Documentação?

Yes. Devido aos muitos pedidos e comemorando a aprovação do meu visto de residência vou tentar rapidamente listar os principais documentos pedidos na solicitação de visto de turista, trabalho e residência.

Eu vou colocar esse link 19 mil vezes durante o post: Site da Imigração Neo Zeolandesa. Não confie em mim. Não confie em ninguém. Só confie no que está no site da imigração e nos formulários que você acha lá. Cada caso é um caso e por mais que o que eu vá escrever aqui seja uma referência confira o que o site da imigração diz. As regras podem mudar e o que eu escrevi aqui fica obsoleto. Você pode se encaixar numa categoria diferente da minha e tudo que escrevi aqui não faz sentido. Não seja preguiçoso e tente cortar caminho da burocracia. Não é assim que funciona. Confira tudo o que você puder no site.

A propósito, uma das coisas mais sensacionais por aqui é que todos os serviços do governo tem uma disponibilidade gigante de informação online, que é precisa e suficiente. Aqui as coisas funcionam na regra e desde que você as siga a felicidade é garantida. :) Todos os formulários de imigração tem um guia em anexo, que geralmente responde todas as suas dúvidas.

A realidade para os vistos descritos aqui é para um solteiro, sem filhos e com conhecimento em uma área onde a Nova Zelândia precisa de profissionais. (Mais ou menos igual a mim… :P). Se você vem com esposa e/ou filhos existem requirimentos adicionais que você tem que checar em cada formulário. Você já sabe o que fazer caso necessite de mais informações.

Mesmo que você esteja procurando um visto específico, leia tudo. Alguma coisa pode ser importante pra você.

Pra o visto de turista:

Com passaporte brasileiro você não precisa aplicar pra um visto de turista antes de pisar em solo Neo-Zeolândes. Se você chegar com a passagem de volta, carta de recomendação de um amigo e mostrando que tem pelo menos NZD$1000 por mês de estadia aqui a coisa vai ser tranquila. Um roteiro de viagem e um conhecimento relativo dos principais pontos turísticos do país ajuda em caso de aperto. Mas eu nunca ouvi um caso de deportação por aqui e a chegada deve ser tranquila.

O visto de turista vale por 3 meses. Se você está aqui e quer extender o visto você precisa aplicar para um novo. Os formulários, taxas e mais informações podem ser encontradas aqui: How to apply for a visitor visa or permit

Toda vez que você aplica pra um visto novo na imigração você precisa apresentar uma foto do tamanho passaporte deles (3.5×4.5cm). Prepare umas 250. Você vai precisar. :P

Os documentos obrigatórios para o visto de turista são passaporte, foto, o formulário preenchido e o pagamento da taxa.

Se você for ficar aqui por mais de 6 meses, (contando desde a sua primeira entrada) você vai precisar de apresentar o exame médico e certificado de bons antecedentes. Falarei mais sobre isso abaixo.

A expedicão do visto ou do permit geralmente custa NZD$130 cada.

Pra visto de trabalho:

O visto de trabalho é uma parada  mais complexa, e existem várias formas de se aplicar. Todas as opções podem ser encontradas aqui: Working in New Zealand.

No meu caso meu visto saiu através da Skilled Migrant Category, uma vez que meu conhecimento profissional é desejado por eles. O Skilled Migrant Work Visa geralmente sai para profissionais que arrumam uma oferta de emprego nas áreas listadas na Long Term Skill Shortage List ou na Immediate Skill Shortage List.

Quando eu estava na caça de emprego existiu muita controvérsia sobre se eu posso aplicar para o Work Visa sem ter uma oferta de emprego aqui. O site da imigração e os agentes os quais eu conversei dizem que não e eu nunca consegui ir pra frente com a aplicação sem estar trabalhando. Alguns brasileiros aqui clamam que sim. Se informe ligando pra imigração. Quem sabe você não faz a mesma mágica que eles? :)

Os documentos obrigatórios novamente são passaporte, foto, formulário preenchido e pagamento da taxa. Além disso, cópia do contrato de trabalho e prova de experiência são exigidos. Meu currículo bastou para a segunda.

Novamente, se você estiver aplicando pra um visto de trabalho que te fará ficar aqui mais de 6 meses (contando desde a primeira entrada, não importando qual visto você tinha antes) você terá que fazer os exames médicos e apresentar certificado de bons antecedentes.

Pra esse também, pelo menos na categoria de Skilled Migrant, a expedicão do visto ou do permit geralmente custa NZD$130 cada.

Para a residência:

Aí o bicho pega, rapaz.

A residência é um processo caro e demorado. A primeira coisa a fazer é aplicar pra o Expression of Interest, ver sua pontuação e esperar ser contactado. Se você faz mais de 140 pontos é chamado rápido, mas senão a coisa demora mais.

Se você é convidado recebe um formulário GIGANTESCO e um livro de instruções gordo para preenchê-lo. Leia com calma, faça tudo que eles pedem. Confira três vezes. Dê uma semana e confira tudo de novo. Daí, só enviar de volta.

Os documentos requiridos pra residência são maiores. Além do passaporte, foto 3×4, formulário preenchido e pagamento de taxa você tem que apresentar tradução e originais da certidão de nascimento.

O expressão de interesse custa NZD$1400. A expedição do visto e do permit outros NZD$300.

De novo, exames médicos e certificado de bons antecedentes. Vamos lá!

Exames médicos

Qualquer exame médico é válido por 3 meses para a imigração. Se você está aplicando pra um visto novo e seus exames foram feitos a mais de 3 meses atrás você vai ter que fazê-los novamente. Se você está vindo com uma boa chance de aplicar para visto de trabalho ou residência antes de 3 meses após ter chegado, você pode pedir os exames no Brasil com um médico autorizado (digite Brazil na busca). Os exames são bem caros aqui então planeje suas datas pra ver se vale a pena fazer no Brasil correndo o risco de perdê-los ou não.

Se você morou ou esteve por mais de três meses em um país com alto índice de tuberculose você precisará de um Raio-X de tórax. Você vai pagar por volta de NZD$110. O Brasil está nessa lista.

Para o exame médico e de sangue você pode separar mais uns NZD$400. Se tudo tiver certo eles vão te entregar um pacotinho com tudo pronto pra imigração. Só colocar junto com os formulários e ser feliz.

A propósito, Esses exames têm que ser feito pra cada membro da família na aplicação caso esse seja seu caso.

Os formulários podem ser encontrados aqui: Health requirements for residence in New Zealand

Certificados de bons antecedentes

Quando necessário você tem que apresentar o certificado de bons atecedentes de todos os países os quais você residiu 12 meses ou mais pelos últimos 10 anos. Os certificados da polícia federal brasileira valem 3 meses. Os impressos pela internet são aceitos quando traduzidos por um tradutor juramentado.

Traduções

Outra facadinha. Pra traduzir uma certidão de nascimento e o certificado de bons antecedentes prepare entre NZD$150 e NZD$300. Sim a variação é gigantesca e o profissionalismo também. Eu recomendo firmas de tradução que tem um compromisso e um nome a zelar. Geralmente são mais baratas e ágeis que tradutores juramentados independentes.

Mas e o Inglês?

Se você não trabalha com a língua ou não consegue mostrar pra o fiscal de imigração que sabe falar inglês você vai precisar de um mínimo de 6.5/10 no IELTS. Eu não precisei fazer o teste. Geralmente o principal aplicante não precisa. Os dependentes na aplicação (esposa e filhos) sim. Mais informações: English language requirements

Como você percebeu esse post nada mais foi do que um imenso índice do site do departamento de imigração. Uns minutinhos, uns cliques mais espertos e você consegue tudo o que você quer.

Pra finalizar, só pra garantir meu ponto: CONFIRA O SITE DA IMIGRAÇÃO! No fim das contas, por mais que eu lesse em blogs e pergutasse pra todo mundo, todas minhas respostas estavam lá. :)

Me avisem se alguma coisa aqui ficou mais confusa. Eu não vou mastigar informação do site da imigração pra você. Se você quiser saber alguma coisa que não pode ser encontrada lá eu terei o maior prazer em ajudá-lo. :)

Rugby fun!

Sábado passado rolou All Blacks x Wallabies (Nova Zelândia x Austrália) no último jogo do Tri Nations esse ano. O Tri Nations já tinha sido ganho pela África do Sul, mas como os All Blacks tinham perdido uma série de jogos ultimamente a parada prometia ser interessante. E foi.

O Rugby, apesar de parecer violento, é um esporte sensacional de se assistir com a galera. Bem definido por um amigo, é um esporte de brutos jogado por cavalheiros. Os jogadores são extramente disciplinados e não existe divisão de torcida nos estádios. A galera vai lá pra se divertir divertir, pega no pé um do outro sem confusão e a noite sempre é bacana.

O jogo foi 33 x 6 pros Blacks. Fui pro estádio com Clare, Patrick (ambos ingleses) e Shan, o desfortunado Australiano da noite. Sorte que o cara é gente boa a beça porque eu peguei no pé dele direito. :P

A noite foi divertida a beça! :)

O vídeo abaixo tem o hino Neo-Zeolândes, a Haka (dança de guerra Maori feita pelos jogadores antes de todo jogo), um pouco de bate papo e uma ôla divertida.

1. A gente parece bem menos idiota quando tá filmando. Me senti o tiozão chato de festa com a câmera na mão quando assisti.
2. A tremedeira e falta de noção de uso do foco ainda pega. Uma hora eu aprendo.

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Eventos em Wellington

O que tá rolando de bacanudo aqui agora é o New Zealand International Film Festival, o qual estou indo em quatro filmes. O evento é gigante e todo mundo tá indo ver um filme ou outro, o que é super bacana.

Fora isso, no museu-com-menos-cara-de-museu-do-mundo, o Te Papa, estáF1 - The Great Design Race rolando a exibição Formula One – The Great Design Race. Essa exibição ficou um tempão em Londres e agora veio pra cá. Há uns dois meses atrás eu fui convidado pra participar de uma pesquisa sobre a exposição lá no museu, no grupo dos fãs (os outros grupos eram especialistas e leigos). A gente ficou lá por uma hora e meioa bateu um papo super legal sobre F1 e deu um montão de idéias. Eu fui alvo de uma retaliação gigantesca por possuir Senna, Massa, Piquet e Fittipaldi na minhas costas, o que gerou discussões super divertidas e acalouradas. A gente foi questionado sobre o que a gente gostaria de ver e ajudou a construir a exposição de uma forma mais legal. Tô empolgado pra ir lá ver o que da nossa discussão foi aplicado. :)

Semana passada eu fui numa MasterClass do Virgil Donati, no auditorio da faculdade de musica da Massey University num evento da RockShop. Sai de la cansado de tao foda que foi. O cara e um baterista monstro e a galera soube perguntar e aproveitar bem a presenca e experiencia do cara. Show de plateia assim como no workshop do Steve Smith que fui ano passado. Melhor show ainda do cara que me deixou empolgadao!

Pra finalizar, se você quiser sabendo o que tá rolando no cenário musical e baladístico da NZ (principalmente Welly) Chesse on ToastThe Kitchen Sink são suas fontes de cálcio necessárias para uma vida saudável. (***ATENÇÃO!*** Navegar nesses dois últimos sites pode causar uma nostalgia oitentística gigantesca.)

Retornando…

Então.

Daí que naquela cuspida toda de idéias naquele post gigante eu nunca imaginei que teria um retorno tão intenso e bacana. Eu curti e acabei tendo contato com gente nova por aqui, o que é interessante. Abri essa brecha pra agradecer de montão a todo mundo e pra responder algumas perguntas que pintaram por lá.

A todos aqueles que ficaram morrendo de visitar saibam que ficarei mais que feliz em vê-los por aqui. Principalmente os bons amigos e pessoas importantes na minha vida, as quais conheço, confio e carimbo o selo de qualidade. :P

Como muita gente pontuou bem o lance não é apontar o pior ou melhor. Pra mim o que vale é a constatação do diferente. O mais interessante é que vi em alguns comentários aqui e em alguns e-mails que recebi que a parada se extende pra outros lugares do mundo, e fico feliz em ver que tem um montão de gente que compartilha isso comigo. O que vale é o que está em você. Eu acho o processo de “bloqueio” sim natural no começo. Mas eu considero o ponto da chacoalhada e do questionamento temporário das suas raízes também válida. Ontem num artigo de música que estava lendo li uma frase que me tocou em vários âmbitos. ‘People who don’t change will find themselves like folk musicians, playing in museums and local as a mother-flicker.’ (Pessoas que não mudam vão acabar como músicos de folk, tocando em museus e “filhadaputamente” locais).

Muita gente me pergunta sobre vir pra estudar inglês. Uma parada interessante acontece, todavia. As escolas que fazem marketing mais popular nisso e são mais baratas são infestadas de brasileiros, o que dificulta muito o aprendizado do inglês. Outra coisa é a forte presença de japoneses e sul-coreanos. Eu fiz uma semana de aula com eles e fiquei absurdado como é diferente o jeito de aprender que eles tem. A coisa funciona meio que na lavagem cerebral. E eu e a colombiana na minha sala ficamos meio perdidos porque é um processo altamente estranho. Como eles são a maioria acaba que a coisa é moldada pra eles. Então cuidado. Me parece que os cursos fodões tipo o da Universidade de Victoria tem um processo mais bacana e respeitável, pelo que a Daphne me contou. E demandam mais dedicação e tempo. Se você está vindo por um curto periódo de tempo com o objetivo de estudar inglês a minha dica é bloquear o português e se afastar o máximo possível de todo e qualquer brasileiro que você encontrar. Procure um trabalho voluntário ou alguma coisa que te interesse tipo música ou filmes e vá participar de encontros com nativos. Sério.

As áreas de necessidade de profissionais podem ser achadas facilmente no site da imigração neo-zeolandesa. O governo não facilita a vinda de nenhum imigrante a não ser o refugiados de guerra na Indonésia e Afríca. A lista de shortage skills é uma referência pra quem tá vindo e precisa ter alguma idéia do que eles precisam por aqui. A única diferença burocrática pra trabalhos na área de shortage é que o visto de trabalho sai na hora que os documentos são apresentados e você não precisa esperar 3 semanas pra ter resposta. Na verdade, isso foi o que aconteceu comigo em Janeiro mas pelo que ouvi de alguns brazucas mais recentemente eles tiveram que esperar as 3 semanas de qualquer jeito.

Quando eu falo que o governo não facilita a vinda de imigrantes a não ser refugiados eu quero dizer que não existe nenhum programa, estrutura ou coisa do tipo pra que o imigrante chegue aqui e se torne um “imigrante qualificado”. O que acontece é que eles tem tudo o suporte que você precisa uma vez que consegue um emprego. Mas o governo não é pró-ativo pra o processo. Eles te dão toda a informação que você precisa e o processo cabe somente a você. Esse dilema é visível quando você procura emprego com visto de turista. As empresas falam que não podem te contratar porque você não tem o visto necessário. Você fala que pra pegar o visto você precisa que eles te contratem. Mas, por motivos justos, eles vão priorizar quem tem já tem o direito legal de fazer isso. Isso é um caso raro, mas acontece. E aí você vê que a filosofia do governo não é a mesma de algumas empresas e que não existe uma “força nacional de empregamento de mão de obra estrangeira” ou coisa do tipo.

Eu não sei de fato como tá o lance de desemprego por aqui, uma vez que estou empregado e não tenho consultado as fontes de emprego. A grande maioria das vagas vai estar listada no Seek, Trade Me Jobs ou no CVB. Eu já ouvi que a Nova Zelândia foi fortemente afetada com a crise mas também já ouvi que nem tanto. Ouvi de grandes empresas demitindo e de outras contratando. Eu realmente não tenho base pra falar disso. A sensação geral é de uma certa esfriada mas pelo menos na minha empresa estamos com trabalho até o pescoço.

Os salários na área de TI variam entre NZ$70k e NZ$90k por ano. As outras áreas variam. A impostação em cima disso pode ser calculada no site do IRD. Maiores informações sobre salário médio e receita em geral podem ser encontrados no site da Statistics New Zealand.

Aliás, se você não sacou até agora, dá pra se informar extramente bem pela internet. Isso é uma das coisas que eu adoro por aqui. Eles têm informação online pra tudo. É só deixar a preguiça de lado, dar um Googlada e sorrir. :)

Quanto ao custo de vida eu acho que NZ$500 semanais é o suficiente pra se ter moradia, transporte e alimentação de uma forma confortável. Tudo depende de onde você mora também. Os aluguéis estão na faixa de NZ$350 a NZ$500 doláres semanais, fora as contas. Se você for dividir apartamento dá de tudo na Babilônia. Dá pra dividir um apartamento com estudante e pegar NZ$150, NZ$170 por semana com luz e internet incluso. Se você quiser morar com gente normal o aluguel vai pra NZ$180 a R$250, fora as contas. Geralmente se paga de NZ$60 a NZ$90 doláres pelas contas quando se divide apartamento e isso depende de com quantas pessoas você mora e pelo o que você está pagando (comida, luz, internet, sky, etc…). Pra casais as coisas tendem a ser mais baratas. Se você só comer fora espere um gasto de NZ$20 a NZ$30 dólares diários.

Eu moro no centro e quase nunca gasto com transporte. As tarifas de ônibus variam de NZ$1 (em horários e trechos especiais) a NZ$7. Existem cartões mensais que barateiam a parada. Metrô é uma coisa mais cara e só vem até a beirada do hiper centro, servindo mais como via de ligação para as cidades satélites. Mais informações podem ser conseguidas no site da Metlink and TranzMetro, para Wellington. Outras cidades têm serviços on-line similares.

Como eu disse, viver por aqui não é barato. As cidades menores vão ser mais baratas mas também com menos oportunidades de trabalho. Os centros, como Auckland, Wellington, Christchurch e Hamilton talvez sejam os que têm maior custo de vida.

Meu conselho pra quem tá vindo é vir com a cabeça aberta e com uma certa grana no bolso. Fiquei feliz com todo mundo que sentiu o post como um empurrão e não se envergonhem em me perguntar nada. A minha realidade aqui pode ser diferente da de muitos (solteiro, “jovem”, desregulado :P) mas imagino que muita gente fica apreensiva antes de vir pra cá e logo depois quando chega. Valeu mesmo pelos comentários. É complicado arrumar um tempinho pra atualizar aqui mas foi gratificante. :)

Ah! Me desculpem. Não é nada pessoal. Mas o comentário da mamãe foi o mais fofo. :)

Comunicado cinematografico

Uma das coisas mais divertidas por aqui e receber e-mails como os abaixo. Vira e mexe sem tem noticia de alguma agitacao cinematografica em algum lugar da Nova Zelandia. Esse aqui avisa aos moradores de Wellington para nao se alarmarem com o helicopetero voando baixo na regiao de Wellington.


Helicopter and spotlights to be used in major television commercial shoot

Wellingtonians shouldn’t be alarmed by a major shoot taking place in Wellington’s CBD next Monday and Tuesday night (June 29 and 30).

Manager of Film Wellington, Delia Shanly, says the project, by a US company, will involve a helicopter flying through the CBD and shining lights onto streets and buildings.

“We want to ensure that Wellingtonians who see the low-flying helicopter and lights aren’t alarmed and mistake the filming for some kind of emergency or manhunt. The production company will try to keep the level of disruption to a minimum but we would like to let all residents know that filming is taking place.”

Delia says the helicopters will finish their flights over the city by 11.00pm. Afterwards, production will continue with additional lights being projected from vehicles and from buildings around the city.

Please note:  Raindates are Wednesday and Thursday (1st & 2nd July).


Vou fazer um post sobre Senhor dos Aneis e tudo mais em breve. :)

A proposito, tambem vou fazer um post sobre os comentarios no ultimo post. Nao imaginei que um post tao longo e prolixo fosse ser tao bem aceito. No final das contas foi uma cospidela de varias coisas pela minha cabecinha. Obrigado a todos pelo bom feedback!

Afinal, como é viver na Nova Zelândia?

Já algum tempo venho ensaiando esse post por aqui. Agora com aproximadamente 11 meses de Nova Zelândia, vivendo e trabalhando com kiwis já por algum tempo acho que agora possuo uma visão da terra e do povo criada por mim mesmo e menos preconceitualizada pelo que ouvia dos brasileiros por aqui.

Galera no Waterfront em Wellington, por Victoria Evans

Esse post com certeza vai ser longo e reflexivo. Provavelmente chato e nojento em alguns momentos. Entre anotações que faço no dia-a-dia de coisas curiosas, lembranças de momentos diversos e papos com outros estrangeiros que não brasileiros resolvi que tenho que compartilhar uma visão que até então não vi por partes dos brazucas que comentam sobre como é morar na Nova Zelândia. Eu pretendo falar mais profundamente sobre os assuntos “pessoas” e “adaptação humana” no meu outro blog, o Wimps-Hurra, que é onde eu despejo as minhas loucuras filosofais. Tentarei me ater ao aspecto estrito da aventura estrangeira por aqui, mas com certeza alguma opinião mais pessoal vai vazar. O que considero um ponto forte do que vou escrever aqui é o fato de que eu não me atenho ao saudosismo, não possuo a mínima vergonha do erro ou medo do escárnio e acredito que a melhor forma de enfrentar os problemas é com 90% transpiração e 10% inspiração. Reclamar menos, fazer mais.

No fim das contas isso também é um pouco desabafo de tudo que me dá raiva por aqui. E na verdade o que mais me dá raiva aqui é exatamente o que me dava raiva no Brasil.

Princípio

Pra mim não existe tal conceito como certeza, verdade ou qualidade quando o assunto é cultura, tanto no aspecto social quanto no pessoal. Somente a constatação da diferença.

A análise cultural num ambiente tão diverso quanto a Nova Zelândia é extremamente complicada. É um país de história com origem nas tríbos pacíficas, colonizado por ingleses e onde hoje 23% da população não é nascida aqui. Isso é aproximadamente um quarto de um país que, nativamente, não tem suas raízes aonde mora. Dentro desses imigrantes a grande maioria é asiática o que gera um choque instantâneo para nós americanos e pros kiwis que somos todos ocidentais.

Sendo assim essa análise feita por mim diz respeito somente à minha verdade, às minhas constatações e são baseadas puramente na minha experiência. Qualquer discordância quanto a isso simplesmente a enriquecerá.

Os brasileiros

Eu não escondo de ninguém que o mais me enche o saco na Nova Zelândia é a teorização e a comparação constante entre o Brasil e a Nova Zelândia e a reclamação por parte dos brasileiros por motivos exdrúxulos. E, como disse, coisas como o comodismo, a falta de respeito, a tentativa de imposição cultural e a hipocrisia por parte desses é o que mais me irrita por aqui. Exatamente o que me fez querer tentar alguma coisa fora do Brasil. E talvez me irrite mais por ver que vez ou outra eu entro nesse bolo de coisas idiotas e as coloco em ação sem ver.

Existe um curso comum de conversa nos encontros brazucas que eu chamo de opinião quadrilátera. A mesma pessoa numa janela de cinco minutos fala mal do Brasil, fala bem da Nova Zelândia, fala bem do Brasil, fala mal da Nova Zelândia. Quatro sentimentos diferentes em uma só linha de argumentação.

Daphne e Guilherme passaram três meses no Brasil e, com isso, meu contato com a  comunidade brasileira deu uma cortada, uma vez que eles sempre me convidam pra um evento ou outro. Sinto falta dos dois mas o afastamento veio a calhar. Muitas coisas bacanas rolaram e pude ver que existe uma vida muito boa além do conforto. Ultimamente eu tenho me isolado da comunidade brasileira. Foi o mais saudável pra mim. A opinião da por lá nunca muda. A visão de tudo, não importa quanto tempo passe, é sempre a mesma. E, a minha só mudou, quando parei de ficar pensando fui ver de qualé.

Normalmente as pessoas se unem por afinidade. Comumente os brasileiros por aqui adquirem uma intimidate monstro após uma noite de papo. Porque? Por que vocês entendem as mesmas piadas, falam de Chaves e conhecem o Louro José. A  afinidade sai do seu espaço pessoal e se estabelece pela interseção cultural. Isso é importante pra quem chega e fica deslocado. Isso é importante pra quem precisa do conforto inicial. Mas chega uma hora que se você não acorda, se atrofia e se torna um opinador quadrilateral num grupo fechado e o enriquecimento cultural fica restrito, o que cai num círculo vicioso que te definha. Esse tipo me inspira a infelicidade eterna e nunca vai conseguir gozar plenamente do que cada lugar tem de bom pra oferecer uma vez que vive dentro de um espaço já conhecido.

A experiência do mercado de trabalho Kiwi por partes dos brasileiros por aqui é meio discutível. São poucos os que realmente traçaram um plano profissional interessante, pesquisaram mercado e tudo mais. Eu não fui um desses. O meu processo foi tentativa e erro. E quando me perguntam o que eu fiz eu não consigo acreditar em nada que eu digo. No fim das contas a gente dá de amigo, torce pelo sucesso alheio e fica em paz. Vez ou outra vejo que os conselhos que ouço por aqui são uma tentativa de passar pra frente uma idéia própria frustrada pra ver se ela dá certo com outro alguém pra que a pessoa se sinta bem consigo mesma. É eu já percebi que é isso que faço e me odeio por isso. E isso é perigoso pra quem ouve.

Depois de todo esse tempo e vários encontros eu diria que possuo talvez dois ou três brasileiros os quais eu realmente me importo e chamo de amigo. Além disso, Guilherme e Daphne felizmente já se tornaram pessoas queridas antes da Nova Zelândia estão em outro patamar pra mim, e por aqui são minha família. O fato de que não chamo os outros brasileiros de amigo de verdade não se dá por que são pessoas ruins ou algo do tipo. Simplesmente são pessoas as quais não tenho afinidade, mesmo que sejam pessoas bacanas. Com certeza eles se encaixam no conceito de irmandade. São pessoas queridas que curto estar por perto de alguma forma e nunca deixaria-os na mão numa ocasião necessária. Mas por tudo descrito acima prefiro um pouco de distância.

No fim das contas, se você é um brasileiro que ama o Brasil, que ama a cultura, que não consegue se imaginar longe da terra mas pretende sair porque não aguenta mais a corrupção, a falta de respeito ou coisas do tipo e, depois de um ano fora, não conseguiu se sentir feliz por favor pegue o avião e volte. Não só na Nova Zelândia. De qualquer lugar do mundo. Dificilmente você vai ser feliz se você sair da sua cidade, mesmo dentro do Brasil. Se você não acha que você tem a mínima capacidade de adaptação a melhor coisa que você faz é aceitar isso, se fechar na cápsula, e talvez trabalhando nesse conceito você se sinta menos infeliz de estar longe do seu travesseiro.

As amizades

O chavão preferido da galera por aqui é que “o Kiwi é frio”. Meu, cadê esse Kiwi frio que eu não conheci até hoje?

A galera confunde. Os grandes amigos da minha vida são de longa data. Três, quatro anos ou mais. E quando paro e penso como a nossa amizade era quando os conheci vejo que nada é diferente. Todas as pessoas novas que conheci por aqui tão por ali também, na mesma área da “frieza” inicial. Em algum momento a amizade cresceu, a confiança se estabeleceu e aí sim a coisa se criou.

O lance é que quando a gente chega rola o vazio. Falta aquele alguém que já te conhece sabe o que vocês gostam de conversar e fazer e pá-pum. Aquela coisa de achar o fator comum e encaixar as coisas é morosa e penosa ainda mais com pessoas cuja a base cultural não é a mesma. Quando você conhece as pessoas daqui, elas falam sobre os programas daqui, os livros da cultura inglesa, os músicos prediletos de todos os tempos da Nova Zelândia. E você boia. A coisa piora porque você quer desesperadamente preencher aquele vazio dos seus amigos de anos atrás que ficaram do outro lado do mundo. E aí, pra se sentir tranquilo, você acredita que a culpa é dos Kiwis, que você é super interessante é eles que são frios. Tudo porque você não é capaz de se encaixar num grupo e ter paciência pras afinidades acontecerem.

Um dia, num pub, batendo papo com o suíço que trabalha comigo ele, bebâdo, virou pra mim do nada e perguntou: “Diogo, o que você acha mais bacana nos Kiwis?”. Eu pensei e disse: “Não sei o que é. Mas é alguma qualidade que me deixa confortável pra fazer o que quero sem sentir que tem alguém preocupado com a minha vida”. Ele riu e disse: “Já reparou que eles não tem inveja?”. Puta. Ali o meu mundo brilhou. O Kiwi não tem inveja. Ele não esnoba. Ele não se intromete. Ele cuida da vida dele e da família dele. Ele faz o que ele gosta e não insiste se te convida e você não vai. E daí parece que ele não se interessa. Mas hoje, depois de meses de contato e convivência, tenho gente que me liga tarde da noite porque brigou com a namorada e precisa de alguém pra conversar no pub. Ou num sábado à tarde porque uma figura em outra cidade viu um filme e lembrou dum papo que a gente tava tendo a dois meses atrás. Os meus flatmates sempre querem saber como estou, se dispõe a ajudar de coração a todo momento com as dúvidas do inglês e do país, sempre sacam quando meu humor não tá dos melhores e se dispõe a conversar caso eu queira, entre outras coisas bacanas. E aí eu vejo que o caminho da confiança mútua tá aberto que a coisa só vai crescendo. Nínguém é intrusivo, mas sempre presente. Só depende da minha abertura pra isso. Daí o vazio começa a ficar cheio e você se sente bem.

E, pra fechar a conta, o Kiwi faz pro outro de graça com uma qualidade tremenda, e não pra aparecer. Fácil de ver isso é o tanto de trabalho volutário que entorna em todo canto e o tanto que é fácil bater longos papos com estranhos na rua. E daí eu reparei que todo mundo se abraça. Todo mundo brinca. Todo mundo se chama pra os eventos. E eu passei a abraçar todo mundo. A brincar com todo mundo. A ir aos eventos. E, de frio, só fica o vento de Wellington.

Os restaurantes

Esse é simples, curto e rápido: as chances de você conseguir algo que remotamente te lembre a comida brasileira aqui é aproximadamente nula. A única coisa que a impede de ser totalmente nula é que você pode cozinhar em casa. Se você não cozinha bem como eu é nula. As únicas semelhanças atendem pelo nome de MacDonald’s e Subway e afins. Fora isso, esqueça. E isso, na minha opinião, é uma das coisas que mais força o seu senso de adaptação. A comida tem pouco sal e muita gordura. O café da manhã sempre vai ser mais gordo que o almoço, e a janta sempre é baseada em só um prato. Picanha, feijoada ou frango assado com quiabo nem pensar. Mesmo.

Típico café da manhã Kiwi, com bacon, ovo, tomate, hasbrown (uma espécie de purê de batata frito) e torradas. Foto por “gwgs”

Depois de algum tempo eu já nem me importo muito mais. Só intolero a presença do abacate nos pratos salgados e do maldito-vindo-diretamente-do-quinto-círculo-do-inferno Vegemite.

Fora isso as cozinhas vão fechar por volta das 20h. Em alguns casos raros 21h, 22h. Depois disso só o Kebab dos turco, tira-gosto em raros lugares e bebida a rodo. E não adianta espernear na frente do restaurante, xingar as dezessete gerações do Capitão Cook ou exercer o seu instinto de assassino. Saia mais cedo de casa ou passe raiva e fome.

E não. O Kiwi, a fruta, não é a principal coisa do cardápio e só mais uma fruta pra eles. E é uma fruta chinesa.

O custo de vida

Sim. É mais caro. Tudo é mais caro. O quilo da maçã vermelha é quatro dólares, aproximadamente cinco reais. Feijão é um absurdo. Um jantar num restaurante marromeno dá uns trinta dólares por cabeça. O aluguel é caro. Se você fuma, se fudeu, porque cada maço é pra lá de dez dólares (bem feito, haha!). O transporte coletivo é uma facada. Luz é um pouco mais caro, mas não muito. Internet, pelo que vejo, é mais barata e melhor na maioria das vezes, mas com limite de transfêrencias. Telecomunicações em geral acaba dando uma empatada com o que sei do Brasil dependendo do caso.

Mas:

a) Eu entendo que tudo o que é importado, aqui, é mais caro, uma vez que a gente tá no canto do mundo e tudo vem de navio. A Nova Zelândia não produz quase nada, o que força a coisa. Coisas produzidas aqui como leite, uva, o kiwi e carne de ovelha não são tão caras assim. A maioria das vezes é absurdo quando comparado ao que estava acostumado em Belo Horizonte, mas no fundo faz algum sentido.

b) Eu ganho hoje aproximadamente cinco vezes o que ganhava no Brasil. E eu quase nunca pago cinco vezes mais caro por alguma coisa aqui. Se eu dividisse um apartamento com o mesmo perfil do que moro aqui no Brasil eu pagaria aproximadamente metade do que pago aqui, incluindo contas, eu acho. Talvez mais. O meu gasto pra alimentação é uma vez e meia o que eu gastava no Brasil. Eu pago (caro, 80 dólares por mês) academia, faço curso de língua, música, compro roupa quentinha que é uma coisa cara aqui também, vou pro cinema direto. Isso tudo era bem comedido e planejado no Brasil. Fora isso, passeio fim de semana e como super bem tanto fora quanto no apartamento. Um terço do meu salário vai pro governo. A cidade é limpinha, segura, com as estradas fodonas e com todos os serviços governamentais funcionando rendondinho. E ainda sobra grana pra pagar processo de residência, comprar bateria e viajar no fim do ano. E se bobear tentar fazer um snowboard de novo nesse inverno.

E essa é uma matemática que me interessa e eu isso não me deixa reclamar de preço de nada. Pelo contrário.

A cultura e a discriminação

Se você não sabe existe uma diferença entre a escola inglesa e a escola francesa.

Na escola francesa, que é a usada no Brasil, a multidisciplinaridade é a lei. Você aprende de tudo mas com nem tanta profundidade. Por isso você estuda todas as matérias até o terceiro ano do colegial.  Na escola inglesa você estuda todas as matérias até um certo ponto. Dali em diante você escolhe se vai cair pra Artes, Humanas, Exatas ou Médicas. E vai estudar mais as matérias condizentes com a sua escolha, o que vai refletir diretamente na sua escolha de faculdade. Você estuda poucas matérias, mas com maior profundidade.

Pelo que notei por aqui, comumente os latinos (incluindo espanhóis, portugueses e franceses) tem uma visão mais abrangente de mundo e de assuntos gerais, enquanto os europeus tendem a saber mais da sua área de atuação e serem um pouco mais alienados quanto ao resto. Surpresa! Exatamente o que era de se esperar, tendo em vista a constituição básica da vida acadêmica.

Eu, no início, me magoava quando as pessoas achavam que eu falava espanhol, não se interessavam pelos aspectos culturais que eu acho foda no Brasil, entre outros. E percebo que existe uma grande mágoa por parte dos outros brazucas por causa desse desinteresse deles também.

Depois vi que, não adiantava o quanto eu falasse, existia uma falta de base por ali. Há umas duas semanas atrás uma amiga chegou e falou duma forma super bacana que, logo quando cheguei, as vezes enchia o saco a minha empurração de “eu sou diferente e tenho um monte de coisa pra mostrar pra vocês!”. E ela citou que, assim que comecei a aclimatar mais quanto a Nova Zelândia isso foi cessando e aí sim eles foram realmente vendo “quem eu verdadeiramente era”.

Foi exatamente isso que ela usou. “Then we started seeing who you really are”. Eu falei com ela pra me dar um tempo pra pensar sobre isso e que ia bater papo com ela sobre isso outro dia. Pensei sobre o assunto e a minha primeira reação foi a negação. “Como assim? Quer dizer que então que eu só me torno uma pessoa verdadeira pra você quando eu passo a ser menos brasileiro?”Depois fui pensando e vi que não. Não é absolutamente nada disso.

Tudo que ela quis dizer é que eu sou algo além de brasileiro. Que grande parte do que sou se dá porque sou brasileiro mas que existe uma grande outra parte que não. E essa segunda parte é que as pessoas tavam interessadas e que foram conhecendo depois de um tempo. Num primeiro momento, com toda a confusão, eu me escondi atrás do escudo da brasilidade porque, pra mim, isso era legal e era o que eu considerava mais valioso. É legal e rico pra mim mas isso não significa quetodo o mundo vai achar a mesma coisa. Nas ocasiões certas o fato de eu ser brasileiro se fez interessante naturalmente.

Mas daí alguém vem dizendo “Mas Diogo! O Brasil é um pais grande! De cultura  riquíssima! Como assim eles não conhecem e se interessam por nada disso?”. Eu geralmente respondo dizendo “O quanto você conhece da China além do que você viu na TV? Sabe falar algum cantor famoso? Comida típica? (geralmente recebo uma risada e ‘sushi’ como resposta) Movimentos culturais interessantes?”. Não. Ninguém sabe muito. E, quando colocado em proporção, é um país mais significativo mundialmente que o Brasil na maioria dos contextos. Eu conheço pouco. Fui ver o quão grande era minha ignorância quando comecei a estudar Mandarin. E quietei o facho. Não dá pra culpar ninguém que nada sabe além do Brasil do que futebol e carnaval. E não dá pra culpar se eles não entendem e não amam quando a gente fala de alguma coisa sobre isso. O Brasil, pra mim, é toda a minha base cultural e a partir dela que estabeleci minha visão de mundo, apesar de não tê-lo feito somente baseada nela. A Nova Zelândia sempre foi só um outro país na minha vida. A recíproca também vale pra eles.

Hoje, quando me perguntam de onde eu sou, respondo que sou duma cidadezinha à Nordeste de Invercargil chamada “Nice Horizon”. Nenhuma mentira aqui se você olhar no mapa. Mas geralmente a galera dá risada e a gente parte pra outro papo, uma vez que ninguém nunca ouviu falar de nenhuma cidade com esse nome na Nova Zelândia e o meu sotaque não nega. Mas o negócio é que eles já tão acostumados com estrangeiro pra todo lado e isso realmente não faz muita diferença pro papo. Respondendo isso, a parede do “eu sou estrangeiro” não foi construída e tenho percebido que a aceitação inicial pra conversa tem sido mais amigável porque eles não se armam contra a falação sobre a cultura natal. Logicamente em algum ponto da conversa falo que sou brasileiro, mas dali em diante o fato já não é o que estabeleceu a conversa e é levado de outra forma.

O Kiwi está vendo suas cidades sendo invadidas pelos asiáticos e indianos, com restaurantes e replicações das celebrações de cada cultura. Vários possuem cardápios somente em chinês ou com as duas línguas. E essas culturas se juntam num canto, impõe seu modo de vida e interagem pouco com o resto da sociedade. Isso não gera o ódio, mas gera a segregação subliminar. Todo mundo, num papo corriqueiro, cita a etinia de quem tá falando, a não ser que ele seja europeu ou norte-americano. “Meu amigo, coreano, …” ou “O namorado dela, sul-africano, …” e assim vai. E esses fatos na maioria das vezes não são relevantes de forma alguma para o que está sendo contado. Eu me incomodo quando alguém me apresenta como “Esse é o Diogo, brasileiro”. Eu sou o Diogo. Ponto. Diga só “Esse é o Diogo.”e deixe que eu me encarrego de saber quando o fato de eu ser brasileiro se torna relevante pra ter uma conversa interessante com alguém. Eu não sei porque, mas isso acontece e me incomoda. Acho que é porque eu sei que é porque nada vai se estabelecer numa amizade só porque eu sou brasileiro. Nunca fiz um amigo na minha vida por causa de ser brasileiro. Então deixe isso ser uma das coisas que eu sou e não a minha condição de ser, por favor.

Eu nunca sofri discriminação, mas já vi e ouvi bastante de gente que já. O engraçado é que os casos que ouvi (não só com brasileiros) geralmente acontecem depois de um momento “mas da onde eu venho as coisas não são assim”ou “eu não vou fazer isso de tal forma porque não é assim no meu país”. Em geral quando algo do tipo “a minha cultura é a certa e a sua não” acontece. Isso acontece principalmente com as culturas asiáticas, mesmo os kiwis sendo extremamente flexíveis e tendo noção de como lidar com isso em certas ocasiões. Apesar de não haver a discriminação clara com os brasileiros o preconceito sim existe e se expressa nas piadinhas envolvendo sexo, drogas e violência que eu ouço uma vez ou outra. Eu não me ofendo porque mesmo feitas pra me sacanear não são dirigidas diretamente a mim. Mas me entristece de qualquer forma. Afinal de contas, Cidade de Deus, Carnaval e Copa do Mundo é tudo o que eles tem acesso por aqui. E isso, na minha opinião, é a pior parte das coisas boas que o Brasil tem.

Outro fato interessante por aqui é ver que você é preconceituoso sim. Os esteriótipos germânicos, africanos, asiáticos, entre outros, ficam claros na sua cabeça. E você divide as coisas e as trata em cima de cada conceito pré-formado. Só o tanto de vez que usei “os kiwis”, “os brasileiros”, “os asiáticos” e afins nesse texto me diz que a minha cabeça nunca vai ser livre dessa separação. O que não me permito fazer é condicionar um tratamento a isso numa situação cara a cara. Numa análise maior, como a desse post, considero cabível mas quando conheço gente dos diferentes lugares pra mim nada disso importa. Pode parecer contraditório mas a prática e a teoria não caminham juntas muitas vezes.

Pra finalizar

Essa baboseira toda é só pra re-afirmar o que disse lá em cima. Não existe jeito certo ou melhor de viver e acreditar nas coisas. A Nova Zelândia não é o melhor lugar do mundo, assim como o Brasil também não. Eu não sei qual lugar no mundo é, mas tenho certeza que se eu resolver viver a minha vida pensando , ponderando, reclamando ou comparando sobre isso eu não vou ter a oportunidade de realmente conhecê-los. E a única coisa que vou levar pra qualquer canto do mundo é a minha experiência concreta pela vida.

Milford Sound, minha paisagem favorita na Nova Zelândia, por Kenny Muir

Aqui sim tem coisas que não me agradam. O kiwi não é invejoso. Mas ele também não é ganancioso. Talvez por isso não seja invejoso. Ele presa pela vida de qualidade com a família e uma casa confortável. Uma viagem bacana, um show interessante e ver o time de rugby na TV. No ambiente de trabalho não existe aquela pressão que te deixa apertado e o cutucão pra buscar coisas novas e crescer. Acaba que a gente dá uma acomodada, o que é ruim. Eu vejo isso também nas bandas que participo por aqui. O crivo é muito largo e tudo tá bom pra eles. Eu, acostumado a ser puxado e a puxar meu colegas de banda, as vezes vou sozinho na empolgação e acaba que soa ruim porque eles não respondem. Isso me incomoda bastante porque eu gosto de ter gente que quer mais por perto.

Talvez esse seja o meu único grande problema na Nova Zelândia. A falta de pensamento grande, do eu quero mais, do isso pode ser mais fantástico. Fora isso, hoje o que eu mais sinta falta e a variedade musical que eu estava exposto no Brasil, ainda mais em Belo Horizonte. Fora isso, esse lugar é lindo.

Todas as outras coisas que já me incomodaram um dia foram respondidas. Eu sempre achava nojento o fato de a cor predominante nas roupas ser preta. Até que o frio começou a apertar nos últimos dias e percebi que minhas roupas escuras me deixam mais quentinhos que as roupas claras. Entre várias outras coisas eu comecei a ver que tudo tem o seu porquê de ser e a com a causa na mão fica difícil achar ruim de alguma coisa.

Eu não busco dinheiro, futuro garantido ou nada do tipo aqui. Na verdade eu não tenho um objetivo concreto traçado, somente planos. O meu único produto até o momento e que eu pretendo manter é a experiência. Sendo assim, pra fechar a conta, eu recorro a dois dos meus filósofos favoritos, que foram fazer muito sentido só depois que cheguei por aqui. Sartre diz que o mau do mundo é o outro. Enquanto a gente tentar culpar alguém ou achar a razão numa circustância externa para a nossa infelicidade a gente nunca vai ser capaz de olhar pra si mesmo. Enquanto a gente joga a responsa no outro e cuida da vida do outro a coisa não rola. E na minha cabeça eu completo isso com o que Nietzsche diz muito bem. Ninguém muda. Não é da natureza humana mudar. O conforto é muito bom mas pouco frutífuro. Só aquele que é capaz de perceber isso e ser forte o suficiente pra lidar com as suas próprias fraquezas cresce e evolui. Só no desconforto a gente se fortalece. Mudar de país e reconstruir seu alicerce nada mais é que um exercício de auto-conhecimento e solidão. Bobo é aquele que perde o seu tempo lutando contra a adversidade ao invés de trabalhar junto dela. :)

A long time ago…

Eu to devendo posts, eu sei. Mas eh que, por hora, a vida anda tranquila e sem muitas novidades. Trabalho ta bacana, casa ta bacana e os amigos tambem. Raramente ligo o computador em casa porque o friozinho me puxa pra o cobertor e passo as noites lendo. Quando nao isso, na casa de algum amigo batendo papo e conversando coisa boa.

Fora isso sao os terromotos. Eh uma experiencia interessante e tem rolado toda semana no fim do dia na quinta ou no comeco da sexta. Escalas entre 3 e 4 graus (voce pode checar como anda a ativadade cismica da Nova Zelandia aqui) que balancam a cadeira mas nao faz cair nada. Ja aprendi tudo sobre os procedimentos caso a coisa fique mais feia, o que pode acontecer.

No frio os melhores lugares sao cafes e os pubs animados da cidade, que sao fechados e tem aquecedor. Tenho descoberto bons lugares pra se ir e conhecer gente diferente. Quanto ao frio a parada eh se agasalhar e ignorar. Depois de uma primeira semana mais pesada ja me acostumei, me equipe e agora nao ligo mais.

Por hora estou finalizando minha aplicacao pra residencia e pretendo fazer um post contando o processo. Fora isso, so alegria! :)

Vem ni mim inverno!

- O vento começa a pegar e eu começo a sentir que o bicho vai pegar em dois meses. Já me equipei com um super edredon e roupas ultra quentinhas em promoção pra segurar a onda.

- Eu realmente não entrei na onda dos Kiwis ainda. Os brasileiros me dizem que por aqui, se um projeto não é entregue por algum motivo ele não foi entregue e pronto. Eu não sou assim. Mesmo que não seja entregue tô lá marcando presença. Tem um projeto grande entrando por aí. Da indústria de filmes da Nova Zelândia. Tô empolgado!

- Minha bateria tá montanda e em breve vou estar tocando igual maluco por aqui!

- Por aqui não existem festas de 15 anos, como a gente tá acostumado. O lance é 21. Fui ao minha primeira festa de 21 anos por aqui no fim de semana. A parada é divertida, familiar e bem importante pra eles. Um formato bem diferente onde todo mundo para, sobe lá, faz o discurso e mostra o tanto que aquela pessoa é importante na vida de todo mundo e deseja o melhor pra ela. Nada de presentinho, bolinho, velinha, parabéns-pra-você e vamo embora pra casa. A coisa é bem bacana!

- Eu tô sentindo falta da minha mamãe. :(

Rapidinhas #2

- O frio tá apertando. Diz que hoje fez 14°C, mas ontem tava bem mais frio. O problema de Wellington é o vento. O bom é que todo lugar tem aquecedor. Empacotadinho a vida vai boa!

- Abacate (do verbo “porque esse imbecil colocou abacate no meu sanduíche/sushi/janta/lasanha [???]) é fruta presente nos pratos neo-zeolandêses. Ontem meus flatmates passaram aperto me tentando falar uma comida típica da Nova Zelândia. Quando pedi uma sem abacate eles desistiram. Numa conversa com o programador vizinho da empresa citei que nunca tinha comido abacate a não ser em coisa doce. Ele, surpreso, disse que nunca comeu abacate a não ser em coisa salgada. E que não conseguia viver sem abacate em ao menos uma refeição ao dia. Tão tá né!

- Falando em flatmates essa, entre outras poucas coisas, foi uma das aquisições mais bacanas da Nova Zelândia. Falar inglês o dia inteiro com gente divertida e interessante é o que há. Fora a imersão cultural que existe. Os papos sempre em volta do dia-a-dia kiwi, o que me imerge mais na cultura local e me faz ficar lembrando menos de ficar sabendo o que tá rolando no Brasil. Me atualizo diariamente sobre como está a madrecita e os amigos e o resto pouco me importa. Tô bem feliz com a casa e o ambiente.

- Descobri o porque do sotaque americano ser nojento. Irlandeses. O sotaque deles, irlandeses, após 15 minutos fica super divertido. O americano não. Já soa chato pra mim. Mas a colonização massiva de irlandeses nos states que faz com que eles enrolem a língua pra falar tudo. Mas hoje eles não soam nada como irlandeses. Terça passada, dia 17 de Março foi St. Patricks day, dia festejado na Irlanda o que fez com que os bares irlandeses ficassem empaturrados. Uma boa oportunidade pra colar na sua colega inglesa de trabalho que tem uma flatmate irlandesa e conhecer um bucado de outros irlandeses adquirindo um monte de gente nova e treinando o seu entendedor de sotaques.

- Tudo indica que em breve vou conseguir montar minha bateria por aqui. Já tenho conversado com uma galerinha bacana e em breve pretendo ter notícias sobre gigs felizes por Wellington. :)