversidade ao invés de trabalhar junto dela. :)

Um pouco dos kiwis

Eu achava que o povo no Brasil bebia e era festeiro. Tá, isso não é mentira. Mas chegando na NZ vi que a gente pode ter várias versões da mesma história. O povo Kiwi talvez seja um dos povos mais beberrões do mundo e, talvez por isso ou não, uns dos mais festeiros.

Morando no centro há um mês posso dizer o quanto a vida às sextas e sábados à noite é agitada para os Kiwis. A Courtenay Place, centro das baladas de Wellington, fica empaturrada de gente andando pra lá é pra cá. É proibido beber enquanto na calçada mas é liberado dentro dos bares. Um pouco pra frente do final da Courtenay Place fica a Cuba Street, outro ponto quente nas noites por aqui. Minha casa fica entre as duas ruas mais ou menos e dar uma saidinha pra um jantar te proporciona vários eventos antropológicos interessantes.

É consenso geral que o povo Kiwi é frio. Sim, ele é. E também é consenso geral que é por ser frio é um povo mais complicado pra fazer amizade. Esse ponto eu discuto com fervor. Os grandes amigos da minha vida ficaram no Brasil e isso é fato, tirando Guilherme e Daphne que estão por aqui também. E eu não espero fazer tão bons amigos íntimos em um período curto pois esses mesmos amigos aí de cima estão na minha vida há alguns anos e, entre bons e maus momentos, se firmaram como regulares no meu hall de preferidos. Isso não muda pela cultura e sempre foi desse jeito no Brasil.

O Kiwi está muito mais preocupado com a própria vida do que o brasileiro. E por isso ele é frio. Ele não quer ficar sabendo da sua vida e por isso também não fica falando da dele demais.  Isso parece superficialidade mas, no fundo, é uma postura que me agrada. Ninguém te encara mau nas baladas enquanto você se diverte e dança mal, ninguém fica te julgando pelo que você faz ou deixa de fazer. Tá todo mundo preocupado em ficar tranquilo e curtir suas coisas. O fator urgência é menor pra tudo que eles fazem e isso me desespera às vezes. Mas isso são os que eles são.

Eu não passei grandes dificuldades com as amizades Kiwis, tão reclamadas por todos brasileiros. Entre flatmates, trabalho, bandas e agregados conheci excelentes pessoas que, com o tempo, têm estabelecido confiança mútua e bons momentos por aqui. Quando não entendo meu jeito mais pra frente pergunta se me entenderam errado com a maior calma do mundo. Eu explico, todo mundo fica feliz e vamos falar de qualquer outra coisa. Sem frescura e de boa. As saídas por hora são tranquilas e por hora agitadas mas o grande fato é que, no meio de Kiwis, é sempre divertido. Sentar com brasileiros de vez enquando é bom mas a trivialidade nunca se faz presente e é comum os papos falando bem e mau do Brasil e bem e mau da Nova Zelândia ao mesmo tempo. Eu sou burro e não consigo acompanhar um papo quadrilateral e contraditório assim. Pra evitar angústia, evito.

A maior dificuldade pra mim é ter que tratar como amigão aqueles que são meros conhecidos mas, porque falam a mesma língua que você e entendem suas piadas, acham que são conhecidos de infância. Acontece. Mas o que realmente me aproximou e me fez gostar de poucos brasileiros aqui foi empatia e não conforto cultural. Aproveito os curtos eventos pra cantar músicas brasileiras e continuar regando o meu pé brasileiro que faz parte de mim. Mas eu realmente sou chato e gosto da coisa de descobrir um mundo novo. As amizades brasileiras com certeza são ultra importantes e me ajudaram muito em momentos mais complicadas. Mas, pra mim, taxar o Kiwi de frio, distante e tosco quando o assunto é amizade é um crime porque, no fundo, eles são tão felizes e festeiros pra tudo quanto os brasileiros. :)

Impressões #1

Há algum tempo venho ensaiando uma série de posts curtos sobre assuntos variados de vivência aqui. Entre eles figura a gravidez na adolescência, sobre como o povo não te “cumprimenta como a gente tá acostumado” entre outros. Mas o assunto desse post é outro.

Vindo pra Nova Zelândia eu ganhei a oportunidade de viver uma coisa impossível tecnicamente. Só aqui é possível viver os anos 80 com 20 e poucos anos de idade. A produção cultural sempre me remete ao bregas oitentistas. Muitas cores gritantes, figuras geométricas e tipografia primária. Essa semana finalizei um site pro trabalho  (Fringe Festival 2009) e vendo o layout do site e surfando pelos links é possível se ter uma boa noção de como as coisas funcionam.

Não é difícil ver Madonna inicio-de-carreira tocando nas baladas, assim como Abba e Cindy Lauper. Os adolescentes produzem músicas baseadas em Crowed House (produção nacional. :P), Blondie e Hasselhoff. Isso é bom? Ótimo! Aumenta nosso vocabulário. Aqui não existe gente vidrada com som no carro na mesma proporção do Brasil mas toda balada tem um sistema de som na calçada, pra quem tá do lado de fora sentado nas mesmas. Passar pelos lugares é uma experiência retrô das melhores.

É maravilhoso ver como as pessoas aqui se vestem, mesmo sabendo que não é seu estilo. Mulheres com saia ou calça saint-tropez, um chapéu de mafioso e uma rosa na camisa não espanta ninguém. Os homens ficam com a calça apertada e coletes de couro. Isso é normal, bonito e divertido.

Apesar de tudo, pra quem não é dessa onda como eu, é possível achar de tudo um pouco. Eu não saio um dia pelas ruas de Wellington sem ouvir pelos menos quatro idiomas diferentes, além do inglês. Quase todo dia tem um tipo de música difernte em algum boteco. E o bucado de exposição acontencendo concomitantemente num tá no gibi. Uma mistura assim é um prato perfeito pra gente chata como eu que quer sugar o máximo que pode de diferente do mundo. :)

Assim que tiver um tempinho eu volto pra contar mais coisa. :D Perguntas são bem vindas e me ajudam a aprofundar o assunto!

Viagem pela Ilha Norte

Semana e meia de folga, as coisas caminhando bem e resolvi dar uma banda pela Ilha Norte pra conhecer um bucado melhor do país. A idéia era a mesma: pegar o carro e sair batendo de cidade em cidade. A rota inicial tava definida e o plano era chegar até Cape Reinga, na extrema ponta norte. Mas, como vou contar mais pra frente, as coisas não foram assim.

Como sempre, se você não aguenta mais pra ver as fotos, clique aqui.

A viagem começou em Napier, cidadezinha pequena no leste da Ilha Norte. No  caminho dei um pulo em Taumatawhakatangihangakoauauotamateaturipukakapikimaungaho – ronukupokaiwhenuakitanatahu, o monte que possui o maior nome do mundo. Aliás, nessa viagem eu aprendi coisas fantásticas sobre a cultura Maori. Uma delas é que, como eles não possuiam língua escrita, as histórias eram contadas nos nomes das coisas. Esse nome fala sobre o guerreiro que perdeu um irmão numa batalha pela região e todas as manhãs ia lamentar sua perda tocando e cantando no topo do monte.

Napier é uma cidade bunitinha até falar chega e com muito a mostrar sobre Art-Decô. Em 1931 a cidade sofreu um terremoto pesado, assim como Wellington, e foi totalmente reconstruída. É possível encontrar vários marcos e placas falando sobre o terremoto e a reconstrução da cidade. Uma tarde na beira da praia é uma agradável pedida com bons amigos.

No dia seguinte saí em busca de Taupo e Rotorua. Taupo é uma típica cidadezinha praiana, apesar de estar na beira de um lago. O maior lago da Nova Zelândia possui várias atrações bacanas, atrações essas que acabaram por me confundir e minha tristeza ficou em não conseguir fazer tudo que queria por lá. Tudo é muito caro também, diga-se de passagem. Por lá vi o Craters of the Moon – planície com vários geisers soltando vapor o dia inteiro – e Huka Falls, uma corredeira pra lá de bonita que me deixando babando por alguns minutos. Mais empolgados que eu só os Indianos que grivatavam como loucos pelos mirantes espalhados ao longo da corredeira.

Se eu soubesse que ia encontrar o que encontrei em Rotorua teria deixado o Craters of the Moon pra trás e teria ido ver o Maori Rock Carvings, se o meu dinheiro deixasse. Roturua possui uma fantástica rede de geises em parques no meio da rua. A experiência de dirigir e ver uma rua embaçar inteira em dois minutos de uma forma que você não enxerga um palmo na frente do carro é fantástica. Alguma coisa acontece debaixo da terra e todo mundo resolve cuspir vapor de uma vez. O preço pra isso é ficar cheirando enxofre o dia inteiro. A cidade cheira à uma quarta-feira à noite, num quarto abafado, com três dos seus amigos mais flatulentos após um almoço servido de ovo e feijão. Todavia, foi lá que visitei o Te Puia, centro de cultura Maori na Nova Zelândia onde aprendi muito sobre os nativos. Lá também vi um geiser cuspindo água há quinze metros de altura e vi uma apresentação Maori que me deu arrepios em alguns momentos.

Depois disso fui pra Whakatane. O que tem em Whakatane? Um cinema. Fora isso, você tem que pegar um barco e ir pra White Island. Lá sim o bicho pega direito! A White Island é o único vulcão ativo da Nova Zelândia e você pode passear o quanto quiser por lá, desde que pague um barco e um guia autorizado pra te levar. Eu fui? Não. Fiquei dois dias em Whakatane e a minha chuva de estimação ficou por lá, lavando tudo o que podia. A chuva tava tão feia que os barcos foram cancelados. Eu desisti e fui rumo a Coromandel na manhã do terceiro dia, após outro cancelamento.

No caminho de Coromandel, ainda com chuva, dei uma pausa em Mt. Manganui e Tauranga. Duas cidadezinhas pequenas em volta do Monte Manganui, com praias super bacanas. Foi só uma parada rápida pra um almoço. O destino final tava mais ao norte.

Após redescobrir os meus devidos destinos com ajuda do GPS fui parar em Hahei Beach e Cathedral Cove. A melhor descrição é “Puta que pariu!”, com cara de bobo. O lugar é absolutamente fantástico. Sentei em Hahei Beach por quase uma hora e fiquei babando no que estava vendo. Saí de lá empolgado para Cathedral Cove. Fim de ano e a minha chegada lá não foi das mais feliz. A farofada estava presente, e por algum motivo besta que não sei qual não achei tanta graça. Vendo as fotos depois não entendi como não me maravilhei com aquele lugar. Algo tava errado, mas fui pra Coromandel City arrumar um lugar pra passar a noite.

Como fim de ano, não havia vaga em backpacker algum. Após oferecer ajuda para duas brasileiras que tiveram o vidro do carro quebrado e o celular roubado, resolvi puxar os planos um dia pra frente e chegar em Auckland antes. No meio do caminho, programando as coisas no GPS pra ir pra Aucklando vi o botão “Go Home” e percebi que era bobagem continuar viajando sozinho com saudade da mãe e dos amigos pra poder dividir aquilo tudo. Passei uma noite em Otorohanga, vi um Kiwi solto na natureza, e voltei pra Wellington no dia seguinte. :)

Aqui vão alguns panoramas que fiz pela viagem:

Napier Port
Lake Taupo
Hahei Beach
Coromandel Peninsula

Wellington

A cidade que me acolhe caiu fora das minhas expectativas. Eu esperava um cidade desértica e semi-rural. Mas não.

Até agora Wellington me parece uma cidade extremamente agradável e acolhedora. A maioria dos atendimentos foi tranquila e o kiwi possui um humor agradável. Um bom parâmetro pra isso são as publicidades, que sempre são cheias de piadinhas.

Algumas coisas são absurdas. Ano passado morreram 4 pedestres atropelados no trânsito. A campanha de conscientização da população é de dar inveja em qualquer político no Brasil. Em vários ônibus existem mensagens de alerta e também existem corpos pintados nas faixas de pedestres (aqueles circulados, de giz, igual do filmes policiais). O sistema de aviso para travessia apita pra facilitar os deficientes visuais e os motoristas sempre dão preferência para o pedestre.

Outra coisa é o tráfego de ciclistas, não os de moto, os de bicicleta mesmo. Capacete é obrigatório e eles andam na rua, como um carro comum, sinalizam com a mão as conversões e são respeitados como um carro comum.

Como Daphne disse bem, a cidade é clara te dá uma sensação de conforto muito boa. Você não se sente tampado nem claustrofóbico, o que se mantém pela noite.

As áreas perifíericas lembram típicas cidades country americanas enquanto o hipercentro lembra uma grande cidade como São Paulo, mas só de cara, não espírito. Prédios bonitos e altos e grande movimento de pessoas. Por grande movimento de pessoas entende-de um fluxo de calçada num bairro igual ao Buritis, às 15h da tarde. É o máximo de gente que você encontrará andando pela rua com maior densidade demográfica da Nova Zelândia, a Lambton Quay.

O que ainda não me acostumei são os lados de circulação. Na calçada as pessoas andam invertido do Brasil. A grande maioria das escadas rolantes são invertidas também, mas não todas. Pra finalizar, algumas roscas das tampas dos potes também mas não todas. E a regra principal talvez seja olhe para os dois lados sempre antes de atrevessar a rua.

O inglês vai bem obrigado. O foda ainda é o sotaque. “Upstairs” vira “Upsteirs” e “Test” vira “Tist”. Mas até agora já fui no médico com Daphne, comprei câmera e bati papo com uma mocinha da Red Cross direitinho. Fui entendido e entendi relativamente bem.

Até o momento Wellington é um mini-sonho fora do Brasil. Agora é ter mais contatos com os kiwis e ver como eles são de fato.

Cheguei. :)

Após 41 horas de viagem, entre aeroportos e longas esperas de aeroporto enfim chegamos. Cansados, obviamente. Mas chegamos. Vamos no passo a passo pra coisa render mais.

Saída

Saindo de Belo Horizonte às 6h30 da manhã chegamos em São Paulo às 7h. As malas sairam seladinhas com GRU-SCL-AKL, o que nos tranquilizou bastante. A despedida da família e dos amigos é dura e dói o coração. E com esse sentimento embarcamos.

Guarulhos

Em Guarulhos a gente imigrou pro Brasil. Sério. O vôo da Tam pego seguia pra Buenos Aires, então a gente entrou no Aeroporto pela parte internacional e tivemos que imigrar. O pó da super-organização brasileira foi que caímos na área alfandegária do Aeroporto e tinhamos que pegar uma fila com quase 500 pessoas chegando dos Estados Unidos / Europa e com 180 kilos de mala cada uma. Tentamos de todo jeito informar aos queridos que não tínhamos nada que estar ali e precisavamos pegar um vôo pro Chile em 1h. Pipocamos pra todo lugar até sermos informados por um fiscal que passar por baixo da fila era a melhor solução. Assim foi feito. O fiscal lá da frente nem quis ver nossa cara e saímos. No saguão fiz check-in na LanChile ganhei uma Jaca e embarquei feliz.

Indo pro Chile

As aeromoças da LanChile são uma anti-simpatia em pessoa. O tempo inteiro você sente que está as incomodando. Apesar de tudo o avião é bonitinho e a comida gostosa. Em 4 horas pousaríamos em Santiago. Vale observar que comunicação não verbal não é tão universal quanto se pode pensar. Ao ser perguntando se queria mais café estava de boca cheia e respondi “Tô bem, obrigado.” usando as mãos. Ela entendeu “Até a tampa, por favor.”

O ponto alto é o sobrevôo nos Andes. Prometemos fotos e vídeos em breve. É uma paisagem que
detona toda e qualquer tentativa de continuar afirmando que as paisagens de Minas Gerais são as mais bonitas do mundo. Sinto muito terra natal mas os Andes são fenomenais.

O que é importante observar é que Santiago é perto dos Andes. O procedimento de descida começa no meio da travessia da cadeia de montanhas. Eu fiquei temeroso por 10 segundos, mas passou e, logo depois, o vôo segue paralelo à cadeia de montanhas, o que dá uma vista espetacular.

Santiago del Chile

Desembarcando fomos informados que pagaríamos US$30 cada um para reembarcar caso saíssemos do Aeroporto. Como nossas malas estavam sendo despachadas direitinho e tínhamos felizes 10h à nossa disposição consideramos uma boa oportunidade para conhecer a capital chilena. Trocamos R$150 por $36.750 (no Chile, a moeda é o Peso) e nos sentimos instantaneamente ricos. Ilusão. O táxi do aeroporto pra cidade no custou $14.000 a ida e isso, de novo, na volta. Os preços em Santiago, quando convertidos, são comparáveis aos do Brasil. Mas a sensação é de estar gastando muito dinheiro.

Santiago, infelizmente, não correspondeu ao que esperávamos. Vimos uma cidade bem velha e suja, com muita gente pobre. Andamos um bucado pelo centro da cidade mas não nos aprofundamos em nada. Talvez com um melhor planejamento e mais tempo as coisas seriam melhores. Mas fomos desencantados.

Saímos do Chile feras no Portunhol. Nós viramos excelemente bem, o que deve ter assustado a todos uma vez que eu estava com uma blusa do “Inca Cola, la bebida del Perú”, o que me daria um amigo aqui em Auckland. O impressionante é que, ao tentar falar espanhol, o cérebro quer falar inglês. Parece que a chavinha “língua estrangeira” liga e tudo mistura. O inglês quer sair e você tem que forçar pra não falar.

No embarque acabou que não pagamos a taxa. Embarcamos, jantamos e fomos pro vôo.

Ponto alto: No restaurante Marco Polo, na Plaza de Armas, no hiper-centro de Santiago dá-se o seguinte diálogo com o garçom:

- Una Coca, por favor.
- Coca, lá bebida?

Mais tarde fui informado por uns brazucas no vôo pra Auckland que eles chamam Coca-Cola só de Cola. Ou de Coca-Cóla, com ênfase no Cola. Tsc tsc.

Transpacificando

Saímos do Chile 23h. Puta avião da LanChile, cheio de australianos, chilenos e brazucas. O avião foi por mim carinhosamente alcunhado de “A terra onde o tempo não passa”. Não adianta o quanto você durma, tente ler ou andar pelo avião. Sempre terá passado somente meia hora de viagem após a decolagem. Apesar de o avião ser confortável e ter um bom sistema de entretenimento individual a minha tela travou no meio da viagem e o meu fone, desde a decolagem, só funcionava em um dos lados. Adorável! Mas tudo foi tranquilo e no tempo.

Auckland

Em Auckland a emoção começou. Desembarque e posterior imigração. A imigração parou somente brazucas. Daphne passou direto com a residência mas ficou pra me acompanhar. Eu e mais uns 6 brasileiros que estavam indo pra estudar ou passear pararam e foram chamados pra salinha. A imigração da Nova Zelândia é um dos lugares mais bonitos que já vi na vida. Uma sala gigante com uma decoração maravilhosa.

O primeiro fiscal era um típico Maori. Me atendeu sem questão de muita simpatia e chamou a moça lá dentro pra pegar meu passaporte. Me mandou sentar. Esperei uns 10 minutos até que uma simpática senhora, também Maori, me chamasse pra conversar. Ela fez perguntas de forma forte e ficou vendo minhas reações. Apesar de um pouco nervoso fiquei tranquilo, respondi tudo que ela queria e entreguei toda a documentação necessária. Ela pediu pra chamar a Daphne pra ver se ela era residente mesmo e deu tudo certo. Visto de turista de 3 meses. Saímos e fomos pra bagagem.

O aeroporto de Auckland é bem grande e ficamos meio perdidos pelas esteiras. Optamos por nos dividir. Enquanto Daphne estava cobrindo um setor eu estava cobrindo outro. Foi aí que fui parado:

- Where did you get this T-Shirt? (Apontando pra blusa do Inca Cola)
- A friend went to Peru and bought it to me.
- That’s nice! I’m from Peru.
- Really? I’m from Brazil!
- Brasil? Muy bueno! Moras aqui?
- No. Just visiting.
- Do you live in Auckland?
- No. Estoy indo para Wellington.
- Ben venido! My nombre és Esteban. Visita-me en Auckland.
- Sure! I will!
- Good bye! See you!

Nisso ele saiu andando, não me deu nenhum contato. Peruanos…

Pegamos a mala (que chegaram lindas e fechadinhas apesar de todo o medo precedente com a Aerolíneas Argentinas) e fomos pra fila que verifica se a gente não tá trazendo comida, couro ou outras coisas que podem ter algum tipo de praga pro país. Como a gente tava traficando chocolate até tivemos que passar, mas fomos liberados pelo fiscal que não achou isso perigoso. :P

Saímos do terminal internacional e fizemos check-in no vôo doméstico. Os Kiwis no caminho todos são muito gentis e sorridentes. Alguns são tão fofos que dá vontade abraçar. Hehehe. A etnia Maori é fortemente presente no país e o inglês de todos os neozeloandeses tem pontos difícilimos, mas dá pra se virar. Ao contrário do Australiano que conhecemos tomando café no aeroporto, de sotaque impossível.

O vôo

Embarcamos às 9h da manhã, horário local. :P O Avião da Air New Zealand, apesar de comparável, bate nos locais brasileiros de mil. Fora as aeromoças sorridentes e lindas. Comemos umas coisas diferentes mas que após o costume ficam boas.

Do avião dá pra ver a Ilha Norte inteira. A paisagem é impressionante. Não deu pra tirar fotos do avião, mas não faltarão oportunidades.

Finally Wellington!

Lambton Quay Lambton Quay

Fizemos uma hora no aeroporto pra esperar o Guilherme mas ele comunicou um possível atraso e estávamos muito cansados, então resolvemos vir pra casa sem ele.

Wellington é uma cidade MUITO bonitnha. Estilo europeu nos bairros mas com arquitetura bem moderna no grande centro, onde estamos instalados. A foto ao lado tirei na Lambton Quay, a principal avenida comercial de Wellington. Os Kiwis são realmente bacanas e educados. O trânsito dá nó na cabeça, mas é extremamente organizado. Mão inglesa é uma coisa estranha. Mas a educação é exemplar e pedestre tem uma preferência absurda no trânsito em todo lugar. A primeira impressão é apaixonante e empolgante. Tô louco pra comprar uma câmera pra sair batendo foto em todo lugar.

Agora é sair pra viver. Esse post ficou grande devido à quantidade de coisa pra montar. Mas tentarei postar tudo com frequência. Assim que Daphne descarregar as fotos e os vídeos de viagem, publico aqui. :)