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A Nova Zelandia e os terremotos

Ja tem tempos que eu to pra escrever isso. Pessima hora. Entao talvez seja a melhor.

Por incrivel que pareca, frente a uma parada tao grande e assustadora, eu nao sinto medo, e tambem nao sinto que esse eh o sentimento geral. Todo mundo entra em estado de alerta e esta se preparando caso algo aconteca. Mas, ate o momento, o clima eh de uniao e apoio a tudo e a todos em Christchurch.

Se voce nao sabe o que esta acontencendo, Christchurch na ilha sul passou por um terremoto de magnitude 6.3 perto (10km de distancia) do centro da cidade. Grande parte da cidade foi destruida e o estrago na regiao foi grande. Efeitos como liquidificacao do solo e os aftershocks (terremotos menores apos o principal) estao ocorrendo e a coisa nao eh legal.

  Rua em Christchuch, apos o terremoto. Fonte: stuff.co.nz

Mas, como eu disse, nao tem ninguem parado. A cidade ja tinha passado por um terromoto maior em Setembro, mas que devido a distancia nao fez tantos estragos. Infelizmente, o segundo acontenceu logo quando as coisas estavam tomando forma. O primeiro nao teve fatalidades, mas este ja contabilizou mais ou menos 160 mortes.

Logico, sim, no primeiro momento vem o susto. A tentativa de contato para saber se conhecidos ou familia de conhecidos estao bem. Dado isso, todo mundo comeca a se mover pra arrumar a coisa e confortar o que pode. So pra ter ideia, ai vai uma listinha de sites com foco em ajudar os que sofreram problemas com o evento:

  • Civil Defense
  • Cristchurch Earthquake Appeal
  • Red Cross Earthquake Donation Appeal
  • Quake Escape
  • Shelter
  • SPCA Donations, para os animaizinhos
  • Adopt a Christchurch Family
  • Student Volunteer Army

    Existem outros trocentos servicos de mensagem de texto para doacao. Todos os bancos tem algum fundo pra o terremoto. Varias lojas fizeram reversao de porcentagem de vendas para doacoes e eh impossivel nao participar da comocao. Na ilha sul, as cidades vizinhas estao se organizando e recebendo as pessoas como podem. E a galera nao ve a hora de reconstruir uma cidade melhor e mais bonita.

    Existe uma parada engracada no conceito de terremoto. Ha duas noites atras eu acordei as duas da manha com um barulho que achei que era so um barulho de navio no porto ou um caminhao por perto. Mas o barulho foi aumentando e de repente a ficha caiu que era um terremoto chegando. Pulei de barriga pra baixo na cama pra me proteger e de repente tudo comecou a balancar de um lado pro outro. Cinco segundos depois tudo passou e nada demais aconteceu. Levantei e comecei a checar a casa e ver se tudo e todos estavam bem. Conectei pra saber mais informacao e fiquei sabendo que um terremoto de 4.3 tinha acontecido ao norte de Wellington. Eu ja presenciei alguns antes tao temerosos quanto. Mas eh uma coisa que vem e vai sem aviso. Nao existe forma de prever e quando se percebe que vai rolar nao ha tempo de fazer nada. A sensacao de falta de equilibrio e o barulho a sua volta nao sao nada legais.

  • Existem muitas teorias de como se salvar. O Triangulo da vida (Triangle of life) eh uma das mais controversas e, depois de presenciar um terremoto e ler varios relatos, uma grande bobagem. O Duck, Cover, Hold (Abaixe, Se cubra, Se segure [traducao melhor, alguem?]) ainda eh a mais efetiva, e batentes de porta e vaos de escada sao as partes da estrutura de um predio que voce tem acesso que sao as mais seguras. Todavia, cada casa eh um caso e, mais uma vez, qualquer tentativa de se achar um padrao eh uma bobagem.

    Fato eh que, na Nova Zelandia, terremotos sao parte do dia-dia. Um terco dos predios de Christchurch foram condenados apos o terremoto e vao precisar ser demolidos. Um terco. 160 mortes confirmadas.  Pra magnitude do terremoto isso eh um numero ameno. Compare os numeros com os terremotos do Haiti e da China no ano passado e eh visivel o quao o pais eh preparado. A legislacao pra construcao eh firme e a fiscalizacao tambem nao brinca.

    Ano passado eu participei do curso de formacao de voluntarios para a defesa civil de Wellington e tive um contato com a estrutura de trabalho e organizacao das camadas da Defesa Civil do pais. Fora isso, rolou exposicao ao trabalho de voluntario em situacoes reais e entendimento das prioridades e planos quando uma coisa assim acontece. Esse curso me cria varias oportunidades. Posso, por exemplo, me voluntariar para problemas como o de Christchurch. Dessa vez, infelizmente nao pude comparecer. Mas apos o curso a gente teve contato com o publico e eh legal ver como todo mundo se preocupa e se envolve. Uns mais, outros menos. Dados os acontecimentos de Christchurch, a galera ta se ligando mais ainda.

    So pra constar, a galera da Defesa Civil tambem tem uma conta de Twitter para alertas especificos a Wellington.

    O Geonet eh o centro de referencia pra atividade sismologica na Nova Zelandia. Se algo acontece, vai aparecer la. E a conta de twitter do Geonet eh uma coisa interessante de se seguir uma vez que ele twitta terremotos o tempo todo. Bom, “interessante” eh relativo, mas da pra ter uma ideia de como a atividade cismica no pais eh monitorada. :P

    A proposito, a White Island, um vulcao ativo no norte do pais, eh um dos meus pontos nao visitados preferidos e o plano de ir pra la persiste.

    No fim das contas, ate bom humor a galera tem. Nesse site existe uma galeria de latrinas improvisadas construidas pelo pessoal de Christchurch. Reza a lenda que o Kiwi eh um dos povos mais inventivos do mundo. Com o bom humor e solidariedade deles, eh dificil nao se contagiar e lutar para fazer o melhor pra sair de uma crise como essa. :)

    Rápidos Updates da Vida Kiwi

    Então. Em 2010 o Vomit Bag ficou meio paradão. O começo do ano foi meio lento e preguiçoso pra eu atualizar aqui, sem maiores acontecimentos. Já no segundo semestre eu entrei pra NZSM pra estudar Jazz. A rotina foi pesada e eu tive dificuldade pra atualizar minha vida virtual.

    A experiência na escola de música foi das melhores. Eu conheci muita gente bacana por lá, me familiarizei com o método de ensino deles e tive a chance de ver, ouvir e tocar com alguns dos melhores músicos da Nova Zelândia. E ainda fiz um showzinho de fim de ano com a minha turma.

    rail-damageEsse ano também a Nova Zelândia viveu um dos mais fortes dramas de sua história com o terremoto de Christchurch, que ainda tem causado prejuízos com aftershocks constantes. Um dos pontos altos do ano pra mim foi participar do curso pra capacitação de voluntários para emergências na defesa civil de Wellington e poder acompanhar e entender o trabalho dos caras em volta de eventos como esse. Pretendo fazer um post mais extenso sobre isso em breve.

    Fora isso, Wellington elegeu uma prefeita que vai trabalhar de ônibus ou bicicleta, o Hobbit finalmente foi confirmado pra ficar na Nova Zelândia, e os Flight of the Conchords, que eu adoro, fizeram uma participação giga nos Simpsons (clique aqui ou aqui pra ver uns trechos).

    E, em 2010, a Nova Zelândia deu Boy pro mundo. E Boy é uma das minhas coisas favoritas na Nova Zelândia.

    A vida por aqui vai bem, obrigado. A Nova Zelândia deixou de ser o objetivo e agora é o meio. Aquele medo e a postura perante ao desconhecido se foram, e agora o conforto toma lugar. Não o conforto do comodismo, mas o conforto que me deixa mais tranquilo e confiante pra poder tocar a vida em cima do lugar maravilhoso que esse país é. Antes era muito fácil jogar a bola pra qualquer incômodo no país, cultura ou os cambau. Agora já me sinto muito mais solto pra aproveitar o que posso gozar da tranuilidade e oporunidades por aqui. E 2011 promete bastante coisa legal. :)

    Diogo Freire em Cape Reinga

    Eu, cabeludo, olhando pra onde o Pacífico e o Mar da Tasmânia se encontra em Cape
    Reinga, em Novembro de 2010

    NZ Arts Festival 2010

    Com um trabalho pesado a equipe da Springload colocou no ar ontem a noite o site do NZ International Arts Festival 2010. Tive a honra de participar do projeto e estou super feliz com o resultado. O design ta bacanudo e as tecnologias e ideias utilizadas no site sao de primeira, o que deu o maior tesao pra produzir o projeto. :)

    YellowJackets e Branford Marsalis Quarted sao meus shows favoritos ate agora. E Richard Dawkins promete ser interessante. Mais detalhes eu dou depois dos shows ano que vem :)

    Rapidinhas #2

    - O frio tá apertando. Diz que hoje fez 14°C, mas ontem tava bem mais frio. O problema de Wellington é o vento. O bom é que todo lugar tem aquecedor. Empacotadinho a vida vai boa!

    - Abacate (do verbo “porque esse imbecil colocou abacate no meu sanduíche/sushi/janta/lasanha [???]) é fruta presente nos pratos neo-zeolandêses. Ontem meus flatmates passaram aperto me tentando falar uma comida típica da Nova Zelândia. Quando pedi uma sem abacate eles desistiram. Numa conversa com o programador vizinho da empresa citei que nunca tinha comido abacate a não ser em coisa doce. Ele, surpreso, disse que nunca comeu abacate a não ser em coisa salgada. E que não conseguia viver sem abacate em ao menos uma refeição ao dia. Tão tá né!

    - Falando em flatmates essa, entre outras poucas coisas, foi uma das aquisições mais bacanas da Nova Zelândia. Falar inglês o dia inteiro com gente divertida e interessante é o que há. Fora a imersão cultural que existe. Os papos sempre em volta do dia-a-dia kiwi, o que me imerge mais na cultura local e me faz ficar lembrando menos de ficar sabendo o que tá rolando no Brasil. Me atualizo diariamente sobre como está a madrecita e os amigos e o resto pouco me importa. Tô bem feliz com a casa e o ambiente.

    - Descobri o porque do sotaque americano ser nojento. Irlandeses. O sotaque deles, irlandeses, após 15 minutos fica super divertido. O americano não. Já soa chato pra mim. Mas a colonização massiva de irlandeses nos states que faz com que eles enrolem a língua pra falar tudo. Mas hoje eles não soam nada como irlandeses. Terça passada, dia 17 de Março foi St. Patricks day, dia festejado na Irlanda o que fez com que os bares irlandeses ficassem empaturrados. Uma boa oportunidade pra colar na sua colega inglesa de trabalho que tem uma flatmate irlandesa e conhecer um bucado de outros irlandeses adquirindo um monte de gente nova e treinando o seu entendedor de sotaques.

    - Tudo indica que em breve vou conseguir montar minha bateria por aqui. Já tenho conversado com uma galerinha bacana e em breve pretendo ter notícias sobre gigs felizes por Wellington. :)

    Rapidinhas burocráticas #1

    - Exames médicos na Nova Zelândia não são baratos. O processo pra entregar pra imigração de exames sai a NZ$445. Hoje fui tirar raio-x do peito. NZ$98,40. Fiquei absurdos 5 minutos dentro da clínica de radiologia. Isso porque a mulher teve que esperar que eu acabasse de preencher um formulário.

    - Abri uma conta no banco hoje. Conta corrente, poupança rendendo 5.5% ao mês, internet e phone banking, 10 transferências internacionais no pacote e cartão de crédito gordo a NZ$25 dólares de taxa ao ano. Isso tudo a NZ$5 por mês de taxa de manutenção de conta. A mocinha tentava me convencer que esse plano não era tão bão assim pra quem tá chegando no país e abrindo contrato de trabalho agora. Eu mandei ela fazer e tentar me convencer depois. Quando ela chegou com só uma folha pra eu assinar só uma vez eu perguntei se era só isso. Ela pediu desculpas e explicou que eram normas do banco assinar UM contrato só UMA vez.

    - A vocalista da banda me confessou que morre de medo de ter que trabalhar num posto 24h aqui à noite com medo de assalto. Perguntei se isso era comum. Ela disse que nunca tinha ouvido falar mas que aquilo ali era um alvo fácil. Eu ri. Ela não entendeu nada.

    Red Rocks Rocks!

    Numa quarta, dia 17 de setembro, eu resolvi que no dia seguinte eu ia sair pra ver foca. Eu nunca tinha visto uma ao vivo na minha vida e era uma boa idéia pro dia seguinte. O rumo era o Red Rocks Reserve, no sul de Welllington. Tudo pronto, câmera à postos e lá fomos nós!

    Florzinhas no Red RocksAcordei cedo na quinta porque o parque era longe e eu tinha que caminhar. Chegando no ponto descubro que a compania que presta serviço na linha que eu ia pegar não ia trabalhar de greve, em protesto trabalhista. Não é operação linguição nem horário reduzido. Eles simplesmente pararam de trabalhar. Eu, puto, peguei um café e ia voltando pra casa quando peguei o mapa, fiz as contas e vi que andando duas horas eu chegava lá. Demorou. :)

    O Red Rocks Reserve fica exatamente no encontro das placas Australiana e Pacífica. Aliás, Wellington toda fica em cima desse racha, que está exatamente abaixo dos meus pés agora. Ainda não peguei um terremoto. Deve ser divertido, desde que ele fique bem perto do zero na escala Richter. No parque é onde aconteceram alguns milhões de anos atrás as piores atividades tectônicas resultante da ativadade das placas e isso reflete no relevo. A maioria das pedras são cinza e verdes que, como explicado nos informativos, são pedras de um período mais antigo da formação terrestre. As pedras roxas são lava sólida e as vermelhas pedras oxidadas com a ação da lava. Wow! Super!

    Mais pra frente, como lesmas nas pedras, se encontram o meu objeto de busca. Dei sorte porque todos os indicativos diziam que o período pra ver as focas acabava em agosto. São os machos jovens que não conseguiram seguir com o bando pro sul pra acasalar. Sendo assim eles ficam bem mansos, comem pra crescer, e se espalham na pedra pra pegar sol. Dá vontade de abraçar de tão fofas que são as criaturas. Tirei uma hora pra poder deitar perto delas e ficar roncando. Elas são bem divertidas e ágeis, mas é melhor não dar bobeira perto delas porque o bicho é grande e tomar uma mordida deve doer à beça. Mesmo aparentemente mansas elas não gostam que a gente chegue perto. Vale a compania dos mostrinhos e o dia de barriga pro ar, assim como elas. Voltei cheio de animação pra fazer outras aventuras como essa.

    As fotos do passeio podem ser vistas clicando aqui.

    Andes

    Como prometido, aí vão algumas fotos e o vídeo da travessia dos Andes. Os Andes são, sem dúvida, a paisagem mais bonita que pude ver até agora na minha existência. Com certeza eu explorando a Nova Zelândia mato isso. Mas a magnitude dos Andes é impressionante e maravilhosa.